Após diferentes experiências vividas em meio escolar nos anos anteriores, há comunidades escolares como a da Escola EB António Dias Simões em Ovar, que estão de certa forma, a gerir com alguma naturalidade a relação com o ciclo de vida da Lagarta do Pinheiro sem sinais de alarmismo, mas com algumas medidas preventivas e de vigilância sobre a sua evolução em árvores como pinheiro e cedro que são particularmente alvo da fase de construção de ninhos e posterior descida das lagartas. Momento mais preocupante dada a possibilidade de contacto, neste caso com crianças e jovens alunos.
São já várias as técnicas utilizadas por diferentes municípios do país para o tratamento preventivo e controlo da Thaumetopoea pityocampa, vulgarmente conhecidas como Lagarta do Pinheiro ou Processionária, uma designação derivada do facto de formarem longas procissões de lagartas que se movimentam entre pinheiros ou cedros e o solo, onde irão crisalidar para o seu ciclo de vida e sucessiva propagação, que vem sendo ainda influenciada pelas condições climatéricas, já que os últimos invernos, com pouca chuva e temperaturas mais elevadas, tem originado uma presença maior do que vinha sendo habitual deste tipo de lagartas aparentemente fofinhas, mas que pode parasitar pinheiros e cedros bem como provocar nas pessoas e animais, alterações do aparelho respiratório ou alergias cutâneas causadas pelos urticantes. Nos animais, com particular incidência nos cães e gatos, os danos manifestam-se particularmente nas patas e na boca.
Nos últimos anos vem-se observando em Portugal ataques de elevada intensidade por parte da Lagarta do Pinheiro, o que tem originado já várias as experiências desenvolvidas por municípios, como Esposende e Porto ou a sul, Sesimbra, Portimão, Albufeira e Lagoa, que vêm recorrendo a diferentes meios e técnicas, que passam por intervenções em espaços públicos e em meio escolar, com vista a minimizar os efeitos das lagartas nas árvores e de prevenir a segurança dos cidadãos, nomeadamente das crianças e jovens alunos nas comunidades escolares, já que em ambiente urbano, as consequências em termos de saúde pública podem ser preocupantes.
Os projetos de combate a tal praga cuja presença em fase merecedora de maior atenção preventiva em ambiente escolar, se dá normalmente entre janeiro e abril, passam por métodos diversificados do ponto de vista técnico e natural, como, o uso de aves predadoras naturais desta lagarta, que assim ajudam ao seu combate. Retirada de ninhos das árvores e posterior queima, bem como recurso a cintas adesivas ou mesmo utilização de funis e garrafões colados às árvores. Ou até a aplicação de microinjeções nas árvores em espaços que exigem medidas preventivas para segurança das pessoas.
Nesta experiência em meio escolar no concelho de Ovar, com grande incidência de pinhal, entre as medidas pontuais do Município, contam-se a eliminação de ninhos através do corte de ramos afetados, ou equipamentos colocados nos pinheiros em que mais se tem registado a frequência das lagartas, os quais atraem o inseto na fase de borboleta, numa tentativa de redução da sua capacidade reprodutiva, o que não parece ser muito eficiente, pelo recenciamento dos que acabam por ficar mortos.
Medidas da intervenção dos serviços camarários que acompanham esta temática, que incluíram também a colocação de fitas adesivas através das quais, seria suposto repelir a sua passagem e assim serem removidas. No entanto as lagartas também têm mostrado recursos imaginativos para prosseguir o seu ciclo de vida, deixando-se cair para o solo, para voltarem a sua caminhada em procissão, ainda que mais dispersas.
Com um tal percurso de contato em ambiente escolar com a Lagarta de Pinheiro, esta comunidade escolar vêm podendo observar as diferentes fases do ciclo de vida da Processionária. Mas é sobretudo na designada “fase terrestre”, entre setembro e fevereiro, depois da “fase aérea” (julho a setembro) em que a lagarta assume a forma de borboleta e faz a postura de ovos nos ramos dos pinheiros, que, se torna mais visível a evolução da quantidade de ninhos brancos, em que, depois da eclosão dos ovos as lagartas se abrigam do mau tempo para entretanto iniciarem a última fase do seu ciclo de vida, a “fase subterrânea” entre janeiro e abril, para, sempre em procissão se enterrarem e formar um casulo, transformando-se de novo em borboleta para um novo ciclo de vida.
Nesta relação da comunidade escolar desperta para intervir preventivamente, tem sido possível observar de forma surpreendente este ano, uma maior presença de ninhos, o que significará, na ausência de medidas minimamente eficientes e coordenadas de destruição de ninhos, uma ainda maior invasão e reprodução da Lagarta do Pinheiro.
Nesta linha de pensamento e sobretudo na perspetiva preventiva, vão sendo tomadas medidas, como as recomendadas pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e da Direção-geral de Saúde, tentando capturá-las com os devidos meios de segurança sugeridos, e por fim queimando-as ou sendo esmagadas com os devidos cuidados da sua reação defensiva, que pode resultar na projeção dos pelos urticantes.
Medidas preventivas que vão permitindo mesmo pedagogicamente conhecer melhor o próprio ciclo de vida da Processionária, assim como os naturais efeitos preocupantes das mudanças climatéricas, que estarão inevitavelmente a influenciar também o seu ciclo de vida, com nefastas consequências para a vida das árvores e do contacto humano e animal.
Texto e fotos: José Lopes (*)
(*) Correspondente EeTj em Ovar – Aveiro
01jan19









