O átrio da Câmara Municipal do Porto encheu-se, no passado dia 28 de janeiro, de comerciantes da cidade, representantes de 61 estabelecimentos e uma entidade, tudo para receberem uma simbólica placa atribuída pela autarquia, e na sequência do trabalho efetuado programa municipal “Porto de Tradição”, o qual serve, no fundo, para “proteger” os seus serviços, defendendo, desse modo, o tradicional comércio de rua, que é algo de muito particular, sui generis, da Invicta cidade. A cerimónia foi presidida, por Rui Moreira, ladeado pelo vereador responsável pelo pelouro da Economia, Turismo e Comércio, Ricardo Valente.
José Gonçalves Mariana Malheiro
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Com algumas caras conhecidas entre os comerciantes presentes na cerimónia – com destaque para Valentim Loureiro, antigo presidente da Câmara Municipal de Gondomar e do Boavista Futebol Clube – o ato foi aberto com música e depois muito aplaudido, quando, em grupo de seis pessoas, os comerciantes eram chamados para receberem as suas placas.
Ricardo Valente: “ Tradição não significa parar no tempo”
Finalizada a cerimónia de entrega das placas, Ricardo Valente usou da palavra começando por referir que “os comerciantes do Porto representam a capacidade de aguentarem, nos momentos difíceis da cidade, os vossos negócios” mostrando “essa resiliência; essa capacidade de fazer face ao infortúnio, de se reinventarem e mostrarem, assim, que tradição não significa parar no tempo”.
Relembrando que “o «Porto de Tradição» nasceu porque o presidente Rui Moreira, antes do tempo – como acontece muitas vezes – lançou este desiderato à cidade”, salientando que, com ele, “foi criado um mecanismo de proteção daquilo que é a identidade; do que há de tradicional na cidade, e, assim, o Porto tem, de facto, e desde 2016, um grupo de trabalho no terreno que tem vindo a reconhecer um conjunto alargado de lojas.”
No passado dia 28 de janeiro foram entregues “placas a 61 estabelecimentos comerciais e uma entidade, mas já temos, neste momento, 75 estabelecimentos comerciais (74+1 entidade) ”, informou Ricardo Valente enfatizando, de seguida que “a nossa aposta continua clara, do ponto de vista de estarmos do vosso lado, mas também – e isto é algo que vos pertence… faz parte do vosso espírito – de continuarem a fazer aquilo que até agora mostraram, ou seja, a capacidade de se reinventarem e de fazerem do comércio de rua, um comércio que agrega valor”.
Rui Moreira: “Esta não foi – como muitos temiam – uma perigosa medida marxista-leninista”
Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, iniciou a sua intervenção historiando, pela rama, os momentos mais complicados que a cidade viveu durante alguns anos. “A cidade, por razões diferentes, foi perdendo população, foi perdendo alguma da sua resiliência. Depois construíram-se os centros comerciais à sua volta da cidade, e as pessoas que vinham normalmente ao Porto fazer compras, começaram a utilizar o comércio de proximidade. Pelo que, passaram-se anos difíceis.”
A verdade, porém, e segundo o edil, “é que a cidade vive hoje um tempo diferente; a cidade, tem hoje, uma nova população. Aliás, esta cidade nunca viveu, exclusivamente, dos seus residentes, e agora são outros os que nos visitam: são turistas, é gente oriunda de sítios mais distantes, de outras origens e que, de alguma maneira, são os que voltaram a encher as ruas… a encher a cidade”.
“Esse crescimento teve lugar numa altura em que o comércio tradicional estava enfraquecido. Esse aumento de fluxo na cidade correspondeu”, salientou Rui Moreira, “a novas leis, e a aumentos de renda…”
“Então, numa conferência que houve no Palácio das Cardosas, hoje o Hotel Intercontinental, disse que isto estava a chegar a um ponto tal, que seria necessário ter de se fazer algumas expropriações. Na altura, criou-se uma grande confusão: houve quem achasse que era uma perigosa medida marxista-leninista, mas não era! Era apenas um aviso para que a cidade não perdesse as suas tradições, as suas pessoas, os seus cantares, as suas atividades e… foi o que realmente veio a acontecer.”
Para Rui Moreira, o “Porto sempre foi uma cidade de comércio. Nunca fomos uma cidade que nos déssemos muito às descobertas. Nós demo-nos muito ao comércio, aos mercadores; e os comerciantes têm essa tradição. Por isso, foi esta forma que nós encontramos, a qual”, avisa, não vai, naturalmente, resolver os problemas todos. Sabemos bem, que há muitas agruras, que as coisas são difíceis, mas não podemos, nem queremos, conduzir os vossos negócios, pelo que não vos podemos prometer prosperidade, pois não é esse o papel da Câmara, mas podemos com este programa, com este apoio, vos ajudar a encontrar soluções para o futuro”.
Os “galardoados”
Para além dos comerciantes que estiveram presentes na cerimónia, o programa “Porto de Tradição” protege 75 estabelecimentos, encontrando-se, de momento, e em período de consulta pública “A Vilarinha”, “Hotel do Norte” e o Orfeão do Porto.
Nas fotos, que se seguem, alguns dos “galardoados”…
Saiba, então, quais os estabelecimentos que foram distinguidos com a Placa do “Porto de Tradição”, entregue pela Câmara do Porto, quase como um “certificado de qualidade e resiliência” aos seus proprietários:
A Favorita do Bolhão, A Pérola do Bolhão, A Regaleira, A Sementeira, Adão Oculista, Alcino Ourives, Arcádia, Armazém dos Linhos, Armazéns Cunhas, Barbearia Garrett, Barbearia Tinoco, Bazar Mabril, Bazar Paris, Benedito Barros, Lda., BFG – Ferragens e Decoração, Botónia – Sousa & Lobo, Café Âncora d’Ouro – Piolho, Café Embaixador, Café Guarany, Café Moreira, Carvalho, Batista & Cª, SA., Casa Aleixo, Casa Alvão, Casa Coração de Jesus, Casa Crocodilo, Casa da Mariquinhas, Casa dos Forros, Casa dos Linhos, Casa Hortícola, Casa Januário, Casa Lima, Casa Soleiro, Centenária Casa Felisberto, Confeitaria do Bolhão, Confeitaria Petúlia, Confeitaria Serrana, Costa Braga & Filhos Lda., Escovaria de Belomonte, Farmácia Lemos, Farmácia Vitália, Galerias da Vandoma, Gazela Cachorrinhos da Batalha, Hotel Aliados, José Rosas e Companhia Lda., Livraria Académica, Livraria Lello, Livraria Moreira da Costa – Carneiro & Gonçalves Lda., LMR, Lda. – Fábrica das Velas, London Style, Lopo Xavier & Companhia Lda., Machado Joalheiros, Majestic Café, Marcolino Relojoeiro, Moura e Fortes – PFAFF, Neves & Filha Lda., O Buraquinho, O Cafézeiro, O Pretinho do Japão, Ourivesaria Brilhante, Ourivesaria Coutinho, Ourivesaria Eduardo Carneiro, Ourivesaria Luíz Ferreira, Ourivesaria Pedro A. Baptista, Lda., Padaria Ribeiro, Papelaria Modelo, Pinguim Café, Príncipe Porto Portugal, Queijaria Amaral, Restaurante Chinês, Restaurante Confeitaria Cunha, Restaurante Escondidinho, Restaurante Ginjal, Santos & Irmão, Lda., Vidraria Fonseca, e como entidade: Teatro Sá da Bandeira.
01fev19















Acho urgente tomarem-se várias medidas porque há tendência ao comércio tradicional diminuir e o centro do Porto ser descaracterizado para agradar aos estrangeiros.