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MOMENTOS DE POESIA E DE AFETOS NO LANÇAMENTO DO LIVRO DE AURORA GAIA… “A PALAVRA NA ARTE”

Com os livros nas estantes em pano de fundo como cenário natural, a Biblioteca Municipal de Ovar acolheu no dia 12 de abril, a sessão de lançamento e apresentação do livro da atriz Aurora Gaia, “A Palavra na Arte”, num espaço que se tornou pequeno para tantos amigos, admiradores e artistas de diferentes artes a quem a autora dedica no seu livro e ali partilhou, momentos de poesia e de afetos.

José Lopes

(texto e fotos)

Como começou por afirmar a poetisa Libânia Madureira na abertura da sessão, depois das palavras de boas vindas da anfitriã Ângela Castro (Técnica Superior/Bibliotecária BMO), “um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive” (Padre António Vieira), dando assim o mote ao momento para o qual enumerou os intervenientes iniciais na apresentação do livro de Aurora Gaia, nomeadamente, Emerenciano Rodrigues, Maria João Cartaxo, Vieira Duque, Maria Esther da editora Modocromia e a vereadora da educação da Camara Municipal de Ovar, Ana Cunha ou ainda, Conceição Lima, que carinhosamente designou de “Madrinha dos Poetas”.

Acrescentou ainda, que, “para arrancar as palavras do papel… dizê-las… soprar-lhes vida… recitá-las… quebrar o silêncio do eu poético, da nossa Aurora, fazendo-as flutuar em sonoras centelhas de luz, numa carga emocional que emana dos seus textos e nos faz viajar no tempo… no espaço, dentro e fora de nós”, como viria a acontecer numa sucessiva declamação e leitura de textos poéticos pelas vozes de Conceição Lima, Carlos Ogando Revez, Clementina Matos, Sãozinha Alves, José Ferreira e a própria Libânia Madureira, que completaram o momento recheado de intensidade, de poesia e de afetos com que Aurora Gaia deliciou os presentes, em que se encontraram vários artistas evocados no livro «A Palavra na Arte», de Emerenciano a Maria José Ferreira, Elizabeth Leite, Victoria Matamoros, Ana Sofia ou Jorge Bacelar, entre outros que agradeceu, como “meus queridos dedicatários que fazem viver as minhas Palavras”.

Ao artista Emerenciano Rodrigues que prefaciou este livro, coube-lhe apresentar a autora, que, como foi apresentado, é “conhecedor do seu retrato interior” desta apaixonada pela palavra, realçando que, “as palavras pertencem às obras a que se referem, palavras dos próprios artistas, que alguns valorizam escrevendo, prática que não se generaliza. E são indispensáveis as palavras dos outros sobre as obras dos artistas, pensemos nos críticos de arte, nos ensaístas do pensamento e nos poetas, onde Aurora Gaia entre e bem.” Ainda nas palavras do artista ovarense, a obra da sua conterrânea, Aurora Gaia, “ele reflete o encontro com a Arte e a proximidade com os artistas, mostra a sensibilidade da autora sobre a matéria da expressão poética e assunção do EU que procura um TU para comunicar e desenvolver-se na unidade de NÓS, e são muitos TUS considerados” afirmou.

Apresentada como tendo incentivado a “autora para que desse à luz as suas palavras”, Maria João Cartaxo, disse que Aurora Gaia significa “amanhecer” ou seja, como acrescentou, “no sentido figurado, aurora significa a infância, a juventude, o princípio da vida e eu vejo nela tudo isso: a inocência de uma criança, a jovialidade, a vontade de viver, de empreender.”

Para esta Docente Bibliotecária amiga e admiradora de Aurora Gaia, “a autora é uma mulher fascinante, experiente, doce, carinhosa, genuína, multifacetada… é um exemplo para todas as mulheres”, fez questão de sublinhar. Mas centrando-se nos dons da palavra escrita e na poesia da autora que reuniu nesta sessão artistas de vários pontos do país, Maria João Cartaxo recorreu a José Fanha e à sua definição da poesia, quando diz que, “a poesia é a arte das palavras, e as palavras, quando tocadas pelos poetas, tornam-se chaves mágicas que abrem portas de universos que estão para além do imediato quotidiano e que nos falam dos grandes mitos, e também das paixões, das dores, das alegrias.”

A Docente Bibliotecária concluiu, acrescentando Aurora Gaia a vários outros autores, que quando os lemos sentimos “uma janela aberta sobre o mistério maravilhoso das palavras (…)”, porque no caso desta autora, “a sua poesia é intensa, livre, forte, plena de simbolismo e de significados, de relações, de associações, de emoções… é arte, é a Palavra na Arte ou, como diz, «palavras com voz que saltam do papel».” Palavras de muitos afetos deixadas num fim de tarde a Aurora Gaia, porque, como por fim resumiu Maria João Cartaxo, “a poesia está na sua alma, na forma como vive a vida, como se relaciona com as pessoas, como estima os amigos e como sublima os artistas e a sua Arte”.

E como demonstração de estima dos amigos, Aurora Gaia recorreu ao facebook para outros tantos agradecimentos, dirigindo-se, “aos poetas presentes que me surpreenderam a querida Manuela Barroso e o poeta António Pina Obrigada não só de palavras mas… com o coração nas mãos. Obrigada Beatriz Afonso autora do belo livro – A Alcateia – livro presente na mesa. Obrigada poeta António Carlos Santos que também já me emprestou as suas palavras. Obrigada Ana Albergaria escritora/pintora/e atriz e mesmo na distância o pensamento em Joaquin de la Buelga. E no público eu a sentir a tua música mesmo que os outros não a ouvissem um beijo Vladimir Omeltchenko. Abraço Carla Valente. Abraço o grande amigo das Artes e sempre presente Fernando Ramos. Abraço o amigo José Lopes sempre com belas fotos”.

Aurora Gaia, nasceu no Porto a 7 de setembro de 1938, viveu longos anos em Vila Nova de Gaia e reside já há vários anos no Furadouro – Ovar.

Desenvolveu a sua atividade profissional na televisão – na RTP, no Monte da Virgem, como caracterizadora. Entretanto a televisão e o cinema viriam a ter um lugar muito especial na sua vida como atriz.

No teatro, estreou-se em 1980 sob direção de Norberto Barroca na companhia Seiva Trupe na peça “Quanto vale um poeta”, seguindo-se outros projetos, como, “Um cálice de Porto”, “A dama de copos”, “Liberdade em Bremen” e “Marlene”. Já no Teatro Experimental do Porto (TEP), interpretou “A lenda de Gaia”, “Reginaldo”, “Os fantasmas”, “É urgente o amor”, “Henriqueta Emília da Conceição” e “Felizmente há luar”. Mais recentemente em 2016/17 sob direção de Manuel Ramos Costa na CONTACTO em Ovar interpretou “Medeia”.

Na sua experiencia no cinema, participou em longas, médias e curtas-metragens, destacando-se os filmes “Uma relação fiel e verdadeira” de Margarida Gil, “Intermitências”, “Estado de graça” e “Quando eu morrer”, estes três últimos exibidos no Fantasporto. Foi, ainda protagonista em “Chá da noite” de Luís Moya e parte do elenco das séries “Triângulo Jota” e “Lendas de Portugal”. A sua interpretação em “Intermitências” valeu-lhe uma nomeação honrosa. Integrou o elenco da minissérie da RTP “Mulheres de Abril”, que foi para o ar em 2014.

A poesia é outra das suas paixões como autora e divulgadora. Em 2013 lançou o seu primeiro livro de poesia “E por isso eu amo tanto a Palavra”.

Em 2016 foi galardoada com o Prémio Prestigio «Personalidade Fundação INATEL»

01mai19

 

 

 

 

 

 

 

 

 

7 Comments

  1. aurora Gaia

    Eternamente grata S José Lopes Lopes estimado jornalista que sempre está na Arte
    e pela Arte que transmite e dá a conhecer ao publico
    Obrigada ao Jornal ETC e TAL

  2. aurora Gaia

    Tenho de aqui voltar ao texto de José Lopes para lhe dizer que belo texto
    Admiro como encontrou o meu Eu
    É uma expressão literário que me diz muito
    “a assunção do EU que procura um TU para
    desenvolver-se na unidade de Nòs e são muitos TUS”
    Estou muito agradecida ao José Lopes e ao magnífico Jornal

  3. josé lopes

    Perante todas estas palavras de carinho ao jornal e a quem dá um humilde contributo para o seu engrandecimento. Permitam-me ainda que deixe aqui mais algumas notas da magnifica carreira artistica de Aurora Gaia:
    em 2005 homenageada com o Prémio AmasPorto, pela actividade em prol da Arte.
    em 2016 Prémio Prestigio Personalidade pela Fundação Inatel.
    em 2018/19 Homenageada pela Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro de Águeda como Personalidade em Caminhos de Memória (no ano anterior tinha sido Eunice Muñoz a Homenageada).
    Parabens Aurora Gaia!

  4. Libania Madureira

    Meu Caro José Lopes,

    Como define, o Professor Domingos Paschoal Cegalla: “Poesia é a linguagem subjectiva, carregada de emoção e sentimento, com ritmo melódico constante, bela e indefinível como o mundo interior do poeta visa a um efeito estético.”

    A arte, a emoção, a afectividade não se calculam… não se medem: sentem-se… e a Aurora Gaia, em cada verso, em cada palavra, em cada detalhe, enal(tece)… abraça… de forma única, as memórias rendilhadas dos encontros… agarrando o tempo… fazendo-o renascer nas auroras da sua ternura… tocada pela emoção que a inspira!

    Porque não basta escutar… olhar, simplesmente. Há que estender as mãos… dar voz… clarear o dia… desfazer a ignorância, sendo sã notícia …explorando os conteúdos de cada “eu”…e… o seu “Eu”, José Lopes, enriqueceu o “Tu” de cada nomead@!…

    Bem-haja, por registar o momento, pelo seu olhar-nos com inteligência interpessoal, construtora de uma verdadeira relação dialógica que nos faz acreditar que é possível uma relação humana, baseando-nos numa comunicação efectiva porque afectiva…

    Libânia Madureira

  5. Manuela Barroso

    É sempre com enorme prazer e redobrada admiração ouvir esta Senhora da Arte. Aurora Gaia é energia feita palavra, representação, poesia . Ouvi- la é o arrebatamento dos sentidos que despertam pelo seu dom inato de transmitir emoções e sabedoria .
    Daí, que nesta tarde o espaço fosse pequeno para festejar com ela momentos que só Aurora Gaia sabe transmitir .

  6. José Lopes

    Cara Aurora Gaia,
    Da minha parte obrigado pelas suas palavras, mas quem tem de agradecer é quem tem o privilégio de partilhar tão gratificantes momentos culturais e de autênticos afetos poeticos e naturalmente humanos que a todos proporciona no desempenhos das varias artes, seja na poesia ou no teatro.
    Pessoalmente agradeço este privilegio que, na verdade só se proporcionou através desta minha relação com a imptensa, neste caso o Etc e Tal jornal que me permite dar continuidade a este prazer de escrever e partilhar estes momentos que sao a minha gratidão e olhar para os diferentes temas que trabalhei para mais esta edição.
    Por tudo isto agradeço, Aurora Gaia.
    José Lopes

  7. aurora Gaia

    Obrigada estou encantada
    Obrigada Sr.José Lopes Lopes que muito consideramos
    pois está sempre presente na Arte o que muito prestigia Ovar e não só
    porque a Arte estende-se a quem a procura Obrigada Sr.jornalista e Jornal

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