Joaquim Castro
Há pessoas que recebem com bom grado a correcção de erros ortográficos. Há outras que não, insultando, até, quem os corrige. O que fazer?
Ora, um erro ortográfico não dá boa nota de quem o comete, pois, aquilo que dizemos ou publicamos, diz muito de nós. Neste caso, diz muito mal!
Por isso, seja de forma oral ou escrita, a nossa competência linguística tem um valor sociocultural muito significativo, tendo implicação directa no nosso prestígio social, assim como aceitação e credibilidade.
Assim sendo, sinceramente, este “trabalho” de corrigir erros ortográficos, sobretudo nas redes sociais, não pode ser encarado como uma ofensa, mas, antes, uma atitude amiga, que deve ser encarada como tal.
“Acelarar” continua a acelerar!
Já aqui temos tratado desta s e de outras expressões, mal escritas e mal pronunciadas, muitas vezes, por pessoas que têm a obrigação de as saber pronunciar. Falo de políticos, professores, jornalistas, cientista…
No mundo do futebol, é um fartote de tantas calinadas, mas, sem dúvida, o “acelarar”, em vez de acelerar, é quase uma epidemia. No jogo Tondela x Boavista, o relatador disse que “o jogador tinha metido a bola fora”. Meter fora: fantástico!
“Senão” continua a dominar no facebook
“Se não” e “senão”: as duas formas existem e estão correctas. Contudo, o “senão” vale para tudo, mesmo quando está errado na frase.
Senão, uma palavra unida, pode ser: substantivo, elemento de ligação, conjunção, ou preposição.
Se não, em duas palavras, o “se” é uma conjunção condicional, pronome ou partícula apassivante.
O “não” é um advérbio de negação.
Exemplos:
Como substantivo: “Não há bela sem senão”.
Como conjunção condicional: “Só há jogo, se não chover”.
Pairar
Há muito boa gente que utiliza a expressão “pairar no ar”. Ora, se paira, só pode ser no ar. Aquilo que permanece estável no ar ou que se desloca lentamente.
Mas o verbo pairar pode ter outros significados, como no sentido de estar para chegar, ou ameaça para a sociedade ou grupo.
Em sentido figurado, pode querer dizer, que se encontra em situação superior, sobranceiro; coordenar ou controlar do alto. Em Ovar, paira sobre a sociedade, um enorme desejo de que seja restituída a liberdade de expressão.
Beco sem saída
Também há quem diga, que alguém se meteu num beco sem saída. A ser assim, temos de concluir que também há becos com saída. Mas como um beco é uma rua ou um caminho que não tem saída, basta chamar-lhe um beco. Sem mais.
No entanto, também aqui a expressão “beco sem saída” poderá significar que alguém se meteu num problema sem solução ou difícil de resolver.
Nota: Por vezes, o autor também erra!
Obs: Por vontade do autor e, de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc e Tal jornal”, o texto inserto nesta rubrica foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa.
Fotos: pesquisa Google
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