A zona das Fontainhas foi notícia, no dia 20 do passado mês de abril, pela queda de uma grua sobre nove habitações, três das quais devolutas, na Rua da Corticeira, facto que embora não tenha originado vítimas, acabou por desalojar uma família (três pessoas: um casal com um filho menor). Caso idêntico tinha já acontecido, a 10 de fevereiro deste ano, na Rua da Torrinha.
Perante o sucedido, o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, visitou, no mesmo dia, o local do acidente, tendo a autarquia decidido suspender as licenças para a instalação de gruas no espaço público. Mais ainda, anunciou que a Proteção Civil vai proceder à fiscalização de todas as gruas existentes na cidade, mesmo aquelas que estão em espaço privado, como foi este o caso. A autarquia diz não ter, de momento, competência para apreciar a instalação técnica das gruas, cabendo tal às empresas devidamente certificadas.
No caso da queda da grua da Rua da Corticeira, nas Fontainhas, a atuação da Câmara Municipal é, segundo a autarquia “ainda mais limitada, por se tratar de uma instalação feita em espaço privado, tal como aconteceu noutro incidente semelhante que decorreu, há cerca de dois meses, na Rua da Torrinha”.
Dias depois (23abr19) a Câmara Municipal do Porto aprovou a criação de um grupo de trabalho para avaliar as medidas de segurança das gruas, após a queda de dois equipamentos nos últimos de dois meses. De acordo com a autarquia, na cidade existem cerca de 100 gruas.
O grupo de trabalho será composto por “representantes das associações do setor da construção civil, sindicatos e outros especialistas, com o intuito de “avaliar a dimensão técnica e jurídica do problema” e propor medidas.
Até à conclusão da “necessária reflexão sobre a matéria”, todos os licenciamentos de obra ou de ocupação do espaço público que impliquem a montagem de novas gruas vão manter-se suspensos.
Sindicato da Construção Civil acusa dono da obra de “negligência grosseira”

Entretanto, em conferência de imprensa (22abr19), Albano Ribeiro, presidente do Sindicato da Construção Civil, culpabilizou o dono da obra pela queda da grua, acusando o dono da obra de “negligência grosseira” e considerou que a “sapata da grua estava obsoleta e sem condições para suportar os trabalhos”. O estado da grua não permitia que estivesse a operar, referiu ainda Albano Ribeiro.
Por sua vez a empresa proprietária da grua, referiu que a “estrutura não partiu, apenas empenou com a queda, o que confirma a sua sustentabilidade”.
Criado o alerta com este acidente, foram várias as vozes que se levantaram na cidade colocando em causa a segurança das muitas gruas que se espalham pela urbe, situação que, por certo, será analisada pelo grupo de trabalho, entretanto criado pelo executivo camarário.
Texto: EeTj
Fotos: Nuno Nogueira Santos (Porto.)
01mai19
