Comemorar o 25 de Abril associado a momentos culturais foi mais uma vez o espirito da União de Freguesias de Ovar – São João – Arada – São Vicente de Pereira Jusã no 45.º aniversário da Revolução dos Cravos, assinalado no dia 25 à tarde na “Casa da Junta de São João” com a inauguração de uma Exposição Coletiva de Pintura do espólio do Museu de Ovar e o Concerto “25 canções para Abril” pelo Grupo Vocal Canto Décimo.
Como lembrou o artista plástico Emerenciano Rodrigues, que integra a atual direção do Museu de Ovar que colaborou através de obras de alguns pintores que fazem parte do espólio desta instituição, “associamos sempre o 25 de Abril a momentos culturais” e acrescentaria que, “estes momentos são sempre de partilha através da arte”. Com o diretor do Museu de Ovar, Manuel Cleto, também presente, Emerenciano, ainda afirmou, referindo-se à Exposição baseada no espólio, que, “isto é para que as pessoas tomem noção desta realidade”, assim como da “arte na revolução” ou dos “microfascismos que existem”, concluindo que, “comemorar Abril é um ato de resistência para os artistas”.
O programa comemorativo nesta vertente cultural foi apresentado por Bruno Oliveira, presidente da União de Freguesias, que mereceu igualmente do presidente da Assembleia de Freguesia, José Fragateiro e do vice-presidente da Câmara Municipal de Ovar, Domingos Silva, palavras alusivas aos momentos culturais ali proporcionadas no âmbito das comemorações do 25 de Abril, perante vários outros autarcas e os muitos fregueses que corresponderam ao convite e começaram por contemplar várias obras essencialmente a óleo, de artistas como, José Basalisa “Autorretrato” (1949) ou “Regresso da Pesca” (1945), José Mendonça “Vela Areinho” ou “Da Ré á Proa” (1955), Emília Barbosa Viana “Trecho da Ria de Ovar” (1956) entre outros, M. Fernanda Amado “Varina” entre várias outras pinturas, Domingos Rebelo com um “Autorretrato” (1960) ou “Natureza Morta” (1948), Paulo Gama “Véspera de S. Martinho” (1954) e ainda várias obras de Jaime Murteira (1958), assim como Jorge Barradas com “Capricho” (1960).
Mas, Abril só mesmo no Concerto que se seguiu, seria respirado num salão que encheu e vibrou com uma maratona de 25 canções interpretadas pelo Grupo Vocal Canto Décimo com direção artística de Guilhermino Monteiro, o instrumentista (guitarra), António Gonçalves e os músicos convidados, Octávio Fonseca e Pedro Ramajal (guitarras).
O Grupo que privilegia a música portuguesa, e que no seu CD editado em 2008 “Conta-me um Conto”, inclui, como reportório habitual, canções de João Lóio, um dos seus autores de referência. Dedicou este Concerto em grande parte à obra musical de José Afonso, como “Canta Camarada” (1969), “Trás outro amigo também” (1970), “Vejam Bem” (1968), “Vira de Coimbra” (1960), “Cantigas do Maio” (1971), “Venham mais cinco” (1973), “Os Vampiros” (1963), entre outros temas de artistas como José Mário Branco, Adriano Correia de Oliveira ou Fernando Lopes-Graça e as suas Canções Heroicas, momento para Guilhermino Monteiro lembrar o antifascista José Macedo Fragateiro com um sentido abraço ao seu filho José Fragateiro, terminando esta sessão comemorativa com a sala de pé a cantar em coro “Grândola, Vila Morena” (1971).
Texto e fotos: José Lopes
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