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“ABELHAS FELIZES” EM MEIO ESCOLAR…

A comunidade escolar da Escola EB (2.º ciclo) António Dias Simões, em Ovar, cuja área verde envolvente tem a particularidade de proporcionar uma significativa mostra de biodiversidade, como espaço pedagógico natural para a educação ambiental, que ali pode ser explorada e desenvolvida ou mesmo, imaginar e porque não observar, as “abelhas felizes” em meio escolar, correspondendo a um apelo para atrasar o corte das ervas daninhas em espaços públicos, para que as abelhas cumpram a sua indispensável missão.

Esta espécie de campanha ambiental pelas abelhas e pela vida, que, entre outros vários meios de sensibilização, se tornou viral um recente artigo na imprensa (online), que tem merecido particular atenção nas redes sociais, em que lançou um interessante apelo para que não se cortem já as ervas daninhas, que se podem observar em espaços públicos e que estão à mercê de maior ou menor eficiência dos serviços municipais ou das freguesias na intervenção de jardineiros em áreas verdes e caminhos ou mesmo em espaços privados. Nestes casos, atrasar a ação de corte das ervas daninhas, pelo menos na fase em que exibem várias espécies de flores silvestres, “as abelhas agradecem”, refere o trabalho jornalístico como um manual escolar das Ciências da Natureza (CN) se tratasse.

Segundo este artigo de Cristiana Faria Moreira, “Não corte já as ervas daninhas. As abelhas agradecem” publicado no Público (online) de 25/03/2019, “investigadores desaconselham o corte da vegetação espontânea que cresce nos relvados ou entre os muros da cidade porque assim se retiram recursos a insectos importantes para o equilíbrio dos ecossistemas”, chamando ainda a atenção para a curiosidade de serem conhecidas 680 espécies de abelhas, apesar da generalidade das pessoas reconhecerem apenas a existência da abelha do mel “e pouco mais”.

Este artigo “pedagógico” vem a propósito da época do ano em que, “mal começa a Primavera, há uma tarefa que se repete por todo o lado: cortar ou atirar um químico para aniquilar as ervas daninhas e as flores selvagens que delas rebentam entre os passeios de casa ou as pedras e muros das cidades, ou florescem nos relvados citadinos. E se, com esta rotineira acção, estivéssemos a prejudicar insectos polinizadores como as abelhas? E se, com isso, nos estivéssemos também a prejudicar? Algumas das plantas favoritas destes insectos, que ajudam na reprodução da flora, são as mal-amadas ervas daninhas. É por isso que entomólogos (estudiosos dos insectos) desaconselham que se cortem estas plantas mal começam a florescer. Dessa forma, estão a retirar-se recursos a estes bichos tão importantes para o equilíbrio dos ecossistemas”.

O apelo ecológico e de sensibilização para a defesa da natureza, mas sobretudo para a tomada de consciência de que, “cerca de 80% dos alimentos de origem vegetal que se ingerem dependem do processo de polinização”, processo natural que, “as pessoas não têm consciência disso”, uma vez que “cada vez mais estamos a tirar recursos destes insetos que são bastante importantes para os ecossistemas”.

Estes, são certamente componentes essenciais da matéria da disciplina das Ciências da Natureza, ministrada aos alunos e em ambiente de educação ambiental, cuja dimensão do alerta, para “um momento de grande crise em termos de perda de biodiversidade de insetos, sobretudo também de polinizadores”, podem ser vivenciados em trabalho de campo, na relação verdadeiramente privilegiada em espaços verdes proporcionados nesta Escola EB (2º ciclo) do Agrupamento de Escolas de Ovar, em que se reúnem condições para investigação e experiencias concretas sobre a temática do “declínio dos insetos”, que, segundo também este referido artigo, é dado o exemplo de que, o “Reino Unido enfrentará crise alimentar se não ajudar as abelhas”.

Ainda que seja afirmado, que, “a perda de biodiversidade de polinizadores, não está a acontecer a uma escala local, nem sequer europeia. É uma “crise” que se está a verificar a nível mundial independentemente do tipo de habitat. “É um aspecto bastante preocupante porque nós vivemos dentro de um ecossistema e estamos todos muito interdependentes. Dependemos das plantas, dos insectos. Esta perda que estamos a observar pode ter consequências muito grandes para o nosso futuro”, lê-se ainda neste profundo trabalho no Público (online).

Por fim, o artigo deixa mesmo apelo aos serviços municipais que gerem áreas ajardinadas públicas, para que, “tenham em atenção a utilização de plantas atractivas para estes visitantes com asas, que não sejam plantas invasoras ou não nativas, conjugando com as que consideram ser esteticamente apelativas para agradar aos seus munícipes”. Um apelo que em meio escolar, como o que pode ser vivenciado nesta escola, não deixará de alertar e sensibilizar toda a sua comunidade escolar, que ali tem oportunidade de observar a dinâmica atividade das abelhas na sua indispensável tarefa para a vida.

Perante o declínio do número de insetos causado em grande parte, pelas alterações climáticas, mas como é afirmado no referido artigo por investigadores, “tudo depende de uma conjugação de fatores: a intensificação da agricultura, o crescimento das áreas urbanas e a perda de área verde e a utilização intensiva de herbicidas e pesticidas”. A sensibilização e tomada de consciência de toda uma comunidade é urgente! Mesmo com estes simbólicos contributos de vivência partilhada com abelhas em meio escolar, adiando o corte de ervas daninhas.

Texto e fotos: José Lopes

01jun19

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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