Cristóvão Sá-ttmenta
AS PESSOAS E AS ORGANIZAÇÕES
No início do primeiro artigo desta série [Econimicices (00)], apresentei-vos uma possível definição de Economia “…ciência que estuda a eficiente afectação de recursos que são escassos”. Há um recurso muito especial que são as Pessoas. Há quem fale de recursos humanos (RH). Não gosto. Tem uma carga mecanicista muito forte que desvaloriza a natureza importante que as Pessoas representam para as organizações. Poderá até haver a ousadia de comparar um Homem a uma máquina. Donde para a operacionalidade de uma organização bastaria determinar um número de Pessoas para se concretizar o seu escopo. Mas as Pessoas são diferentes. Se fosse um mero recurso a acrescentar as sociedades com mais população seriam as mais desenvolvidas. Serão India e a China países desenvolvidos? Por que razão estes países estão a fazer forte investimento em educação e formação?
Com certeza já ouviram de dirigentes de organizações diversas proclamarem que as Pessoas são o maior activo da sua organização. Os que o proferem fazem-nos por que fica bem no discurso. Porém a sua (dos dirigentes) praxis contraria tal afirmação. Eu acredito piamente nesta tese. Por acreditar nela, afirmo então que as organizações têm de fazer refletir no seu valor – mercado, social, educacional, saúde, etc. – o contributo fundamental que as Pessoas dão para as mesmas.
Esse valor é tanto maior quanto maior fôr o nível de formação, competência e habilidade. A acrescentar a tudo isso, também o conhecimento do mercado em que a organização atua. Há quem fique assustado quando defendo, em consequência, que terão de existir métricas que traduzam, por aproximação, tal valor. Acusam-me de estar a querer transformar a Pessoa num número. Refuto dizendo: mas então como é que eu posso dizer com rigor que a minha organização tem mais valor que qualquer outra? Vamos admitir que um dirigente determina que as Pessoas da sua organização tem de possuir, à entrada, como habilitação mínima um determinada habilitação superior, para depois a própria organização providenciar formação própria atinente aos seus objetivos. No mesmo negócio, se ao lado existir uma outra organização que não tem estas preocupações, qual delas tem mais valor?
No mercado de compra e venda de empresas, quem compra e quem vende recorre a consultores/avaliadores para que determinem o valor da sua (quem vende) organização. Quem quer comprar faz o mesmo. É curioso, provavelmente não, quem sabe, ver a valorização diferente da mesma organização. E é comum assistir que o negócio final se faz por um valor que não é nenhum dos anunciados. Depois, o que justifica a diferença entre o valor os activos tangíveis (edifícios, máquinas, viaturas, débitos/créditos em carteira, empréstimos, aplicações financeiras, etc.) da organização e o montante final da transação? Resposta: é valor (???) do componente humana da organização. Mais uma resposta a acrescentar: o valor da marca (???). A tradução contabilística do negócio vai ter uma parcela considerada como ativos intangíveis. Chamam-lhe o goodwill. Problema é que muitas vezes, mesmo muitas, esse goodwill tranforma-se em badwill.
Voltarei a estas questões.
01jun19
