Como todas as histórias de sucesso, tudo começa com um “Era uma vez…”, três jovens alunos, João Pedro Gomes, Maria Miguel Lopes e Patrícia Cruz, que concluíram, no presente ano letivo, o 12.º ano, na turma CTC da Escola Secundária Júlio Dinis (Agrupamento de Escolas Ovar Sul), tendo frequentado o Curso de Ciências e Tecnologias, encontrando-se, neste momento, em fase de exames de acesso ao ensino superior, formam a equipa que desenvolveu o premiado projeto “Bioplástico dá-te vida”.
Um percurso brilhante e com novos desafios no aprofundamento da investigação que o projeto exige e estimula os autores, jovens cientistas, independentemente dos caminhos de cada um nas diferentes áreas dos cursos que têm como opção profissional. Caminhada de acumulação de sucessivos prémios que o nosso jornal quis conhecer, através do exemplar percurso de muito trabalho de investigação, cujos resultados práticos consolidados são uma base fundamental para futuras candidaturas de reafirmação deste projeto “Bioplástico dá-te vida!”, que mereceu reconhecimento nacional e internacional.
José Lopes
(texto)
O plástico é um produto barato, maleável e facilmente transformável, sendo, também, conhecido por ser um material resistente e com elevada durabilidade. Trata-se de uma matéria-prima muito útil para o Homem e, nos dias que correm, possui uma infinidade de aplicações nos vários setores da sociedade. Porém, o uso continuado e desmensurado de plásticos tem-se revelado catastrófico à escala mundial e representa uma séria ameaça para todos os ecossistemas marinhos.
Foi com esta preocupação latente que surgiu o projeto “Bioplástico dá-te vida!”, que tem como autores estes três jovens alunos de Ovar, pretendendo-se reutilizar o desperdício alimentar proveniente do setor da restauração, mais concretamente dos excedentes de arroz cozido, as plantas invasoras, as borras de café, para a produção sustentável de bioplásticos.
Foram muitas as horas dedicadas a este projeto, divididas entre o Clube de Ciências da Escola Secundária Júlio Dinis, sob a orientação dos professores Carlos Oliveira e Júlia Pereira e o Departamento de Química da Universidade de Aveiro, tendo sido, igualmente, orientados pela investigadora Idalina Gonçalves.
Conquista do 1.º Prémio na 12.ª Mostra Nacional de Ciência, em junho de 2018
O primeiro sucesso a nível nacional surgiu, em junho de 2018, com o 1.º lugar na 12.ª Mostra Nacional de Ciência, que decorreu na Alfândega do Porto, tendo o projeto sido, igualmente, selecionado para participar na Intel ISEF (International Science and Engineering Fair), que decorreu entre 12 e 17 de maio de 2019, em Phoenix, Arizona, nos Estados Unidos da América.
Tratou-se da primeira consagração da ideia da produção sustentável de bioplástico, sendo um ponto de partida para futuras conquistas, reservadas para o ano seguinte.
Câmara de Ovar reconheceu mérito dos alunos do AEOS
A 27 de Setembro de 2018, no âmbito da apresentação do Guia Educativo 2018/19, a Câmara Municipal de Ovar reconheceu e valorizou publicamente o mérito destes alunos, por terem conquistado o 1.º prémio na 12.ª Mostra Nacional de Ciência e dignificado o nome da cidade de Ovar.
Mas, a aventura teve novos capítulos!
Novo 1.º prémio no concurso internacional “Ciencia en Acción”, em Barcelona
Depois de ter sido o grande vencedor da 12.ª Mostra Nacional de Ciência, o projeto “Bioplástico dá-te vida!” voltou a conquistar o júri e obteve o primeiro prémio do Ciencia en Acción, concurso internacional de ciência, dirigido a todos os países de língua castelhana/espanhola e portuguesa.
Eis excerto da ata final de avaliação do júri:
“Por reutilizar materiales reciclados para conseguir diversos tipos de plásticos degradables, se concede Primer Premio Ex Aequo al trabajo “¡Bioplástico te da vida!”,de Patrícia Maria da Silva, Maria Miguel Lopes y João Pedro Gama de la Escola Secundária Júlio Dinis de Ovar (Portugal).”
(livro de atas do ciencia en acción: http://cienciaenaccion.org/acta-de-la-final-de-ciencia-en-accion-2018/)
Uma aventura em Phoenix, Arizona
Os jovens cientistas do projeto “Bioplástico dá-te vida!” participaram na maior Feira Internacional de Ciência e Engenharia do mundo (INTEL ISEF), em Phoenix, Arizona, nos EUA, de 11 a 18 de maio.
A Intel ISEF é organizada pela Society for Science & the Public, uma organização não-governamental, sediada em Washington, que tem como objetivo selecionar e divulgar a melhor investigação desenvolvida por estudantes pré-universitários a nível mundial. Organizada há mais de seis décadas, esta competição conta com o apoio financeiro da Intel Corporation.
Para além dos inúmeros momentos de avaliação e de defesa, dando a conhecer as mais-valias do projeto, representando com bastante orgulho Portugal e o Agrupamento de Escolas de Ovar Sul, os alunos tiveram, igualmente, a oportunidade de conhecer Phoenix, uma cidade emblemática, de arquitetura moderna, capital do estado do Arizona, no sudoeste dos EUA e conhecida pelo sol e pelas temperaturas quentes durante todo o ano, rodeada de paisagens desérticas.
“Bioplástico dá-te vida 2.0” conquista, novamente, o 1.º Prémio na 13.ª Mostra Nacional de Ciência
No passado mês de junho, este percurso conheceu uma nova etapa. Estes jovens decidiram participar novamente no concurso por entenderem que o trabalho do último ano poderia ser ainda melhorado e aperfeiçoado, apostando na apresentação de produtos elaborados com bioplástico e na defesa da sua elevada biodegradabilidade.
A poucas horas da receberem a notícia de que iriam revalidar a vitória, preferiam não criar demasiadas expetativas e pareciam contentar-se com uma menção honrosa — apesar do feedback muito positivo que receberam dos jurados.
O resultado nesta competição, que teve lugar, mais uma vez, na Alfândega do Porto, garantiu-lhes, novamente, o 1.º prémio e uma viagem até Sófia, na Bulgária, onde representarão Portugal no Concurso da União Europeia para Jovens Cientistas (EUCYS).
Próximo passo: registo da patente e a aposta na divulgação nacional
Iniciativas como esta são fundamentais para promover a reflexão das gerações mais jovens sobre os problemas que enfrentamos atualmente e, em simultâneo, desenvolver a capacidade de inovar e empreender.
Desta forma, será necessário o registo da patente, processo que demorará o seu tempo. Contudo, para uma melhor divulgação, serão realizados contactos com diversas empresas nacionais que, eventualmente, poderão estar interessadas em saber um pouco mais sobre a produção de bioplástico e das suas mais-valias económicas e ambientais.
Como não poderia deixar de ser, estes alunos, mais uma vez, aproveitam a oportunidade para agradecer ao professor Carlos Oliveira, pela ideia inovadora e pelo seu contributo na elaboração deste projeto, à professora Júlia Pereira, pelo companheirismo e pela ajuda incansável que teve para com o grupo, assim como à Direção do Agrupamento de Ovar Sul e a todos os docentes e colegas de turma que contribuíram para a concretização deste sonho. Fazem, igualmente, questão de salientar o papel fundamental da doutora Idalina Gonçalves, investigadora do Departamento de Química da Universidade de Aveiro, que sempre se mostrou disponível para orientar e ajudar os alunos na realização de todos os modelos de bioplástico, bem como na análise e interpretação dos resultados inerentes ao projeto.
A esta equipa, formada por João Pedro Gomes, Maria Miguel Lopes e Patrícia Cruz, o Etc e Tal jornal também só pode desejar que continuem com o mesmo entusiasmo e confiança na caminhada de sucesso deste seu projeto e futuros projetos de investigação.
Fotos: AEOS/facebook
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