A cerimónia de atribuição das 25 medalhas municipais decorreu ao final da tarde do passado dia 09 de julho, na Casa do Roseiral. Nesta edição, a Medalha de Honra da Cidade foi atribuída a duas personalidades: o Príncipe Amyn Aga Khan e Alberto de Sousa Martins, ex-ministro e antigo deputado do PS. Para o presidente da Câmara do Porto, ambos representam duas fortes marcas da cidade que merecem ser celebradas: a Cultura e a Liberdade.
“Hoje atribuímos a Medalha de Honra da cidade a um grande mecenas das artes, com preocupações de tolerância. E a um grande democrata, um homem corajoso a quem ninguém ousa perguntar onde estava no dia 25 de Abril. Juntar a cultura à liberdade, que melhor forma haveria, então, de celebrar este nosso Porto?”, salientou o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, durante a sua intervenção.
Rui Moreira: “Ficaram de fora os que têm fraca memória ou saudades do marasmo”
Nesta celebração, ficaram de fora os “que têm fraca memória ou que têm saudades do marasmo”, que o autarca referenciou como adeptos do “tempo em que o Porto se submeteu ao caldo provinciano, em que abdicou de ter voz, em que queria ser o melhor aluno ou o mais bem comportado de uma rua que o desprezava”.
Felizmente, um tempo que pertence ao passado, porque o atual – declarou – é “certamente mais desafiante e seguramente mais arriscado”. Porque neste tempo, enfatizou o presidente da Câmara, “o Porto quer fazer o seu caminho, quer valorizar os seus atributos e quer ter uma palavra a dizer. Sem queixumes”. Aliás, “deixem-me dizer, tem feito o seu caminho. O Porto está a fazer o seu caminho!”.
Percurso esse trilhado sem esquecer personalidades ilustres que, amando e conhecendo a cidade em toda a sua profundidade, a definam como ninguém. É o caso de Sophia de Mello Breyner Andresen, Mário Cláudio, Eduardo Lourenço, António Pina ou Miguel Veiga, nomeou o autarca.
Desde 2014, a cerimónia realiza-se a 9 de julho, “dia do aniversário da entrada libertadora do exército de Dom Pedro na invicta cidade que resistiu a todos os cercos”, lembrou Rui Moreira.
Não é por acaso, portanto, que o Porto “não deve temer a gentrificação”. Se foi a cidade portuguesa que “mais se abriu à Europa” e também “a cidade que mais resistiu a submeter-se a ela”, o seu “cosmopolitismo é capaz de competir com qualquer influência e de agregar e comprometer quem cá chega com a nossa identidade, força e firmeza”, aferiu o edil.
Numa cerimónia que classificou de “simples, mas cheia de significado”, o Porto distinguiu “aqueles que lhe merecem o agradecimento coletivo”. O processo reuniu “consenso ético e cívico” de todas as forças políticas da cidade e, por essa razão, “não mereceu parangonas nem fez notícia”, notou o presidente da Câmara. E acrescentou que, em momentos como este, o próprio cidadão entende que “devemos todos ser capazes de pôr de lado as nossas disputas e as nossas querelas”.
“O unanimismo imposto por lei ou por pactos, é o ácido em que se dissolvem as liberdades”
Mas o sal da democracia, assinala Rui Moreira, está nas divergências de opinião. “É essencial que, pese embora o legítimo exercício do poder, que resulta da representação democrática, ele não seja assumido como a ditadura de uma qualquer maioria”.
Até porque “o unanimismo, imposto por lei ou por pactos, é o ácido em que se dissolvem as liberdades”, destacou Rui Moreira, numa cerimónia em que foi coadjuvado pelo presidente da Assembleia Municipal do Porto, Miguel Pereira Leite, na entrega das medalhas, e em que também participaram os vereadores do Executivo municipal.
As 25 personalidades e entidades medalhadas pelo Município do Porto em 2019
Medalha de Honra da Cidade
– Príncipe Amyn Aga Khan
– Alberto de Sousa Martins
Medalha Municipal de Mérito – Grau Ouro
– Albano da Silva Ribeiro
– Antero Joaquim Braga de Sousa
– António Manuel Sampaio Araújo Teixeira
– Arnaldo Baptista Saraiva
– Associação Comunidade de Bangladesh do Porto
– Comunidade do Bangladesh no Porto
– Associação de Karaté
– Comunidade Hindu
– Cristiano Joaquim Marques Trindade Pereira
– Maria de Fátima Machado Henriques Carneiro
– José Fernandes de Lemos (Fernando Lemos)
– Grupo de Xadrez do Porto
– Henrique Luz Rodrigues
– João Luís de Mariz Roseira
– José Carlos Costa Marques
– José Manuel dos Santos Gigante
– José de Magalhães Valle de Figueiredo
– Luís Manuel de Faria Neiva dos Santos
– José Lopes Baptista (Padre)
– Rancho Folclórico do Porto
– Rosa Maria Meireles Gomes Gonçalves (Rosinha)
– Universidade Popular do Porto
– Zulmiro Neves de Carvalho
Texto: Porto. / EeTj
Fotos: Miguel Nogueira (Porto.)
01ago19






