Movido pelas memórias desbotadas do passado, Carlos Cardoso deu dois anos de atenção para o registo fotográfico à desativada e esquecida Via Estreita dos 4 ramais da Linha do Douro e das estações entre Pocinho e Barca d´Alva.
Apesar de se encontrarem em estado solitário e inóspito, não há olhar que não capte a beleza singular na arquitetura tipicamente portuguesa. A natureza apoderou-se destes lugares onde se poderiam ouvir conversas e risos de crianças, os bancos renderam-se à inutilidade, nos painéis de azulejos jazem histórias esquecidas e as bilheteiras sucumbiram o silêncio da morte enquanto o nome de batismo vai perdendo a identidade.
Os populares apelam, esperam e enquanto lutam para que se devolva a dignidade merecida à Via Estreita, Carlos Cardoso evoca o sentimento saudosista, mas pertinente em relação ao futuro, porque o turismo é gente plural que gostará de contemplar lugares nunca vistos no Portugal do Interior.
Esta mostra, oferecida ao Museu do Douro, não é uma exposição temporária no termo lato da palavra. Está patente no Museu de Resende até final do mês de setembro e pretende ser uma exposição itinerante que vai abranger vários municípios.
Texto: Lurdes Pereira
Fotos: Nuno Lobo
01ago19

