O impacto da demografia na Segurança Social e na Saúde, o rejuvenescimento do Movimento Mutualista e a União Mundial das Mutualidades foram temas em foco nas comemorações do Dia Nacional do Mutualismo, em Vila Nova de Gaia.
“Um país que tem uma rede de Associações Mutualistas dinâmica e fazedora é um País melhor, mais humano, com mais esperança”, disse o Secretário de Estado Adjunto e das Comunicações, Alberto Souto, que representou o Governo na sessão de abertura das comemorações do Dia Nacional do Mutualismo (8 de julho), no Auditório da Assembleia Municipal de Gaia.
Sublinhando que “as causas sociais e o país social revêem-se bem no movimento solidário e mutualista”, Alberto Souto prestou o reconhecimento do Governo ao designado terceiro setor, onde se agrupa o “voluntariado social não lucrativo e altruísta”.
Ana Mendes Godinho, Secretária de Estado do Turismo, foi outro membro do executivo de António Costa presente nas comemorações dos 772 anos do Mutualismo em Portugal. Foi distinguida com o Prémio Cidadania e Solidariedade instituído pela UMP e realçou o papel que o turismo desenvolve enquanto instrumento de valorização e coesão territorial do nosso país. “Com uma rede de Mutualidades tão presente em todo o país, temos um instrumento extraordinário para conseguirmos chegar mais aos nossos territórios e conseguir que as pessoas estejam mais mobilizadas e beneficiem daquilo que de bom acontece”, destacou.
Em dia de festa para o Mutualismo, o Presidente do Conselho de Administração da União das Mutualidades Portuguesas realçou o processo em curso de rejuvenescimento do Movimento, assente na integração de jovens e de mulheres nos órgãos associativos; na capacitação das Associações Mutualistas; na visibilidade da sua ação; na sua dimensão e na internacionalização.
“A UMP tem estado na primeira linha, tem sido o verdadeiro motor desse processo contínuo de renovação e afirmação do Mutualismo em Portugal”, disse Luís Alberto Silva, lembrando que o crescimento e a afirmação do Movimento Mutualista, “dependerão muito do que for capaz de construir, sem receio de inovar, de fazer diferente e de ir ao encontro das necessidades das pessoas”.
Defendendo que o Movimento Mutualista “tem que estar preparado para apresentar novas soluções de proteção e apoio social e de complementaridade na saúde” que o envelhecimento da população impulsionará.
Luís Alberto Silva referiu-se, ainda, à revisão da Lei de Bases da Saúde que “não poderá ignorar as organizações do setor social”. “Desprezar este capital de experiência é prejudicar o utente, é desperdiçar recursos instalados, é fazer tábua rasa do que consagra a Lei de Bases da Economia Social aprovada por unanimidade no Parlamento”, completou.
Na intervenção que proferiu na sessão de abertura, abordou, também, a necessidade de se abolirem os constrangimentos à abertura de novas farmácias sociais e à prescrição de Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica.
Num cenário em que milhares de utentes do Serviço Nacional de Saúde não têm médico de família atribuído, o dirigente considera que “faria todo o sentido que o Estado se dispusesse a convencionar com as clínicas do setor social a criação de Unidades de Saúde Familiar Tipo C”.
Em representação da autarquia de Vila Nova de Gaia, território do país onde há mais Associações Mutualistas em atividade, Albino Almeida, Presidente da Assembleia Municipal, sublinhou a matriz do Mutualismo, onde “as pessoas se unem por um ideal comum que é o bem de todos”.
As distinções a Eduardo Vítor Rodrigues, Leonor Beleza, António Vitorino e Ana Mendes Godinho
A comemoração do Dia Nacional do Mutualismo ficou marcada também pelas distinções atribuídas pela União das Mutualidades Portuguesas ao Diretor Geral da Organização Internacional para as Migrações, António Vitorino (representado na cerimónia pelo seu Chefe de Gabinete, Eugenio Ambrosi), e à Secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, que foram agraciados com o Prémio Mutualismo e Solidariedade Internacional. O Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues (representado pelo Presidente da Assembleia Municipal, Albino Almeida) e Leonor Beleza foram distinguidos com o Prémio Cidadania e Solidariedade.
O Prémio Inovar Para Melhorar, que distingue um projeto de uma associação mutualista de cariz inovador e que poderá ser replicado, foi atribuído pelo júri ao projeto “Mutualismo Vai à Escola”, d’A Restauradora de Ramalde.
Fernando Paulino, Presidente da Associação de Socorros Mútuos Setubalense, foi agraciado com o Prémio Mutualismo e Solidariedade 2018.
Os temas em debate
O impacto da demografia na Segurança Social e na Saúde foi o tema em foco na tertúlia, que reuniu Manuel Delgado, ex-Secretário de Estado da Saúde; António Tavares, porta-voz da Secção de Solidariedade e Sociedade e Bem-Estar do Conselho Estratégico Nacional do PSD; Luís Capucha, Professor Universitário; e Amílcar Moreira, Professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
A necessidade de o País se preparar para lidar com o envelhecimento da população e de coordenação política entre os Ministérios da Saúde e da Segurança Social foram ideias defendidas ao longo do debate moderado pelo jornalista do Jornal de Notícias Paulo Ferreira.
Os oradores realçaram também que o envelhecimento da população impulsionará um novo paradigma na proteção e no apoio social e na saúde aos idosos, assente na prestação de cuidados ao domicílio, em vez da sua institucionalização. E nesse novo paradigma – sustentaram – as Mutualidades e as outras entidades da Economia Social podem vir a desempenhar um papel ainda mais relevante.
O futuro do Mutualismo e da Economia Social foi debatido num painel com a participação do jornalista da RTP Daniel Catalão, da dirigente mutualista Jani Silva e de António Gouveia, Presidente do Centro Cultural e Desportivo dos Trabalhadores da Câmara Municipal do Porto, e a moderação de Deolinda Meira, docente e investigadora do Politécnico do Porto.
Texto e fotos: Gabinete de Comunicação e Imagem da União das Mutualidades Portuguesas / EeTj
01ago19



