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PSP em Peniche ameaça e chantageia toda a população de bairro cigano

“À CICDR

O SOS Racismo acaba de receber esta denúncia da atuação da PSP em Peniche…

É de assinalar o desplante da atuação: não só agride uma criança e depois, tendo em conta que essa agressão aparece no Facebook, vai ameaçar um bairro inteiro, que nada tinha a ver com o assunto,  para tirar essa foto. Ameaça e agride ainda mais, várias pessoas. 

Ironia das ironias: agora há mais fotos das outras agressões efetuadas no bairro. 

Esta atuação é mais parecida com um (mau) filme da Máfia do século passado. 

Mas, infelizmente, não é nos EUA nem no séc. passado. 

Ocorreu há dois dias e em Peniche 

 Sem mais

Pelo SOS Racismo

José Falcão”

 

Na passada noite de quarta-feira, dia 7 de agosto de 2019, por volta das 23h45, no bairro de ciganos no acampamento em Peniche, a polícia de intervenção pública da PSP entrou no bairro sem nenhum mandato de busca ou alguma ordem tributária.

Os agentes faziam-se acompanhar por duas carrinhas de patrulha, armamento policial e completamente encapuçados, sem qualquer tipo de identificação, e entraram no bairro abordando várias famílias ciganas, de forma nazista, ofendendo verbalmente os habitantes do bairro dizendo que os ciganos tinham que acabar, porque os ciganos estavam mal habituados.

Agrediram vários homens ciganos em frente a crianças com as idades compreendidas entre os 2 anos e 17 anos de idade, e em frente das mulheres das vítimas. As mulheres destes mesmos homens agredidos, imploravam para que a polícia parasse e para  ter calma e não espancar em os maridos e a polícia ainda respondia mais agressivamente, dizendo: “calem-se senão ainda levam mais”.

Os agentes da polícia de intervenção pública, agrediam com murros, pontapés, e batiam com um cassetete no corpo, deixando ferimentos visíveis nas vítimas.  As famílias ciganas ainda pensaram que se tratava de alguma operação policial

Mas, no entanto, perceberam que não havia nenhum mandato de busca. Exigiam que saíssem, com as armas apontadas a gritar, e agrediam fora de casa…

A polícia também não referiu o porquê da invasão ao acampamento cigano, mas ao longo dos acontecimentos fomos percebendo pois um dos agentes da polícia ameaçou os homens do acampamento dizendo: “Vocês ciganos vão fazer chegar este recado a quem publicou a foto do puto espancado se não alguém aqui vai morrer”.

Ou seja, os agentes ameaçavam os ciganos para que a foto fosse removida da rede social Facebook ou fizessem chegar a mensagem ao indivíduo que publicou, no Facebook, uma foto de uma vítima de agressão pelos mesmos agentes da polícia de intervenção pública na noite anterior.

A foto publicada mostrava o abuso de poder da PSP na noite anterior. E portanto, nada melhor que agredir e ameaçar todo um acampamento por esta denúncia de mais um ato criminoso levado à prática pela PSP.

Agride-se para que não se mostre e se esconda a agressão do dia anterior.

No acampamento cigano, as famílias sentiam se aterrorizadas e o medo tomava conta de toda aquela situação.

Uma das vítimas apresentou ferimentos na boca devido a um bruto pontapé por parte da polícia. A vítima, que foi observada no hospital de Peniche, levou 5 pontos porque ficou com a boca (lábios) rasgados. E foi conduzido ao instituto de medicina legal.

As vítimas foram vistas no hospital de São Telmo em Peniche.

Aguardam uma resposta e imploram justiça e uma justificação por este tremendo ato de racismo e abuso de poder por parte da polícia.

Texto: José Falcão / SOS Racismo

Foto: pesquisa Google – “Jornal das Caldas”

01set19

 

 

 

 

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