Que tal fazermos uma pequena viagem pelo “Cortejo de Trajes de Papel de São Bartolomeu da Foz do Douro”?! Este é o meu primeiro também, sou neste barco marujo de primeira viagem, então fá-lo-ei como tal…
Roberto L. Fernando
(texto e fotos)
Do dia 21 a 31 de Agosto do ano corrente decorreram as Festas de São Bartolomeu da Foz do Douro. Festas estas que vêm acontecendo desde o século XVI e, oficialmente, a partir o século XIX.
Tem como auge O Cortejo de Papel, onde centenas de populares vestem-se a rigor, mas sempre de classe em papel, é feito como forma de agradecer os favores feitos pelo São Bartolomeu e assim nos fazermos livres de certos males.
Inicia na Cantareira, é caracterizado por muitas cores, rufar de tambores, música, jogos, diversão e muitas risadas, o papel desfaz-se como que por magia na Praia do Ourigo, deixando as águas do mar coloridas e trazendo consigo brincadeiras onde os populares atiram os restos que lá ficam a boiar uns contra os outros.
Com a parceria da PSP (Polícia de Segurança Pública), Águas do Porto (para hidratação dos telespectadores e modelos), STCP (Sociedade de Transportes Coletivos do Porto), a festa é feita.
Temos apresentadas várias profissões e ocupações, onde cada um vendia o seu “peixe”, pois havia lá muita sardinha, claro que de papel.
É também homenageada a consagrada, escritora, poetiza e agora centenária Sophia Mello Breyner, que traz à vida várias personagens do seu aclamado conto “O Rapaz de Bronze” (1966).
E as flores do jardim…
Cortejo este que deu até direito a um desfile requintado na nossa passarela. Com peças exímias de estilistas, do Grupo de Jovens Criadores São Bartolomeu. Fazendo peças de roupa coloridas e da moda.
Populares a acompanhar o cortejo das suas janelas e varandas, não só das calçadas e parques.
Chegado ao local do Santo Banho, os nossos “modelos”, põem-se na água para tirar as maleitas, e claro, se refrescar.
Tirados os males até uma Batarrica ganhei.

Como marujo de primeira viagem devo dizer que mal posso esperar pelo próximo cortejo. Foi mesmo uma experiência.
Assim me despeço e até a próxima.
01set19
Obs: Esta é a primeira reportagem do Roberto L. Fernando para o nosso jornal, e logo com um trabalho muito específico quanto às tradições do Porto, e mais concretamente, da Foz do Douro. Sim, porque o Roberto é um jovem moçambicano, de Maputo, e relata, desse modo, um primeiro contacto com uma realidade que lhe era por completo estranha.
Fica esta observação, e, já agora, votos de “força!” neste início de atividade no “Etc e Tal jornal”, que incide mais ao nível da reportagem fotográfica, mas que a escrita não está mal… nada mal!
O Diretor
José Gonçalves



























