Menu Fechar

Economicices (17)

Cristóvão Sá-ttmenta

 

 

CETERIS PARIBUS” (II)

 

 

Em 2010 2 2014 a erupção de vulcões na Islândia semeou o caos no sector da aviação levando ao cancelamento de dezenas de milhares de voos com consequências para todas as economias do hemisfério norte. Efetivamente as cinzas vulcânicas expelidas para a atmosfera afetaram as condições operacionais de várias rotas europeias. Para o negócio da aviação a situação não é desconhecida tendo como causa a ocorrência daqueles fenómenos.

Quem for responsável pelas projeções económico-financeiras do sector terá de introduzir na sua análise a possibilidade de ocorrência ou não de erupções vulcânicas. Daí que nos modelos matemático-estatísticos que constroem tem de existir essa variável.

Com o nível de desenvolvimento da pesquisa científica, também será de introduzir diferenciação face à localização e intensidade da atividade vulcânica. Claramente e depois de fenómenos recorrentes daquela natureza o grau de ignorância nas simulações do negócio da aviação tem de ser reduzido.

O negócio dos seguros a nível mundial reflete também a possibilidade de ocorrência de fenómenos naturais que potenciam a ocorrência de danos elevados em pessoas e bens. Por exemplo, para o território americano, o componente de risco associado aos tufões/ciclones/tornados é mais elevado do que na Europa. Um outro exemplo é o risco de cheias/inundações nas bacias hidrográficas.

Ainda um outro exemplo: os territórios com história geológica associado ao deslocamento das placas tectónicas o risco de danos resultantes de fenómenos sísmicos é elevado. Por isso é perfeitamente natural que nos seus estudos atuariais os técnicos introduzam fatores que influenciam o preço dos seguros pela existência daqueles riscos. Se não o fizerem incorrem num erro associado à expressão que intitula esta peça e de que vos falei na anterior edição.

Há vírus que nos matam. E de que maneira. Vejam só o que um bicho que não conhecemos, intocável, silencioso e traidor tem provocado em todo o Mundo. Danos graves na população mundial. Também tem provocado o caos nas várias economias. A situação é de guerra. Os orçamentos nacionais não estavam preparados para esta situação. Aqui a expressão ceteris paribus tinha toda a lógica para ser utilizada. Porque, para o que era conhecido, não havia qualquer indício que acontecesse uma crise humanitária e económica desta natureza.

A partir de agora, não se compreenderá que os vários responsáveis de projeções macroeconómicas não introduzam nos seus modelos variáveis associadas a este tipo de ocorrência. Os orçamentos para o sector de saúde terão de comportar uma parcela substancial para a cobertura destes riscos. Atualmente, é de acreditar que os planos de negócio tenham um componente de risco associado à imprevisibilidade sobre fenómenos futuros. Cujas causas e consequências o estádio de conhecimento na altura não permite previsões fiáveis e consistentes. Entram assim na equação variáveis muito difíceis de controlar, relacionadas com o componente sociopsicológico dos mentores dos projetos. Assim manda a prudência: esperar para ver.

E qualquer que seja a nossa envolvência, esperar que quem controla os recursos financeiros e o planeamento da sua aplicação tenha a lucidez bastante para eliminar de todo a possibilidade de utilizar expressões associadas ao estado ceteris paribus.

 

Fotos: pesquisa Google

01jun20

 

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.