As obras de requalificação urbana nos eixos viários centrais da cidade de Ovar, que já há vários meses vinham mantendo a cidade sujeita a naturais condicionamentos, com sucessivos reposicionamentos de barreiras, resultantes da evolução dos projetos de requalificação e regeneração urbana em curso, que envolvem os principais arruamentos, como a intervenção no eixo viário constituído pelas Ruas Dr. Manuel Arala e Elias Garcia. Foram também sujeitas ao “confinamento” decretado a Ovar através do “estado de calamidade” e de uma “cerca sanitária”, e após o seu levantamento, voltaram as barreiras para continuação das obras que tinham sido interrompidas pela pandemia Covid-19.
José Lopes
(texto e fotos)
O tipo de planeamento ou a falta dele, como lamentam algumas vozes de comerciantes insatisfeitos, com mais estas restrições e obstáculos à sua atividade comercial. Surgiu numa altura de algum “desconfinamento” após dois meses de portas fechadas, em que o comércio local no geral correspondeu com sentido de responsabilidade aos apelos dramáticos para o “confinamento social”, considerando as particularidades dos riscos da “transmissão comunitária” que foi assumida em Ovar.
Esta imagem de “cerca”, que deixou marcas profundas a vários níveis na comunidade local, incluindo na capacidade de resiliência, particularmente do pequeno comércio. Voltou a fazer-se sentir, ainda que no caso concreto da cidade de Ovar, alvo da retoma das obras, que assim se vê de novo confinado por “cercas” e “barreiras” em várias artérias deste eixo viário das Ruas Dr. Manuel Arala e Elias Garcia.
Para concluir as obras na área da Praça da República e acessos, que implicam por exemplo, dar continuidade à requalificação que tinha sido suspensa a nascente e a poente, com renovação de infraestruturas subterrâneas, alargamento de passeios e áreas com pavimento rustico, através de cubos de granito ao mesmo nível das zonas pedonais. Foi inevitável transformar de novo o centro da cidade num grande estaleiro de obras, para, segundo a comunicação do Município de Ovar, realizar “a intervenção prevista no cruzamento da Praça da República”, na área compreendida entre a Câmara Municipal de Ovar, a Travessa Marquês de Pombal, a Rua Júlio Dinis e a Rua Cândido dos Reis.
Tal intervenção, ainda como esclarece a nota do Município, “representa a conclusão da empreitada e tem um prazo previsível de dois meses, obrigará ao condicionamento do trânsito no centro da Cidade, de forma a permitir a execução dos trabalhos, preconizando o encerramento do cruzamento da Praça da República (…)”, concluindo a informação o “respetivo Planos de Desvios de Trânsito que vigorará durante a execução dos trabalhos, sem prejuízo de alguma alteração que venha a considerar-se necessária, de forma a garantir as melhores condições de circulação”.
Considerando o prazo previsto para esta obra, representa mais dois meses de dificuldades que se somam a igual período de tempo em que Ovar esteve sob a “cerca sanitária” e muitas “barreiras”, cuja imagem, sempre marcante para o comum cidadão, voltaram neste caso, à cidade de Ovar, ainda que sem controlo policial e com uma população já cansada desta imagem de cidade “sitiada”, mesmo em nome de obras fundamentais para devolver as cidades aos cidadãos e para a revitalização do comércio local, que a exemplo do país, está ainda pouco otimista após as medidas excecionais do estado de calamidade.
Sem incentivos significativamente motivadores por parte da Autarquia, para um setor em que o pequeno comércio tem particular peso, e que correspondeu bem cedo aos apelos, “fique em casa”, lançados pelo próprio presidente da Câmara Municipal de Ovar, Salvador Malheiro, que desafiou as empresas e lojas a suspenderem a sua atividade, chegando a tornar público a evolução da listagem das empresas que foram aderindo, para “salvar vidas” e evitar um cenário de contágio da Covid-19, em que o medo inevitavelmente influenciou comportamentos. Os custos suportados com portas fechadas, são certamente bem menos importantes do que o eventual sucesso das medidas de contenção à propagação do vírus, que se podem traduzir nos dados mais recentes (Casos Confirmados – 709, Casos Fechados – 638, Casos Ativos – 71, Recuperados – 598 e Óbitos – 40, segundo dados registados até 19 de maio), e por isso mesmo as dificuldades deste setor económico, não pareciam ser impeditivas para a sua resiliência, nem para a esperança de regressar à atividade com a lenta retoma do comercio, assim lhe fosse dado algum estimulo também local.
Mas eis que o “contributo” proporcionado pelo executivo camarário ao comércio local visivelmente fragilizado pela pandemia, foi de imediato ao fim da “cerca sanitária”, levantar barreiras para continuar as obras de requalificação urbana. Empreitadas que ao longo do seu histórico, vinham deixando pouco rigor no cumprimento dos prazos, o que acabou inevitavelmente agravado pelo decisivo “confinamento social”. Podendo por isso, ser considerado neste momento mais difícil, como o que resultou do fecho de portas, que acabou imposto por medidas excecionais. A adoção por parte da Autarquia, de uma gestão mais flexível no planeamento da conclusão destas obras.
Medidas igualmente preventivas seriam de considerar para ajudar a salvar o que resta do comercio local no centro da cidade de Ovar, considerando até, que já antes do aparecimento do coronavírus no concelho de Ovar, as diferentes fases de intervenção nos vários eixos viários, deram origem a muita insatisfação vinda dos pequenos comerciantes, tal foi o ambiente provocado em épocas de inverno ou de verão, com as inevitáveis consequências dos sucessivos atrasos e mesmo reformulações e correções dos projetos de requalificação, como aconteceu no irregular pavimento em cubos de granito na Avenida do Bom Reitor, mais visível em tempos de chuvas.
Entre os eixos viários que já foram sujeitos a intervenção, tendo como eixo central e o mais nevrálgico ainda em obras, as Ruas Dr. Manuel Arala e Elias Garcia. Constam a Rua Gomes Freire, a Avenida do Bom Reitor e a área alargada frontal à Igreja Matriz. Fases de requalificação urbana, que simultaneamente beneficiaram uma das características área de lazer, atravessada pela Rua Dr. Manuel Arala, como é o caso do Jardim dos Campos ou das “Rosas”. Um cenário fresco e colorido, apresentado como um dos ex-líbris da cidade de Ovar, do qual se inala um agradável perfume das suas rosas carinhosamente tratadas.
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