A Associação Jornada Principal, sediada em Sobrado (Valongo), contesta, em comunicado as afirmações do ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes na 11.ª Comissão do Ambiente, realizada no passado dia 20 de maio, sobre o aterro existente na referida freguesia, e a pouca credibilidade que lhe é dada pelo governante.
Como o “Etc e Tal jornal” tem reportado, há um ano a esta parte, e, tendo publicado, inclusive, na passada edição, uma entrevista com a líder da associação, Marisol Marques, a questão do aterro em Sobrado está longe de ser resolvida, e, tanto assim é, que são cada vez mais as vozes contestatárias que se fazem ouvir, não só da população e da “Jornada Principal”, mas também do presidente da Câmara Municipal de Valongo, José Manuel Ribeiro, e que têm sido insistentes nas últimas semanas. Aliás, refira-se que, ainda recentemente, mais de 700 alunos, escreveram ao ministro do Ambiente demonstrando o seu desagrado por viverem paredes meias com um aterro e “por sofrerem, diariamente, com os odores nauseabundos”.

Relativamente às declarações do ministro do Ambiente, e em comunicado, a Associação Jornada Principal começa por “lamentar a falta de cortesia do Sr. Ministro ao dirigir-se à Associação como sendo uma “Associação criada à ad hoc” com outra conotação que não aquela que corresponde ao real motivo que levou à sua constituição, ou seja, com o intuito de defender e proteger os interesses da população do Município de Valongo, em especial os Sobradenses, que sofrem diariamente com este flagelo ambiental”.
No que concerne às declarações mais diretamente relacionadas com o problema do aterro e a importância da ação desenvolvida pela associação, a “Jornada Principal” enumerou as acusações que faz ao ministro João Pedro Matos Fernandes, nas declarações públicas efetuadas na referida Comissão do Ambiente:
“- Apesar, das várias insistências quer do Município, quer da própria Associação para participar na Comissão de Acompanhamento, a integração da Associação foi, terminantemente, recusada pela Comissão de Coordenação Regional do Norte (CCDR-n).
– São falsas as declarações do Sr. Ministro, referentes ao desinteresse da Associação na consulta do processo de licenciamento do aterro, uma vez que o agendamento, da data para a consulta do processo, coincidiu com a declaração do estado de emergência, o que impossibilitou, até ao presente, a referida consulta”.

“Assim sendo”, e ainda de acordo com o comunicado, “é lamentável que o Sr. Ministro, tendo conhecimento destes factos, utilize este tipo de argumentação para tentar denegrir o trabalho realizado por esta Associação. No entanto, entende-se o porquê deste género de argumentação que visa obstar-se a responder às pertinentes questões colocadas pelos Srs. Deputados, questões essas, verdadeiramente importantes e que validam o real interesse da população, que ele devia representar”.
A “Jornada Principal” salienta ser “importante que o Sr. Ministro volte à Comissão Parlamentar e que de uma forma clara e sem subterfúgios responda às questões colocadas e às verdadeiras preocupações da população”, e desafia João Pedro Matos Fernandes “a visitar Sobrado e a vivenciar, na primeira pessoa, o que os Sobradenses sentem diariamente.
“Ao contrário do que afirma o Sr. Ministro”, lê-se, por último, “a Associação é apenas a voz e o rosto de toda a população do Concelho de Valongo. Nenhum interesse económico se deve sobrepor aos interesses da população!”
AMIANTO NO ATERRO
Nos últimos dias, a “Jornada Principal” deu a conhecer provas de que, no aterro em Sobrado, “são depositados, diariamente, resíduos de amianto misturados com resíduos biodegradáveis”. Provas essas que foram enviadas por email para o ministro João Pedro Matos Fernandes e para o presidente da APA, Nuno Lacasta.
“Se vossas excelências tivessem vindo a Sobrado pessoalmente, estamos certos que os vossos discursos seriam realistas e felizes, mas como preferem estar sentados atrás de uma secretária, sujeitam-se a ler cábulas que expõem o bom novo das instituições que vossas excelências representam.
Partilhamos também uma notificação, elaborada pela CCDR (por uma questão de sigilo, ocultamos a origem e o destinatário da mesma), onde vossas excelências facilmente conseguem identificar o remetente”.
E a terminar: “vossas excelências defendem uma entidade que dia após dia, recebe resíduos contendo amianto misturados com resíduos biodegradáveis, num aterro que apenas tem uma célula única para deposição de resíduos (incumprimento legal)
SOLICITADA AUDIÇÃO AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Entretanto, a associação enviou um email para o Palácio de Belém, solicitando ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa “uma audição com vossa excelência com a finalidade de lhe transmitir os problemas da população de Sobrado (Concelho de Valongo, Distrito do Porto) causadas pelo aterro da empresa Recivalongo”.
De acordo com o referido email, a “Jornada Principal” diz “lamentar o recente posicionamento do ministro do Ambiente e do Presidente da APA que defendem os interesses económicos de uma entidade em detrimento dos interesses de uma população. Em Sobrado respira-se podridão, as nossas crianças estão impedidas de brincar nos espaços exteriores devido aos mosquitos e cheiros nauseabundos. Contrariamente à mensagem que a empresa, e os responsáveis máximos da tutela (Ministro do Ambiente e Presidente da APA) tentam passar, não é só a Associação e o Município de Valongo que estão contra este aterro, toda a população está contra(…)”, conclui.
Texto: JG
Fotos: Jornada Principal
01jun20

