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VITORINO SILVA (TINO DE RANS): “SE VOLTAR A CONCORRER À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, NÃO ANUNCIAREI A MINHA RECANDIDATURA ANTES DE MARCELO!”

Vitorino Silva, mais conhecido por “Tino de Rans”, está de regresso às lides políticas, e, possivelmente à corrida eleitoral para a Presidência da República, escrutínio que se realizará em janeiro do próximo ano. A certeza só se saberá depois de Marcelo Rebelo de Sousa anunciar, oficialmente, a sua recandidatura. Foi, assim, que Tino decidiu, e está decidido!

Mas, a verdade, é que o também dirigente do partido “Reagir, Incluir, Reciclar” (RIR), formado há um ano, e que nas últimas “legislativas” conquistou 35 359 votos (0,67%), não quer deixar, por certo, o seu eleitorado por “mãos alheias”, ou seja, os votos de 152 mil eleitores que nele apostaram nas últimas “Presidenciais”.  A ver vamos o que vai acontecer…

 

José Gonçalves

(texto-entrevista)

 

Para além da questão das “Presidenciais”, que começam a entrar na ordem do dia da política nacional, Vitorino Silva conta-nos interessantes estórias da sua vida no seu mundo da política e do espetáculo televisivo, para o qual foi convidado por diversas vezes.

Portanto, quer se queira, quer não, o facto é que os holofotes e as objetivas, a partir de um célebre Congresso do Partido Socialista, realizado em fevereiro de 1999, na capital do país, encontraram um novo centro de atenções, desta feita alguém oriundo do concelho de Penafiel, mais concretamente da freguesia de Rans, onde nasceu há 49 anos, aquele que acabou por ser o mais famoso calceteiro do país. Que é como quem diz, um senhor que dá pelo nome de Vitorino Francisco da Rocha e Silva.

Depois de um efusivo discurso no Congresso do Partido Socialista, em fevereiro de 1999, e de um mediático abraço a António Guterres, então líder do partido, foi nessa altura que apareceu o Tino de Rans, ficando para trás o Vitorino Silva?! Foi fácil lidar com essa nova situação?

“Tino, o calceteiro. E quando relembro ser calceteiro é porque sou feliz assim. Depois, gosto de Portugal, gosto muito do meu País. Quando fui a esse congresso, em 1999, não fui lá só para falar para as pessoas que se encontravam no Coliseu, ou seja, para mil e quinhentas pessoas. Nesse Coliseu aproveitei os focos, as luzes, para falar para as pessoas que estavam fora. Falei para fora; falei para Portugal e para o mundo. Eu fui lá com uma missão. Os pontos iam bem tirados…”

E tanto iam bem tirados, que, pelos vistos, os pontos, depois de tirados, foram-se somando, levando o Tino de Rans a iniciar uma caminhada mediática que, ao que se sabe, terá incomodado algumas pessoas.

“Comecei a espreguiçar-me! Há gente que precisa espreguiçar-se e há quem não deixe. Até hoje, espreguicei-me sempre sem problemas. Sempre tive espaço à minha volta. Até hoje, consegui respirar sempre sem problemas!”.

O famoso discurso de Tino de Rans, no Congresso do PS, em 1999…

O percurso mediático inicia-se com a participação no programa “Noites Marcianas”, da SIC, apresentado pela Júlia Pinheiro, em 2001, depois de lançar um disco, o “Pão, Pão, Fiambre, Fiambre. Tudo isto acontece com que objetivo?

“Por que é que só pessoas, tipo Pavaroti, ou alguém do género, é que têm direito aos grandes palcos. Por que é que eu também não posso ter esse direito? O povo não serve só para bater palmas. O povo também pode e deve ir para o palco. O povo também merece palmas! Ou, só serve para ser usado no papel de figurante? Ele deve ter sempre o papel principal, e quem pensar o contrário está muito enganado. Eu, simplesmente, aproveitei, como fazendo parte do povo, ir ao palco receber palmas. As palmas que o povo deve receber.

Portanto, fui ao “Noite Marcianas” como fazendo parte do povo. Há gente que não agarra uma oportunidade na vida Andam sempre a chorar, a lamentar-se porque ninguém neles acredita, nem neles repara, etc. Eu tive a sorte de, muito cedo, me aperceber que as oportunidades nunca acabam. O que é difícil é ter tempo para as agarrar. De vez em quando, agarra-se uma ou outra. Tive, então a oportunidade de participar nesse programa, juntamente com os homens que dominavam, na altura, o espaço mediático nacional. Eram comentadores de todas as áreas…

E como é que se sentiu no meio daquelas, digamos que, personalidades?

“Eu tinha a certeza de quem estava ao meu lado se sentia bem. Eu percebi que, aquela gente, de outras áreas, se sentia bem ao estar comigo. Se não se sentissem, e como não faço fretes, não ia estar ali a fazer nada…”

tino de Rans no “Big Brother VIP” da TVI, com Teresa Guilherme

E as coisas, pelos vistos, correram bem, porque poucos anos depois, o Tino de Rans é convidado para o programa “Quinta das Celebridades”, da TVI…

“Foi-me feito o convite e eu aceitei; aceitei a oportunidade porque, como disse, temos que as agarrar. Foi interessante a experiência. Quantas pessoas não gostariam de ter essa oportunidade?”

Depois vem o “Big Brother VIP”…

“Nunca comi tão bem, como naquela casa. Há muita hipocrisia! Gente aí à procura de casa, com problemas de alimentação, e eu fui a um programa convidado, e como convidado a passar dos melhores momentos da minha vida…”

Umas férias, ainda por cima, bem remuneradas?!

“O dinheiro não é tudo!”

O ESTAR ALI, NAQUELE BOLETIM DE VOTO, FOI PARA MIM, UMA GRANDE VITÓRIA! PODERIA ATÉ SÓ TER TIDO UM VOTO, O MEU, QUE SERIA SEMPRE UMA GRANDE VITÓRIA

Depois do espetáculo, o regresso à política, uns bons anos depois do abraço a António Guterres, no Coliseu, com a candidatura às últimas Eleições para a Presidência da República, realizadas em 2016.

“Uma coisa que gosto muito é de pagar impostos. Temos deveres, e devemos cumpri-los. E eu gosto de os cumprir. Mas, não nos podemos esquecer dos direitos, e, a verdade, é que os portugueses, muita das vezes, não sabem valorizar os direitos. E um dos direitos que tenho, como os portugueses, é o de ir a votos. E, aí, aparecer no boletim de voto. Para num foi uma honra, no dia das eleições, olhar para o boletim de voto, e ver a minha fotografia, lá, junto às dos outros…

Era o regresso, oficial, do Vitorino Silva à política ocupando o lugar do Tino de Rans… no boletim de voto, está claro.

Nunca deixei de ser político. Ser político é ter-se opinião. O estar ali, naquele boletim voto, foi uma grande vitória! Poderia, como candidato, até ter tido só um voto, o meu, que seria sempre uma grande vitória”.

Mas, não só teve o seu voto como o de mais 152 mil e tal portugueses…

“Repito: poderia ter tido só o meu voto, que isso, para mim, seria logo uma vitória. Tive sempre a certeza que jamais me enganaria e que ia votar em mim!”

GOSTO MUITOS DOS DOIS MARCELOS!

Que análise faz ao trabalho que está a ser desenvolvido por Marcelo Rebelo de Sousa na Presidência da República?

“Eu gosto muito dos dois Marcelos! O Marcelo, candidato à Presidência da República, e o Marcelo, Presidente da República. Hoje, há um Marcelo totalmente diferente. No período de campanha, o Marcelo aprendeu muito. Amadureceu muito! Depois de uma vida inteira a ler livros e mais livros e passava o tempo a ler livros, e apercebeu-se, na campanha, que há muitas coisas que não vão para os livros, e o Marcelo apercebeu-se disso e aprendeu com isso.”

Debate, com Marcelo Rebelo de Sousa, na TVI. Campanha Eleitoral para as últimas “Presidenciais”

Logo após a vitória nas eleições, e de visita ao Porto, Marcelo Rebelo de Sousa, recebeu de si um par de sapatos, com o objetivo de…

“…de resolver o problema do calçado português, e andar com sapatos portugueses,… com aquilo que é nosso. E, assim percorrer com esse calçado a nossa calçada. Eu sou o homem da calçada, e faço calçadas para o calçado circular, e ofereci-lhe o calçado português para ele não ter medo de calcar a calçada portuguesa. E a verdade é que ele saiu à rua. O Gabinete de um Presidente da República tem de ser a rua.

SOU UM HOMEM DE ESQUERDA ÀS DIREITAS!

E, enquanto o Presidente da República calçava o calçado pelo Tino oferecido e outros pares de sapatos, por certo, portugueses, o Vitorino Silva formava o RIR – Reagir, Incluir, Reciclar, partido que nas últimas Eleições Legislativas conseguiu 35 359 votos, conquistando 0,67 por cento do eleitorado, ficando à frente de nove organizações partidárias, e a algumas décimas de, aqui no distrito do Porto, ser eleito deputado para a Assembleia da República. Foi fácil constituir o RIR?

“Rir é difícil! Eu vejo muita gente triste nas ruas. É mais fácil chorar que rir. E RIR é política a sério. Nunca brinquei com coisas sérias, e a política é uma coisa muito séria! Se não se levar a política a sério, depois quem é que sofre? É o povo! Tudo o que eu digo é com lógica. Se alguém pensa que, até hoje, fiz alguma coisa sem pensar, está redondamente enganado. Nunca vou sair das mãos do povo, nem nunca me vou virar contra o povo. Não fui deputado porque o povo não quis. Se o povo quisesse votar em mim e eu não estivesse lá para em mim poderem votar, era como virar as costas ao povo. Mas eu estive!

Todos os votos que tive até hoje, tenho a certeza que nenhum deles foi de protesto. Os meus votos são arrancados a ferros, porque quem vota em mim nada lhes devo. As pessoas que tiveram a coragem de votar em mim, foram pessoas livres. Se estivessem hipotecadas não votavam em mim. O Tino não tem favores a pagar. Se alguém dever algo a algum político, primeiro pague as dívidas e depois vote em mim”.

Se o Vitorino Silva chegasse ao Parlamento sentava-se à esquerda, ao centro ou à direita, na Assembleia da República?

“Fazia 360 graus… como Sol. O Sol quando nasce é para todos!”.

É um homem de esquerda?

“Sou um homem de esquerda às direitas. Há muita gente de esquerda que não é às direitas”.

Foto: jornal “Paivense”

O RIR vai apresentar-se às eleições Autárquicas que se realizarão também no próximo ano?

“Há 25 partidos em Portugal, e o RIR é um deles, e, portanto, deve ser respeitado como tal. Deviam ser tratados todos por igual. São os partidos que fazem as leis, e as leis não podem ser feitas só pelos partidos. Quanto às «Autárquicas», o RIR foi criado para ir a votos. A democracia é de graça, não se paga, e mesmo de borla por que é que ainda há gente que não vota? Não é por culpa do meu pequenino partido, que ainda está na nascente. O RIR ainda está no alto da serra, mas o RIR não tira os olhos do mar.

QUEM SOU EU PARA ANUNCIAR A MINHA RECANDIDATURA PRIMEIRO QUE A DO MARCELO?

O Vitorino Silva vai recandidatar-se à Presidência da República?

“Se o Marcelo ainda não anunciou a candidatura dele, algum dia iria anunciar a minha candidatura à frente da do Marcelo? Quem sou eu para anunciar a recandidatura primeiro que o Marcelo? Se voltar a ser candidato à Presidência da República, de uma coisa tenho a certeza: não anuncio a minha recandidatura antes do Marcelo. Isto é ponto assente”.

Qual a sua reação face às candidaturas já anunciadas de André Ventura e de Gonçalo da Câmara Pereira?

“Há muita gente que é pré-candidato, depois… pode vir a não ser candidato, já que tem de preencher certos requisitos, ou seja, tem de ter o alvará. Para já, ainda há muitos candidatos a candidatos. Se decidir recandidatar-me não vou dar caixilhos aos jornais, o que posso dizer e repito, é que se for candidato não o serei antes do Marcelo”.

É uma questão de respeito?

“É uma questão de estratégia. O Marcelo também tem uma estratégia”.

Mas, se, eventualmente, essa recandidatura for uma realidade…

“Eu não sei se vou ser candidato”.

Se, “eventualmente” – frisei e volto a frisar -, for candidato quais serão os objetivos do Vitorino Silva para essas eleições?

“A única coisa que posso dizer, é que não anunciarei a minha candidatura antes do Marcelo!”

Voltamos aos nomes de candidatos que já se colocaram na linha de partida, como são os casos de André Ventura e de Gonçalo da Câmara Pereira, aparecendo agora o nome de Ana Gomes, que poderá reunir muitos apoios à esquerda do PS. Diz-lhe alguma coisa Ana Gomes?

“Há uma coisa que respeito há muito: são todos, mas todos, os portugueses! E como tal sei respeitar os adversários…

E aquando das eleições, os outros candidatos também o respeitaram?

“À minha frente nunca ninguém me tratou mal. As minhas costas são, contudo, muito largas. Nunca senti medo. Nunca me senti inferior. Nunca me senti, nem a mais, nem a menos que os outros. Os outros têm milhões; têm assessores… eu tenho autoestima!”

UMA PESSOA PARA COLHER TEM DE SEMEAR NO TEMPO CERTO!

Foto: Tino em Rans, aquando da primeira entrevista concedida ao nosso jornal Pedro N. Silva (Arquivo EeTj)

Mas, o Vitorino, ou Tino, com certeza que não gostará de deixar 152 mil portugueses – os tais que votaram em si nas últimas Presidenciais – à espera da sua decisão quanto a uma recandidatura, ou vai deixar esse eleitorado cair em mãos alheias?

“Há uma coisa que tenho a certeza: o Marcelo não se vai gabar de dizer que anunciou a candidatura depois do Tino. Quando for candidato…”

… anuncio a candidatura depois do Marcelo, já o disse por diversas vezes. Está registado e mais que registado! Agora o que gostava de saber é se vai deixar por mãos alheias 152 mil votos?

“Gosto muito de democracia. Não é perfeita, mas é o sistema que mais perto está da perfeição. Uma pessoa para colher tem de semear no tempo certo! Quem sabe qual é o tempo certo, é quem tem a semente na mão. E eu tenho a semente na mão. E não vou largar aqui a semente. Em 49 anos de vida nunca estive sozinho. O tempo sempre foi meu aliado. O tempo é humilde, nunca ficou para trás, nem ficou para a frente. O tempo nunca se pôs à frente de ninguém”.

EU TENHO MEDO DE QUEM TEM MEDO!

Foto: Arquivo EeTj – Pedro N. Silva

Por falar em «tempos». Nos tempos que correm de pandemia, as pessoas parecem estar assutadas com medo. Constata isso?

“Eu tenho medo de quem tem medo! Quem tem medo está desequilibrado. Temos que respeitar o equilíbrio, mas há muita gente que o desbarata. Depois, o medo é um produto. Quando formos a ver quem ganhou com o maior produto da pandemia que é o medo, as pessoas irão ficar tristes porque irão perceber que, às tantas, quem tirou proveito disto tudo foram os políticos do mundo”.

Estamos a falar de um vírus…

“Quando digo que eu não tive medo de nascer, algum diria que iria ter medo de morrer? Não. Daqui a uns anos as pessoas vão-se rir disto tudo. Quem controla o mundo são os políticos. Fico triste quando vejo, há cerca de cem dias, pessoas que nunca vi em lado nenhum, e, agora, todos os dias a entrar-me pela casa dentro, Deviam ter vergonha. Já deviam estar em casa há muito tempo. Passaram todo este tempo, ali, a fazer conferências de imprensa, agora, deveriam saber sair. O mundo não pode viver de propaganda, de chico-espertos! E há muita gente a aproveitar-se de um vírus, criado pela natureza, ou não, e a História ira julgá-los! Será a História, não serei eu.”

O Timo usa máscara?

“Uso.”

Usa agora ou sempre usou?

“Toda a gente usa máscara. Há muita gente mascarada, e que já estava mascarada antes do vírus aparecer. E muita dessa gente são os políticos… são os que mais se mascaram.”

TENHO RECEIO QUE A COMUNICAÇÃO SOCIAL E OS POLÍTICOS SE MISTUREM

Como é que o Tino avalia a atuação do primeiro-ministro António Costa, não só, mas também, nesta questão de luta contra a covid-19?

“Não gosto de propagandistas. O mundo não pode ser levado por propagandistas e, neste momento, isso é vergonhoso. Aproveitarem- se de algo que, exista ou não exista, não é brincadeira. A vida não é só focos. Tenho muito respeito pela Saúde. Gosto de a ter.

O que está a acontecer, é que a comunicação social conseguiu hipnotizar as pessoas. Não tenho ninguém próximo que tenha contraído o vírus. Em duzentos e tal países, vamos em 21.º em relação ao número de pessoas infetadas. O que é isso? Temos é bons propagandistas. Em Portugal temos os políticos que melhor percebem de comunicação no mundo…”

Mais uma vez contra a comunicação social, já para não falar nos políticos…

“Tenho receio que ambos se misturem! Era mau haver mistura de águas”.

Há estabilidade em Portugal?

“Vivemos num cantinho tranquilo. Vivemos como no céu, embora o Céu não exista!”

HÁ MUITA GENTE COM DIPLOMAS E COM MUITOS CURRÍCULOS, MAS QUE NÃO DEIXARAM OBRA!

Para além da política e dos espetáculos televisivos, o Tino de Rans tem um livro, recentemente editado, intitulado «A… Corda P’rá Vida”… e que foi muito bem recebido pela comunidade portuguesa em Newark, que, aliás, o convidaram a lá passar uns dias. Foi uma experiência diferente…

“Amei! Cheguei lá e não tive de falar inglês. Foi em 2019. Chegar à América, depois de sete horas de viagem, e falar a nossa Língua, foi fantástico! Eu acho que nunca fui à América (risos)! Tive lá, mas é como se não tivesse por lá passado! Só percebi a força da marca «Portugal» quando estive dez dias em Nova Iorque e em Newark. Fui lá que percebi, que os políticos e os banqueiros, é que não deixam que Portugal seja um dos países mais ricos do mundo. Aquela gente, em Newark, nada lhes falta. Amam Portugal como poucos. Quando lá estive, assim como em Nova Iorque, foi de arrepiar, dado o respeito que eles têm pela sua nação. Ser português é… arrepiar! E nem todos os portugueses arrepiam da mesma forma. Lá, em Newark senti-me importante, só me apercebi do que é Portugal, quando atravessei essa estrada, tão larga, como é a do Atlântico.”

E o livro…

“Este livro é uma homenagem ao meu pai fazia cordas. Era a profissão do meu pai. Não sei se se recorda de, há uns anos, do mundo ter como que parado, por causa de um grupo de jovens, na Tailândia, que ficou retidos numa gruta quando ia atrás de uma bola. Foram para lá cientistas dos quatro cantos do mundo ver se resgatavam os jovens da gruta. Depois de algum tempo, descobriu-se a forma de os tirar lá de dentro, e eles todos vinham guiados por uma corda. Quando vi essas imagens, eu chorei, porque me lembrei do meu pai e das cordas que ele fazia…

E também porque a minha mãe, antes de falecer, recebeu um filho de cada vez, e quando chegou a minha vez, pegou-me nesta mão, e disse: és um rapaz inteligente! Foi a minha mãe que o disse. Eu acho que não sou inteligente, mas, enfim! E mais, disse ela: rapaz… acorda para vida!

Há dois Tinos, o Tino que viveu com a mãe, e o de depois da mãe morrer. A minha era sábia. Tinha um amigo, que era o Toneto,

Quando eu tinha dez ou onze anos, íamos aos ninhos. E ele acha os ninhos todos. Ficávamos admirados. Mas o Toneto sabia que os passarinhos só ia aos ninhos de manhã. A natureza é a melhor professora. As pessoas vão para a Universidade e só pensam em diplomas. Há muita gente que morre, os diplomas ficaram pendurados na parede, mas nunca deixaram obra. Há muita gente que tem diplomas, excelentes currículos, e nunca deixaram obra!

Eu tenho obra! E não tenho medo de errar, de experimentar, de decidir. Há gente sempre à espera das nossas decisões…”

E nesse leque de pessoas estarão, por certo, os 152 mil que votaram no Vitorino Silva nas últimas eleições para a Presidência da República?!

“Há uma coisa que tenho a certeza: se for candidato, não anunciarei a minha recandidatura antes de Marcelo! Por respeito pela democracia. Isto é ponto assente. Quanto ao RIR, o RIR é para ir a votos. O RIR é um rio pequenino, que ainda está no alto da serra, mas que não tira os olhos do mar, e o mar é Portugal…”

..

E é assim. As “Presidenciais” começam a ganhar espaço nas “agendas do dia”, com alguns candidatos já preparados para a corrida, como André Ventura, do Chega!. Vitorino Silva não está, pelos vistos, muito preocupado com a concorrência, a não ser pelo respeito “democrático” em relação ao atual Presidente da República e à sua, mais que certa, recandidatura. E tudo isto numa animada e interesante conversa com o “Tino do Povo”, no Restaurante “Rio de Janeiro”, ali bem perto do Carvalhido, no Porto.

 

Fotos: Diogo Silva e pesquisa Google

01jun20

 

 

 (Permuta)

 

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