António D. Lima / Tribuna Livre
Tenho uma amiga que não vai muito à bola dos dias “de”, “da” e “do”. Eu até a compreendo. É que eu também não sou um fã destes dias internacionais. Dias internacionais são todos os dias, quando se pratica uma ação para um bem comum, para um bem mundial, em que todos os habitantes deste pequeno planeta chamado terra, não sejam estropiados da sua condição humana.
Dia mundial das florestas, que proteção? Ver arder hectares e hectares de florestas por todo o mundo. Assistir à desflorestação por interesses económicos. Assistir ao dizimar da renovação do oxigénio e à nossa morte lenta.
Claro que o dia Internacional dos bombeiros é uma consequência do dia internacional das florestas. Se estas ardem, há também bombeiros que ardem, morrendo ao apagar os fogos, daí, a necessidade destes abnegados heróis terem também o seu dia; isto é… se no inquérito (sim, porque nestas coisas de mortes há sempre inquéritos) não for provado que morreu porque quis. No ano de 2013, foram oito (8) os bombeiros que morreram. Ainda não sei as estatísticas (nem quero saber) de quantos morreram só porque quiseram morrer. Ou então, morreram como forma de protesto por falta de meios para combater os fogos. Se calhar até tiveram razão! Mas com os diabos… morrerem por aquilo que não são responsáveis? Considero isso masoquismo. Pegavam nos doutores ou nos governantes que fazem ou mandam fazer as leis e, nos que desviam os dinheiros que devia de ser investido no combate aos incêndios, pimba e pumba, envia-los para o meio dos fogos.
Temos também o dia mundial contra a fome. Neste dia os esfomeados são mais do que muitos e em casos bem distintos. África, são milhões de esfomeados, não têm de comer, mas tem riqueza suficiente para comprar a comida e os bens essenciais. Mas o que é isso de comprar comida? A riqueza vai para os grandes senhores. Compram mulheres, compram armas, compram aviões, compram barcos e outras coisas mais. Comida não, isso não, que morram uns quantos milhões que não se sente a falta deles. Casos e pensamentos distintos, claro.
Dia mundial para a Paz, lindo o símbolo, até tem uma pombinha! Talvez porque cresceu, seja já pomba, branca, tem no bico um ramo de Oliveira (não é aquele da Olivedesportos, este não se mete em guerras, os outros que as façam se quiserem. Ele só quer os tostões, foi para isso que ele investiu, não sei de onde veio o dinheiro, mas também não interessa muito para este meu desabafo).
Acho curioso que seja o ramo de Oliveira o símbolo da paz, por isso é que dou comigo muitas vezes a pensar: – Então foi por isso que houve o processo “Portucale”! Acho muito bem, além de cortarem sobreiros também cortaram as oliveiras, deixou de haver paz, aliás, retifico, já não havia paz; nem Portugal, nem nos países do Norte de África, nem nos países do Sul da Europa.
A América não tem culpa que estes africanos, só porque têm muito petróleo, julgam-se superiores a tudo e a todos e vai daí começou (os americanos) a fazer guerra a estes senhores do ouro negro. Foi a casa deles deu-lhes umas palmadas nos donos destes países e, ainda por lá se mantêm para ter a certeza que, não voltam a prevaricar.
Agora, aquela malta do Sul da Europa, andam de candeia às avessas. Lá estão os americanos (tudo bons rapazes desde a sua nascença. Filhos de ladrões assassinos, prostitutas, proxenetas, etc., todos vindos do país dos Kings e das Queenes e como eram justiceiros vai daí resolveram exterminar, ou quase, os gajos conhecidos por peles vermelhas, gente que andavam de tanga que não tinham garfos nem colheres e não gostavam dos caras pálidas e como amor se paga com amor, os poucos peles vermelhas que sobreviveram, foram acantonados num pequeno espaço e bico calado) de novo a defender os mais “fracos”. Deram umas massas a uns miúdos da Ucrânia que usam como símbolo uma cruz com as pontas tortas, para andarem a gritar por justiça, liberdade e paz.
Os Russos, que nestas coisas também são justiceiros e se acham mais fortes (pelo menos dizem que a Vodka é mais forte do que o Whisky) não estão pelos ajustes, acham que os Américas portam-se mal, razão suficiente para mostrar aos Américas que não têm medo.
E nós portugueses, país tão pequeno e tão subserviente, somos os responsáveis por tudo isto; só porque cortamos as oliveiras e estamos a exterminar as pombas, brancas pretas, mulatas, pigassas, azuis. Azuis são dragões e por lá também não há paz. Deixou de haver símbolo de paz, por isso, mandamos ou estamos quase a mandar o dia mundial para a paz às ortigas, assim como muitos outros dias mundiais e Internacionais, já falta pouco.
Dia mundial do cancro estamos comemorar o quê? Quem sofre e não tem apoios? O fecho de IPOS? O ter que andar a pedir ao povo que contribua para uma pequena esperança de vida quando competia aos governos a total responsabilidade de dar a estes uma pequena esperança de vida?
Dia mundial do consumidor porquê? Para pagar mais caro o que se consome? Para ajudar os donos das grandes superfícies a explorar os trabalhadores, os produtores, etc. Ajudar cada vez mais os Amorins, os Belmiros e outros afins cada vez mais a serem mais ricos? Bááá… não brinquem comigo.
O Dia mundial da criança. O dia mundial da criança não é todos os dias? Não é todos os dias que temos que defender as crianças de todo o mundo que sofrem com a fome, com os pedófilos, com os maus tratos, com a escravatura e o que mais não digo?
Pouco falta para o dia mundial da saúde, 07 de Abril. Dos conhecimentos que tenho como vai a saúde no meu Portugal é pouco ou então é muito, isto tem a ver pelo lado em que olho para os problemas de saúde cá do meu burgo. Pelo lado do capitalismo vai tudo muito bem. Cada vez há mais hospitais privados mais receitas mais lucros.
O Serviço Nacional de Saúde um bem adquirido, mas pelo andar da carruagem… não vai faltar muito que este Zé povinho que tantos anos descontou para a Segurança Social deixe de ter acesso aos serviços de saúde do estado e passe a ter que ir tratar de uma qualquer maleita a um hospital privado pagando couro, cabelo. E se não tiver dinheiro? Ora… se não tiver dinheiro que morra! Para isso é que cada vez há mais “Queimatórios”. Não, não é erro ortográfico, é mesmo o que eu queria dizer.
Depois de sermos queimados as nossas cinzas passa por uma tina cheia de tório (elemento químico, radioactivo) que dá um brilho prateado. Depois de ser lançado aos ventos as cinzas navegam ao sabor dos ventos e apanhando uma força de ventos ascendentes, subimos, subimos, brilhantes como estrelas. Lá em cima é como cá em baixo, é uma guerra danada para ver com quem fica com as estrelas mais brilhantes. Lá no alto bem acima da estratosfera no lugar a onde existe a guerra entre o Deus e o Diabo, digladiam-se para ver quem fica com as cinzas mais brilhantes. Nesta altura já somos estrelas dado que as pressões que sofremos já são muitas.
Cá em baixo, na terra, passa-se o mesmo entre o governo e o povo. A luta por estes lados, não é com as cinzas brilhantes que depois se transformam em estrelas, é sim com as mentes brilhantes que o governo tanto luta para as ter ao seu lado. Para o efeito pretendido, o governo, inventou umas universidades que nem é necessário passarem por lá. Desde que se matricule, é mente garantida.
Ainda há os casos que os pretendentes a mentes brilhantes, desde que apresente um atestado de pobreza, nem precisam de ir à universidade, é logo atribuído um diploma que lhe facilita desde logo o acesso a qualquer área de governação.
O povo contesta e muito bem. Coloco entre parêntesis o lado que apoio (estou do lado do povo, pois claro). Mal acabei de fazer a 4ª classe fui “trabuquir” e só depois de me reformar, já cota, é que fui estudar e fazer o 12º ano. E mesmo assim, em vez de arranjar um tacho no governo; o governo é que me tachou a mim. Fico tão contente por ter um governo de abutres e que me tacham desta maneira que até vou propor na próxima reunião da ONU que seja comemorado o Dia Mundial dos Governos Ladrões de Portugal.
Agora que já desabafei a minha alergia aos dias instituídos e que somente servem todas essas associações para se reunirem para grandes jantaradas. Falarei agora um pouco, estas sim, mereceram que fosse instituído o seu dia.
Dia Mundial das Mulheres.
Todos sabemos que há mulheres boas, assim-assim e, mulheres más. A história mundial passada e presente é fértil em casos em que houve e ainda há mulheres boas. Mas também há as más por exemplo; a ministra das Finanças e da Justiça, Agricultura e muitas outras.
Posso aqui dar variadíssimos exemplos de mulheres que no passado e no presente foram e são boas, no saber como desmiolar os homens, superando-os na resistência à dor.
Não me vou alongar muito. Quem se interessa pela história das mulheres e pelos dias internacionais conhece bem o que foram, o que fizeram, o que fazem nos dias de hoje e o que farão no futuro.
Assim, dizem os cardápios das literaturas, uma delas, o “Wikipédia”. “A ideia da existência do dia Internacional da Mulher, surge na virada do século XX, no contexto da Segunda Revolução Industrial e da Primeira Guerra Mundial, quando ocorre a incorporação da mão-de-obra feminina, em massa, na indústria. As condições de trabalho, frequentemente insalubres e perigosas, eram motivo de frequentes protestos por parte dos trabalhadores. Muitas manifestações ocorreram nos anos seguintes, em várias partes do mundo, destacando-se Nova Iorque, Berlim, Viena (1911) e São Petersburgo (1913).
O primeiro Dia Internacional da Mulher foi celebrado em 28 de Fevereiro de 1909 nos Estados Unidos, por iniciativa do Partido Socialista da América , em memória do protesto contra as más condições de trabalho das operárias da indústria do vestuário de Nova York. Em 1910, ocorreu a primeira conferência internacional de mulheres, em Copenhaga, dirigida pela Internacional Socialista, quando foi aprovada proposta da socialista alemã Clara Zetkin, de instituição de um dia internacional da Mulher, embora nenhuma data tivesse sido especificada. Todo este processo foi moroso por variadas circunstâncias, com avanços e retrocessos, até que no Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado durante as décadas de 1910 e 1920. Posteriormente, a data caiu no esquecimento e só foi recuperada pelo movimento feminista, já na década de 1960, sendo, finalmente adotado, pelas Nações Unidas, em 1977.”
Cá no nosso burgo também tivemos as nossas mulheres que merecem todas as honras possíveis e imaginárias, são mulheres dos tempos idos. Mas também dos finais do século XX e no agora século XXI. Como o que leio sobre algumas das nossas mulheres do antigamente, narradas na nossa história de Portugal e como estas coisas das Historias tem sempre o se quê de duvidas e, como em cada conto aumenta-se um ponto, tenho algumas duvidas que a rainha Santa Isabel transforma-se pão em rosas. Ora a ser verdade, a rainha nos dias de hoje, dava-nos um jeito do “caraças” estávamos a rir a bandeiras despregadas, dos governantes e do Passos Coelho. Não tinha-mos dinheiro para comprar pão! Não fazia mal, em tudo que fosse terra (depois das queimadas do ano anterior hoje temos muita terra a querer ser reflorestada e enquanto não o fosse) plantávamos rosas. Depois podíamos colhe-las querer fossem ainda botões, quer fossem rosas já crescidas com pétalas lindíssima e cheirosas.

Enchíamos um camião da TIR com rosas e, quando se chega-se a Coimbra, chama-se a Isabel (não a filha do Eduardo dos Santos, essa tem dinheiro a rodos e todo ele gamado aos desgraçados que ainda passam mais fome do que nós), a rainha santa, e, com o jeito dela em transformar rosas em pão tínhamos, carcaças, moletes ( língua original e oriunda daqui do nosso Norte) ou papos secos (mas que raio de nome) com muitíssima fartura, e matava-se a fome a todo um povo sofredor deixando os palhaços aos saltos por tanto desespero, por saber que afinal o povo não passava fome. Por falar em pão não devemos esquecer a padeira de Aljubarrota. Seu nome de batismo, Brites de Almeida, teria nascido em Faro, em 1350, de pais pobres e de condição humilde, donos de uma pequena taberna.
A lenda conta que desde pequena, Brites se revelou uma mulher corpulenta, ossuda e feia, de nariz adunco, boca muito rasgada e cabelos crespos. Estaria então talhada para ser uma mulher destemida, valente e, de certo modo, desordeira. Abreviando a história da valentia desta mulher tão portuguesa, foi muito mais valente do que todas as mulheres estranjas, inclusive a de Joana D’Arc. A nossa portuguesa, sozinha em casa, tinha como arma uma pá de tirar o pão do forno. Apercebendo-se que alguém entrava em sua casa de forma desabrida e, sem ter pedido autorização, pegou na pá e aviou sete (7) guerreiros espanhóis.
Só mais tarde é que percebeu que os coitados andavam à procura de uma sanita, chegaram todos borrados, já tinham levado um enxerto de porrada dos nossos guerreiros lá para os lados de Aljubarrota, como se borraram procuravam um WC para se limparem. A partir deste momento nunca mais ninguém se meteu com ela.

Na era moderna também tivemos e temos mulheres de muito valor. Tanto na escrita, uma forma de luta tão poderosa, como a luta clandestina, casa a casa, campo a campo, fábrica a fábrica. Os meios justificavam os fins. Tudo era válido na luta contra esse monstro, chamado Fascismo.
Num passado não muito distante, tivemos mulheres lutadoras e que utilizavam como armas, caneta e papel. Maria Luísa Vilão Palma, Natália Correia, Maria Teresa Horta, Maria Lamas e a sempre encantadora, Sophia de Mello Breyner Andresen. Isabel do Carmo, etc., etc.
Na luta de ação clandestina, foram tantas e tantas. Margarida Tengarrinha, Salgadinha, Joaquina Farinha Relvas, Maria Manuela Costa Almeida, Cândida Ventura, Catarina Eufémia e tantas outras. O melhor é ficar por aqui senão corro o risco de não acabar esta crónica a tempo e horas.
Não quero terminar sem falar de duas mulheres. Uma marcou a minha luta política que teve início na guerra do ultramar. A outra, com quem convivo mais de perto, teve início nas minhas andanças poéticas e que, igualmente, me está a marcar profundamente pela sua verticalidade, sentido de justiça e honestidade.
Virgínia Moura a mulher lutadora e que talvez a que mais humilhações sofreu pelos esbirros da PIDE.
Iniciou a sua luta ainda estudante e bem nova. Esta sua luta durou até à sua morte que ocorreu em 1988, século XX.
Várias vezes presa e condenada. Sofreu sevícias e torturas, estas praticadas pelos monstros da PIDE que foram desde queimar-lhe os seios com as pontas dos cigarros acesos, até à introdução de lâmpadas acesas na vagina.

Falei com esta grande senhora várias vezes e, por várias vezes me levantou a moral fazendo-me sentir o quanto era difícil esta amarga luta. Eu só tinha que olhar para o seu exemplo. Se havia alguém que podia dar lições de como resistir era ela. Quantas vezes ela foi a conferências e outras atividades, chamadas subversivas sabendo que a polícia política estava lá à espera dos participantes para os desancar â pancada, mesmo assim, não desistia, estava sempre presente. Mulheres desta estirpe marcam uma geração.
Neste século são já muitas as mulheres que marcam este novo ciclo de luta pela democracia. Entre as muitas e muitas, faço algumas referências. Ilda Figueiredo, Ana Pais, Manuela Galhofo, Zélia Boavida, Ester Cid, entre muitas e muitas outras.

Na luta da palavra, na demonstração da sua revolta contra os rufias que tomaram o poder por decretos, que apoiam os ladrões os corruptos, etc.,etc. e, sem desprimor para muitas outras que lutam de forma igual, destaco: Maria de Lourdes dos Anjos, não por ser minha amiga, mas porque com ela tenho aprendido como manusear a arma da palavra, “caneta”. As munições, “letras”. O carregador “papel”. Tenho-me aperfeiçoado no tiro ao alvo com ela, ensina-me como acertar mesmo no centro da Revolta. Exemplo, Coragem, Dignidade.
Por tudo isto é que intitulei este trabalho. “O mais difícil é escolher a Mulher”, porque muitas outras há que não mencionei, mas são mulheres de primeira linha na luta contra este estado em que se encontra o nosso Portugal.
Fotos: António D. Lima e Pesquisa Google
01-abr-14
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QUE POSSO DIZER? Ó meu amigo eu não mereço estar ao lado de MULHERES tão corajosas e tão lutadoras pelos seus ideais.MUITO OBRIGADA, meu amigo.Como frequentamos muitas tertúlias sei que vai observando as minhas pequenas guerras mas estou muito longe dessas heroínas que fazem parte da história do nosso país.Eu apenas gosto da verdade, da solidariedade, da humildade e com este trio, construo a LIBERDADE EM QUE ACREDITO.
Como mulher, agradeço-lhe as palavras elogiosas às Mulheres de Coragem deste País. Não do desnorteado País em que nos encontramos, mas no País em que já vivemos. Recordo-me, porque sou do Porto, embora, hoje, a residir em Beja, da Virgínia Moura. Foi o senhor, através deste independente jornal, que não se esqueceu do seu nome. No resto da Comunicação Social, que leio com atenção, nem uma palavra a essa Grande Senhora.
Parabéns senhor Lima, grande colunista desta jornal, que é liderado, por certo, e tendo em conta os dias que correm, por um diretor com uma coragem do caraças!