São 4,5 hectares de terreno, na portuenses freguesia de Campanhã, bem perto do Estádio do Dragão, ou da conhecida Praça Dr. Francisco Sá Carneiro (antiga Velasquez), e tem acessos pela Travessa da Antas e pela Rua de S. Roque da Lameira.
Estamos a falar do bonito, arborizado e romântico Parque de São Roque, ou Quinta da Lameira, nome pelo qual este espaço foi outrora conhecido, e que pode – deve! – fazer parte do seu percurso de férias ou de fim-de-semana, e onde pode passar uma manhã, ou tarde – quiçá o dia inteiro – num sossego absoluto, entre eucaliptos, sobreiros, jacarandás e camélias, e outros pontos de referência, como a famosa Casa de S. Roque, um palacete, do qual contamos mais abaixo a história, e que é de imprescindível visita.
José Gonçalves Mariana Malheiro
(texto) (fotos)
E foi num dia soalheiro de Santo António – uma sote abençoada, depois de uma manhã esquisita e um dia anterior de chuva e frio – que nos deslocamos ao parque, entrando no mesmo, pelo lado cimeiro, ou seja da Travessa das Antas.
Entramos assim, num espaço, adquirido pela Câmara Municipal do Porto, em 1979 à família Calem, e que foi aberto como jardim ao público fez-se a 20 de julho de 1979.
Para quem vos escreve, este foi um regresso ao passado, pois quando jovem muitas vezes se deslocou ao Parque de S. Roque, com amigos, para umas corridas e uns pontapés na bola. Bem, adiante…
Destaque, para já, neste que é um importante pulmão da zona oriental da cidade do Porto, para alguns elementos que o fazem especial, a começar, logo quando se entra e se leva com a frescura e um cheiro indiscritível a eucaliptos, para a capela que lá se encontra e que já esteve no portuense Largo doActor Dias.
Iniciamos o percurso, como referi, pela parte superior do parque rumo à saída, que também serve de entrada, contígua à Rua de São Roque da Lameira.
E a verdade, é que não estávamos sozinhos!
Mais pessoas – com um número considerável de crianças e jovens – decidiram desconfinanrem-se no Parque de S. Roque e, assim, tirarem proveito, e sem máscara, de tudo o que a Natureza no local pode oferecer e do solzinho que começava a aquecer a tarde do dia de Santo António.
Mas, quem se desloca ao Parque de São Roque, não tem só a natureza por companhia, por isso tratar-se de um espaço considerado “romântico” já que há estruturas que o identificam como tal, tais como os seus específicos e belos recantos, um chafariz em ferro forjado, um lago, um miradouro circular, etc. e tal, e que podem ser observados e desfrutados com calma e descontração.
Além do que se referiu, o Parque, tem como seu ex-libris, um lindo labirinto construído por sebes, que visto de um plano superior lhe conferem um excelente efeito paisagístico. Vamos já lá…
Ficam, então, mais uma série de registos fotográficos da Mariana Malheiro que vão, por certo, abrir-lhe o “apetite”, de modo a decidir-se a dar um passeio pelo Parque de São Roque…
CASA DE SÃO ROQUE
Casa a acabar a nossa vista ao Parque de São Roque, deparamo-nos, como qualquer visitante é deslumbrantemente confrontado, com a história da Casa São Roque (antiga Casa Ramos Pinto), edifício que remonta a 1759, altura em que, fazendo parte da Quinta da Lameira, funcionou como mansão e pavilhão de caça, como era típico na burguesia e nas famílias nobres do Porto.
Recebidos, por uma simpáticas “guias”, visitamos, então, a casa que, no século XIX, pertenceu à família de Maria Virgínia de Castro, que, em 1888 se casou com António Ramos Pinto, um dos mais conhecidos produtores e exportadores de vinho do Porto.

Pouco tempo depois, isto de 1900 a 1911, ele encomendou ao famoso arquiteto José Marques da Silva a remodelação e expansão da casa, ao mesmo tempo que Jacinto de Matos desenhou o jardim.
Muito anos depois, já em 1979, toda a quinta e a casa foram adquiridas pela Câmara Municipal do Porto ao último dono, António Eugénio de Castro Ramos Pinto Cálem, neto de Maria Virgínia e António.
O edifício mantém o seu original estilo eclético, introduzido com a remodelação de Marques da Silva, que se inspirou nos historicismos franceses do século XIX e na art nouveau belga, tendo sido recentemente reabilitado sob a supervisão do arquiteto João Mendes Ribeiro.
Nesta casa apalaçada funcionou em tempos o Gabinete de Planeamento Urbanístico da Câmara Municipal do Porto. No seu interior ainda se pode observar algum do espólio original, destacando-se os tetos ricamente decorados, as portas, o espelho da entrada, etc.. E relativamente aos tetos, houve uma “guerra” entre escolas para o decorarem. Verdade. Fica o desafio: se o(a) leitor(a) for lá, escreva-nos (em comentário a esta reportagem) de que “guerra” se tratou, e depois nós falamos consigo…

Bem. Depois de estar degradada e num triste estado de abandono, a Casa de São Roque foi restaurada, já com Rui Moreira à frente dos destinos da autarquia, abrindo ao público em outubro de 2019 como Centro de Exposições de Arte Contemporânea.
E reabriu no passado dia 30 de maio, depois de se encontrar encerrada devido á pandemia criada pelo novo coronavírus.
A Casa São Roque é hoje um exemplar marcante das casas da época no Porto, pelas suas caraterísticas arquitetónicas e decorativas onde o seu jardim de inverno é um exemplar único.
Nela, há a registar ainda uma Sala de Vinhos, com funcionamento autónomo ainda que integrada no edifício. Há quem a veja ao longe e não saiba que realmente lá pode entrar deliciar-se, se for apreciador ou puder beber bebidas alcoólicas um maravilhoso néctar. Mas, também se não poder beber algo com álcool há outras sugestões, assim como algo para ajudar à bebida e que depois de bem mastigado leva-o às nuvens, que, por acaso, no dia em que fomos ao Parque de S. Roque tinham desaparecido do céu.
E terminamos, assim, esta nossa visita, ou seja, a primeira de uma série que, periodicamente iremos fazer a parques do Porto, e que são importantes, ou “mais que importantes”, pulmões de uma cidade a necessitar de oxigénio, mas que já está melhor que o que estava há uns anos.
E, pronto, abalamos do Parque pela Rua de São da Lameira (antiga estrada de Valongo) utilizando, como o/a leitor/a deve utilizar, o transporte público, que por lá não falta e liga esta zona ao centro da cidade do Porto.
Apoio: Wikipédia; Porto. e pesquisa Google
01jul20






























































Vi e li o artigo, porque apanhei no Porto Canal tudo, de seguida fui à net para saber mais, e ainda bem que fui.
Sou curiosa sobre as famílias do Norte e sua história, talvez porque sou do sul e o Norte escapa-me em parte. Os meus pais valorizavam mais o norte do que o sul, apesar de sermos todos “sulistas”.
fátima