A diversidade de objetos em barro que correspondiam às necessidades e atividades diárias das populações, como cerâmica utilitária que teve grande expressão em Ovar, através de um significativo número de olarias que garantiam a produção de loiça e a sua comercialização que remontam ao século XVII. São elementos fundamentais da componente etnográfica do Museu de Ovar e do seu espólio, que surpreendem, pelo sua conservação e catalogação, os visitantes na sala dos Fundadores em que se pode recuar ao tempo em que a matéria-prima natural era o barro, entretanto substituído pelo alumínio ou o plástico, como se observa na exposição Olaria – “A Arte do Barro” Cerâmica Utilitária, que está patente até 12 de setembro.
Esta mostra é ao mesmo tempo uma forma de reavivar a memória e a importância que a industria da Olaria assumiu em Ovar e na região, como um importante fator para o desenvolvimento económico, a que se dedicavam inúmeras famílias que viviam desta atividade, a exemplo da família Regalado que formou muitos e bons oleiros em Ovar, que levaram o seu saber na produção de louça e vasos de barro vermelho até concelhos vizinhos, como Aveiro, Ílhavo, Oliveira de Azeméis ou Santa Maria da Feira, em que se radicaram outros oleiros na arte de barro vermelho artesanal.
Com a típica figura de um oleiro em ambiente de trabalho, como ponto de referência desta exposição, representando a execução de uma obra moldada pelas mãos do artista, que faz acionar com o pé esquerdo a roda de madeira que, ligada a um veio, fazia mover o “cabeço” ou o “trincho” à superfície.
Desta atividade artesanal na arte do barro, matéria-prima de que se fazia um sem numero de objetos utilitários de venda corrente, como alguns dos que se podem ver expostos, destacando-se os característicos cântaros, as jarras, as tigelas, os alguidares, as panelas, os bacios, ou os coadores, entre muitas outras peças de arte em barro, que durante estes meses voltaram a ganhar lugar de relevo através desta exposição temporária.
Texto e fotos: José Lopes
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