Com a retoma dos eventos desportivos ao ritmo de cada modalidade, no atletismo, mesmo com as medidas restritivas impostas pelas entidades de saúde, realizaram-se várias provas em que os atletas, depois da longa fase de confinamento, se libertaram e testaram o seu ritmo na disputa dos pódios que encerraram a atípica época desportiva com conquistas de medalhas, como as alcançadas pelo atleta de Ovar, Tiago Santos, esta época a representar o GRECAS – Vagos, em que repetiu o pódio com o 3.º lugar no Salto em Altura (Sub-23) no “Meeting” de Atletismo Cidade de Lisboa e posteriormente no Campeonato Nacional de Pista ao Ar Livre, que se realizou no dia 8 de agosto, em jornadas simultaneamente organizadas pela Federação Portuguesa de Atletismo (FPA), em diversas pistas de atletismo nacionais, como: Braga, Lisboa, Madeira e Açores.
José Lopes
(texto/entrevista)
Tendo como ponto de partida as mais recentes conquistas do Tiago Santos na modalidade do atletismo, especialidade do Salto em Altura, o Etc e Tal quis conhecer o atleta, o estudante, e a evolução da sua carreira desportiva do desporto escolar ao federado, bem como as influencias determinantes em meio escolar para este seu empenho, dedicação e entusiasmo, e sobretudo o muito trabalho que lhe garantiu o primeiro pódio nos Campeonatos Nacionais de Sub-23, como nos afirmou na entrevista que lhe realizamos antes de partir para as merecidas férias, tendo mesmo deixado por fim, palavras de agradecimento, “por me ter escolhido a mim para realizar esta entrevista”.
Tiago Santos, nascido a 24/05/2000 e residente em Válega – Ovar, concilia a prática desportiva federada no atletismo, com a do estudante universitário a tirar o mestrado integrado em Engª. Mecânica na Universidade de Aveiro.
Em que idade e escola surgiu o interesse pela modalidade do atletismo?
“O meu interesse pelo atletismo ocorreu aos 16 anos em dezembro de 2016 na Escola Secundária Júlio Dinis quando, após a prova de seleção para o mega salto, o meu treinador (professor António Beça) me convidou a fazer parte da sua equipa.”
A tua prática desportiva começou em que modalidade e com que idade?
“O desporto sempre fez parte da minha vida. Comecei na natação aos 5 anos com o intuito de aprender a nadar. Acabei por prolongar a prática até aos 10 anos. Após 1 ano parado fui convidado a praticar voleibol no antigo clube Aliança. O clube acabou por se dissolver e eu ingressei, ainda aos 11 anos, no Artística de Avanca para jogar andebol. Aos 13 anos abandonei o andebol e, após mais um ano parado e durante a minha participação no basquete Para Todos de 2014, fui convidado pelos dirigentes da Ovarense a jogar basquete. Por fim, no início da época 2016/2017 fui dispensado por não ter as qualidades necessárias para jogar na equipa e, finalmente, em dezembro de 2016 comecei a minha carreira no atletismo.”
Que influência teve o desporto escolar e decididamente em que escola?
“Eu no início sempre me foquei bastante no desporto escolar uma vez que eram as únicas hipóteses de pódios que eu tinha quando comecei a praticar atletismo. Como era lá que fazia muitos amigos e como o ambiente dos distritais, regionais e nacionais era incrível, sempre me senti motivado a treinar para poder participar nestes campeonatos.”
Que professor, ou treinador, teve papel determinante para a dedicação ao atletismo?
“Na minha carreira como atleta ouve bastantes pessoas que se destacaram pela maneira como ajudaram no meu desenvolvimento neste desporto: o professor António Beça, a atleta e treinadora Anabela Neto, a atleta Jennifer Gomes, a minha família e os meus amigos dentro e fora do grupo de treino.
O professor António Beça é o meu treinador. É ele que orienta o meu treino e me diz o que devo fazer bem como as provas em que devo (ou não) participar. Está sempre presente quando os bons resultados aparecem e sempre pronto a ‘’puxar-me as orelhas’’ quando faço asneira. É o professor que, todos os treinos, regista a minha evolução, analisa os meus gestos técnicos e me avisa do que tenho a melhorar.
A Anabela e a Jennifer destacam-se uma vez que desde que entrei no atletismo faço a maioria dos meus treinos com elas. Ao longo do tempo, foram-se tornando nas minhas melhores amigas dentro do grupo de treino, aconselhando-me sempre do que deveria fazer nas situações mais complicadas, mostrando-me exercícios para reforçar partes do corpo sujeitos a lesões, dando sempre o apoio moral que preciso e orientando-me sempre da melhor maneira possível para que tire cada vez mais proveito desta minha carreira.
A minha família destaca-se pela maneira como me apoiam incondicionalmente mesmo que as coisas não esteja a correr bem. É graças a eles que sou o que sou hoje tanto como atleta como como pessoa.
São estas pessoas que mais influencia têm na minha carreira no atletismo. Um facto curioso é que todos os meus recordes pessoais têm, pelo menos, uma destas pessoas presentes.”
Que experiências competitivas destacas ainda no desporto escolar? Em que áreas do atletismo e que pódios mais significativos alcanças-te?
“No desporto escolar quero destacar os Regionais da época de 2017/2018 na Marinha Grande por ter sido campeão regional de salto em altura saltando 1.91m que foi um dos meus recordes pessoais e ter conseguido ficar em 3º nos 100m barreiras (distancias e alturas das barreiras diferentes das federadas) com também um novo recorde pessoal. E quero também destacar os Nacionais de Viseu da mesma época de onde consegui o 2º lugar no salto em altura com 1.85m.”
Estás a conciliar desporto escolar com o federado por algum clube?
“O desporto escolar acabou quando terminei o meu 12º ano e entrei na universidade. Agora compito nos campeonatos nacionais universitários pela Universidade de Aveiro. Faço também desporto federado de onde vesti durante 3 anos as cores do AFIS – Ovar e de onde, desde o início desta época, represento o GRECAS – Vagos.”
Para além do desporto escolar, que outras competições no atletismo destacas nas tuas prestações?
“Para além dos pódios no desporto escolar quero também destacar a conquista do meu primeiro pódio nacional federado nos Campeonatos Nacionais de Sub-23 no passado dia 8 de agosto de onde consegui um 3º lugar no salto em altura com 1.95m e o meu pódio no Meeting da Cidade de Lisboa no passado dia 1 onde alcancei um 3º lugar no salto em altura com também 1.95m.”
Que treinadores te têm acompanhado neste teu percurso desportivo do atletismo?
“Das três pessoas que mais se destacaram na minha vida como atleta duas delas são treinadores: O professor António Beça e a atleta Anabela Neto, sendo estes os únicos treinadores a acompanhar a minha carreira.”
Nesta fase da tua vida de estudante como a concilias com o desporto?
“Comecei a levar o atletismo a sério este ano após a minha transferência para o GRECAS – Vagos. Desde então que vivo uma vida bastante regrada desde o número de horas que durmo a ter em atenção aquilo que como. Para conseguir conciliar os estudos com os treinos tenho de abdicar de certos momentos de lazer como por exemplo as festas da universidade, convívios com amigos, videojogos etc. Um atleta deve levar uma vida regrada e é isso que tento fazer acabando por ser tudo uma questão de prioridades.”
Que objetivos desportivos em termos de provas e campeonatos tens em perspetiva trabalhar?
“O meu principal objetivo esta época é continuar a trabalhar de maneira a conseguir salientar-me mais uma vez como fiz este ano. Trabalhar no que tenho a melhorar ainda mais do que trabalhei esta época e depois, tudo o que vier de pódios é apenas uma recompensa do meu trabalho árduo. Espero também contar com o meu treinador: Professor António Beça, com a Anabela, com a Jenny e com todos os meus amigos dentro e fora do grupo de treino para me ajudarem a construir mais uma época cheia de sucessos.”
Fotos: Facebook (António Justino Santos)
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