Fomos de viagem até aos Açores e, mais concretamente, à ilha de S. Miguel, isto à procura de algo muito peculiar, próprio, da terra… o chá!
Saiba que São Miguel é o único produtor de chá industrial em toda Europa, por razões climatéricas, onde é feita uma colheita sazonal de abril a setembro. Nesta ilha açoriana são duas as empresas ligadas à produção do chá, uma delas a do “Porto Formoso”.
Roberto L. Fernando
(texto e fotos)
E foi, precisamente, nessa empresa, Fábrica de Chá do Porto Formoso, que estivemos à conversa com José Pacheco, filho e neto de agricultores que plantavam e colhiam chá, onde vendiam a diversas fábricas açorianas (só no norte de São Miguel chegaram a ser duas), neste momento existem apenas duas.

Conversa esta feita com o verde da ilha, o chá castanho e o contrastante azul do mar, uma experiência rara.
A fábrica foi criada por Amâncio Machado Faria e Maia, na década de 1920. Nos anos 80, a mesma fecha. Foi pelo engenheiro José Pacheco reaberta em 2000, onde também recebe visitantes e apreciadores do chá convidando-os a conhecer o processo desde o plantio até ao aquecer da chávena, tendo como “pano de fundo” uma paisagem paradisíaca.
No primeiro sábado de maio é, normalmente, feita uma recriação da colheita realizada, na época, no século passado… uma colheita recreativa. Colheita essa manual usando as mesmas vestimentas da época.
Isto é feito no âmbito de difundir a antiga história, cultura, música, jogos infantis, e também gastronomia.
A fábrica (antes da pandemia) teve entre os 50 e os 60 mil visitantes que puderam comprar (obviamente) chás, mas também algumas lembranças. A venda é feita a nível regional e também na loja online, a nível nacional é para o mercado gourmet.
Há dois anos, iniciou-se a produção biológica certificada, pois estando no mar isolados de qualquer propagação de fungos, doenças e vírus não há necessidade de uso de quaisquer pesticidas. Não há qualquer adubação química.
E como o mundo é pequeno, falamos também um pouco do chá moçambicano, onde por surpresa a minha o José Pacheco também conhece um bastante.
Os chás do Porto Formoso são obtidos da planta de chá Camellia Sinensis, proveniente da China. Quais são?
O Açores Home Blend: feito na recriação feita em maio, no evento anual, seguindo a tradição antiga tem todas as folhas da planta, e um sabor medio e com teor de cafeína também médio.
Orange Pekoe: provem das folhas antigas, rico em cafeina e polifenóis, com um sabor mais intenso.
Pekoe: proveniente da segunda folha tem um paladar e aroma menos fortes que o anterior.
Broken Leaf: resultante da terceira e partículas das restantes folhas é o mais suave dos quatro, é menos aromático também.
O processo de transformação ou fabrico é o seguinte:
Murchamento da folha; enrolamento; oxidação ou fermentação; secagem; seleção e empacotamento.
Em março último, a fábrica esteve fechada a visitantes, mas, a produção continuou. A fábrica só voltou a abrir no inicio de julho, e, no passado mês de agosto, começou a registar pelo menos 30 por cento das visitas referente a um ano normal.
Demos-lhe, assim, a conhecer – ainda que um pouco por alto – algo de importante nos Açores, como é o caso do chá. Mas do Açores, prometemos em breve vos dar a conhecer mais pormenores e tradições, que fazem desta arquipélago algo de único no planeta.
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