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Furadouro: Campanhas de preservação das dunas DESVALORIZADAS por FALTA DE AREAL na praia

O impressionante recuo das praias mais fustigadas pelo mau tempo do último prolongado inverno, deixaram profundas consequências ambientais em áreas já demasiado fragilizadas pela constante erosão costeira, a exemplo dos campos dunares no litoral que nas últimas décadas vêm merecendo mais alguma atenção das comunidades locais, tanto através de estruturas tipo passadiços, como campanhas de educação ambiental para sensibilização na defesa das dunas e sua preservação, depois de muitas décadas em que estes espaços geográficos entre a terra e o mar foram sujeitos a uma intensificação de usos recreativos e a ocupação incauta que vinha conduzindo a situações de desequilíbrio e erosão costeira e consequentemente a destruição dos ecossistemas dunares litorais.

Na praia do Furadouro, em que só após sofrer uma significativa perda do imponente campo dunar que a caraterizava a norte e a sul, se iniciaram verdadeiramente iniciativas concretas vocacionadas para a defesa do que ainda restava. Mesmo assim, só muitos anos depois da intervenção de ambientalistas a chamarem atenção para tal realidade. A exemplo de tantas outras instâncias balneares que começaram a valorizar a componente ambiental, mesmo depois de todos os atentados da pressão do betão no litoral.

O Furadouro dava então os primeiros passos a exemplo de um projeto de recuperação do sistema dunar na praia de Esmoriz que anos antes (1997) tinha despertado o interesse nacional, dinamizado pelo ambientalista Álvaro Reis com a participação da comunidade piscatória e instituições locais.

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As áreas pedonais (passadiços em madeira) que passaram a permitir o acesso de pessoas a paisagens de rara beleza e de contato com a natureza, que com tais estruturas (estacarias) se provava serem um meio eficaz para a fixação das areias e reforço dos campos dunares em risco, tornaram-se verdadeiros ex-libris. Foram também fator impulsionador para a promoção e prática concreta de diferentes tipos de campanhas de educação ambiental junto das crianças e das escolas, resultando no aumento da consciencialização da importância da preservação das dunas e sua flora.

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Destas campanhas e ações de sensibilização pedagógica juntos dos mais novos, como veículos para levar as mensagens ecológicas e ambientais aos adultos, desde logo aos familiares, resultaram muitos trabalhos com os sinceros apelos das crianças para se cuidar de tão valioso património ambiental. Apelos e alertas para não se destruírem os campos dunares, para não se pisar a sua sensível fauna, que durante os últimos anos se podiam ler ao longo dos passadiços no Furadouro e que ainda foi possível sensibilizar os veraneantes. Mas ironicamente estas campanhas foram literalmente desvalorizadas por falta de areal na sequência das últimas investidas do mar que reduziram também a praia do Furadouro a uma estreita língua de areia dividida por uma muralha de pedra.

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A descaraterização da praia do Furadouro, que ficou objetivamente ainda mais curta para acomodar os habituais banhistas da região que a ela recorrem na época balnear, colocou a nu um triste retrocesso na educação ambiental até então desenvolvida para proteção das dunas por parte dos humanos.

Agravada que está a sua debilidade, pela intensa e dinâmica erosão da costa que se vem fazendo sentir no cordão dunar no norte desta praia de Ovar, nada faria crer que perante este cenário se viria a assistir a um tal retrocesso pedagógico, em que são as próprias crianças que mais foram envolvidas em campanhas para preservação das dunas que agora ocupam descontraidamente estes espaços na falta de areal na praia propriamente dita ali ao lado, indiferentes aos cartazes de apelo para não pisar as dunas e a sua flora. Tudo isto numa praia com Bandeira Azul.

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Entre todos os debates e polémicas em torno dos modelos e estratégias adotar para a intervenção no litoral, o tema da preservação dos campos dunares que restam, não pode ser desvalorizado, caso contrário, e perante o recuo das praias, rapidamente vão cair no esquecimento e em desuso as campanhas de educação ambiental para defesa das dunas litorais e muito em especial o cordão frontal que, “…constituem não só uma barreira natural contra o avanço das vagas, mas também, um depósito de sedimentos, muito importantes na colmatação do défice de areia existentes nas nossas praias.” afirma Álvaro Reis no seu livro “A Praia dos Tubarões”.

 

Texto e fotos: José Lopes

(Correspondente “Etc e Tal Jornal” em Ovar)

 

 

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