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No Litoral do concelho de Ovar as Festas do Mar culminaram no Furadouro em Honra da Sr.ª e Sr. da Piedade

Independentemente dos nomes artísticos cabeças de cartaz ou das redes sociais, as Festas do Mar ao longo do Litoral são tradições que passam de geração em geração das comunidades piscatórias, rurais ou urbanas destas regiões, que para alem das paisagens naturais, áreas de lazer e zonas balneares, proporcionam ao longo dos tempos, em plena época balnear, estes tradicionais festejos, que atraem verdadeiras ‘inundações’ de forasteiros, a exemplo de Esmoriz, Cortegaça e Furadouro (9, 10, 11 e 12 de setembro).

 

José Lopes

(texto e fotos)

 

Tendo como protagonistas, as famílias locais originárias das gentes do Mar e das artes de pesca características da longa costa em que se consolidaram povoados, encontram nestes eventos profanos e religiosos momentos de prestarem homenagem à vida dura de pescador e aos seus Santos e Santas de devoção, transportados por grupo de homens ou mulheres como promessas assumidas por uma vida, enquanto as forças o permitirem, porque não há contributo, mesmo simbólico, que pague tal dedicação e compromisso para com os festejos em Honra da Senhora da Piedade e Senhor da Piedade.

Com o Furadouro invadido por um mar de gente para assistir à sempre Majestosa Procissão da Bênção ao Mar, o rufar da Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Ovar abria caminho à passagem da Procissão que foi saindo da Capela do Furadouro, para percorrer as habituais artérias desta Praia da Cidade de Ovar, já sem entrar no areal como era tradição. Uma passagem pelo areal, que, de inegável dureza para todos os participantes, era sempre o ponto alto deste momento religioso sentido sobretudo pelos pescadores e seus familiares que transportam os andores, como cenário natural entre terra e mar com tantas memórias de alegria ou de amargura e não raras vezes de tragédias.

Dos Santos e Santas mais ligados à devoção da comunidade piscatória local e também por isso, que deram nome a barcos da Arte Xávega e Companhas durante muitas décadas, destaca-se à frente na Procissão a imagem de S. Pedro, entre outras imagens muito familiares com homens e mulheres, que em diferentes grupos, assumem de ano para ano a responsabilidade pelos andores, normalmente vestindo camisas de xadrez, típicas de pescador, ou camisolas com estampados alusivos, tanto à identificação do Santo ou Santa e ainda, em homenagem a figuras marcante na defesa da pesca da Arte Xávega, como foi António Maganinho proprietário da Companha e de várias gerações de barcos N.ª Sr.ª da Graça.

Dos quais, um exemplar há muito é peça escultória no Furadouro, recentemente recuperado pela Câmara Municipal de Ovar após o longo abandono a que esteve sujeito, ao mesmo tempo que o nome de António Maganinho foi perpetuado através de um Mural em Azulejo, dando nome a uma Praceta junto ao Posto de Turismo do Furadouro e à sua praia de sempre como banheiro e concessionário. Atividade balnear a que a sua família dá continuidade.

  

Entre os andores de várias Paróquias que se reúnem no vasto património religioso nesta Procissão no Furadouro, transportados ao ombro por rostos marcados pela dureza da vida no Mar ou na Ria, e tantas outras profissões alternativas à pesca, como bem retrata o filme ‘Mudar de Vida’, realizado em 1966 por Paulo Rocha e escrito em parceria com António Reis, protagonizado por Geraldo Del Rey e Maria Barroso. Contam-se também imagens de Santas transportadas por mulheres, como Santa Rita que seguia numa ordem habitual a Sr.ª do Socorro, um andor composto por uma tradicional embarcação representativa da Arte Xávega e de uma antiga Companha do Furadouro, transportado por pescadores locais.

  

Enquanto a Procissão ia percorrendo a Marginal ladeada por uma multidão que trocou uma agradável tarde de praia de final de Verão, por esta manifestação religiosa e suas imagens devotas, como Santa Eufémia, Sr.ª dos Emigrantes, Nossa Sr.ª de Fátima, Nossa Sr.ª dos Navegantes, Nossa Sr.ª do Parto ou Menino Jesus de Praga, entre várias outras Santas e Santos a quem foram sendo prestadas diferentes formas e expressões de veneração, tal como ao mesmo tempo o expressava no Mar, o barco `Jovem´, que resiste como única embarcação da Arte Xávega a operar no Furadouro.

Momento recheado de grande solenidade é ainda a tradicional Bênção ao Mar que carateriza esta Majestosa Procissão. Cerimónia que decorreu com todos os andores virados para o Mar na Marginal, destacando-se a Senhora da Piedade e o Senhor da Piedade em cuja Honra decorrem os festejos das Festas do Mar no Furadouro.

O momento, que aconteceu num cenário decorado por redes de pesca, foi presidido pelos Párocos Vítor Pacheco e Fernando Carneiro, tendo no horizonte a baloiçar no Mar, o barco `Jovem´, para nas palavras e mensagens do Pároco Vítor Pacheco realçar o património que representa a Arte Xávega e a sua relação com os momentos ali vividos na manifestação de fé, e como acrescentaria, de esperança e “de Paz”, aludindo aos tempos de guerra na Europa.

De regresso à Capela do Furadouro, a Procissão com a habitual participação dos autarcas locais seguiu ao som da Banda Filarmónica Ovarense, pelas ruas sempre ladeadas de uma onda humana, que se concentra também estrategicamente na Avenida da Republica em que os residentes se envolvem na construção de um colorido tapete de flores por onde passa a Procissão.

Com apoio da Câmara Municipal de Ovar e da União de Freguesias de Ovar a organização das Festas do Mar do Furadouro continua a cargo da Comissão Amigos do Furadouro, mantendo a ponte entre a componente religiosa e profana, dando assim continuidade a algumas das características que envolvem as comunidades paroquianas locais, como a tradicional Procissão das Velas em Honra da N.ª Sr.ª da Piedade e Sr. da Piedade, que se realizou na sexta-feira à noite, dia 9, com inicio na Capela dos Campos, em Ovar em direção ao Furadouro, para o encontro que tem lugar no Carregal (a meio do caminho entre Ovar e o Furadouro) com a Procissão que saiu da Capela do Furadouro e depois seguem na direção do Furadouro e da sua Capela devidamente iluminados no típico ambiente de festa que durou cerca de quatro dias.

Para estes quatro dias das Festas do Mar, que contaram com uma Feira de Artesanato e Colecionismo na Avenida Central e o brilho de grandes sessões de Fogo de Artificio, bem como todo o tipo de divertimentos e comércio ali proporcionado. As atuações musicais que constaram do programa, estiveram a cargo do Conjunto Típico ´Os Principiantes´, da `Banda Time´, `Bruno Azevedo e Banda´, `Banda 4G´ e `Tieta do Agreste´ para encerrar os festejos na segunda-feira.

 

 

19set22

 

 

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