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CASTRO GUEDES GARANTE: “O PORTO NÃO DEIXARÁ MORRER A SEIVA TRUPE!” CENTENAS DE PESSOAS SOLIDARIZARAM-SE COM A ICÓNICA COMPANHIA DE TEATRO DA INVICTA

 O Jardim do Marquês, no Porto, foi palco para, na tarde de hoje (11dez22), centenas de pessoas, se juntarem numa ‘Concentração de Cidadãos pela Seiva Trupe e Cultura’, depois da icónica companhia de teatro sediada no Porto ter sido excluída, por um “júri Ad-Hoc”, da concessão do Apoio Sustentado da ‘DGArtes’ para os próximos quatro anos.

 A continuidade da Seiva Trupe não está em causa nos próximos meses, mas, isto se, até lá, for resolvida a questão em que se encontra envolvida, tal como acontece com outras companhias de teatro a nível nacional… como salientou Jorge Castro Guedes, diretor artístico da companhia.

 A Seiva Trupe irá, assim, aguardar que decorra o prazo de audiência dos interessados e que sejam publicados os resultados finais dos concursos. Caso a decisão não for revertida, a companhia irá avançar com um recurso hierárquico, que é um mecanismo previsto no Código do Procedimento Administrativo que visa a impugnação de um ato da Administração Central.

  

José Gonçalves           Ursula Zangger

(texto)                              (fotos)

  

Jorge Castro Guedes, diretor artístico da Seiva Trupe – companhia teatral sediada no Porto e que se prepara para comemorar o seu 50.º aniversário -, começou, na Concentração de Cidadãos pela Seiva Trupe e Cultura’, por agradecer, publicamente, aos presentes e a quem promoveu a concentração, já que “esta iniciativa saiu da sociedade civil, o que não é de espantar, porque o Porto nunca deixa que lhe pisem os calcanhares!”

 “O Porto, nas lutas liberais, foi fundamental para a vitória sobre o absolutismo. O Porto transformou a campanha do general Humberto Delgado num grande passo na luta pela democracia e contra a ditadura vigente. O Porto não deixará morrer a Seiva Trupe, e o Norte, todo o Norte, defenderá as suas companhias, como os nossos amigos do Filandorra, de Trás-os-Montes, que tem um trabalho fundamental para a coesão do território nacional há mais de 35 anos”.

 Mas, a luta estende-se também, e como fez questão de frisar Jorge Castro Guedes, “à Barraca, em Lisboa, ao Teatro de Animação de Setúbal, e a muitas e muitas companhias que foram consideradas elegíveis por um júri Ad-Hoc”.

 A CULTURA FAZ PARTE DA SAÚDE MENTAL DOS PORTUGUESES

 E o diretor artístico da Seiva Trupe fez ainda questão de destacar que “apesar de estar contra esse júri – não contra as pessoas em si, mas à forma de avaliação -, que seria a mesma coisa se os serviços de atendimento nos hospitais fossem decididos por um júri Had-Hoc, situação que não caberia, por certo, na cabeça de ninguém. É que a Cultura faz parte da Saúde Mental dos portugueses e, portanto, é uma decisão política que tem de ser tomada, não deitando poeira para os olhos através de um júri Ad-Hoc que desconhece a maior parte da atividade dos concorrentes”.

“Por isso”, continuou Jorge Castro Guedes, “não queremos que a Seiva Trupe morra, mas queremos que todos os elegíveis estejam nessa luta, e solidários nesse desejo, para que tenham o exigível apoio.

Quanto aos números, que Pedro Adão e Silva passa a vida a invocar em sua defesa, talvez haja, em breve, outros números para a Cultura, e muito mais expressivos que aqueles que o senhor ministro anuncia. Mas, talvez não haja, porque o senhor ministro reverterá, rapidamente, esta decisão, porque ele sabe que o que está decidido é um disparate, e que foi mais fácil a um camelo passar por um fio de agulha do que deixar de apoiar a Cultura em Portugal e deixar morrer a Seiva Trupe.”

O MINISTRO DAS FINANÇAS, IRÁ, POR CERTO, CONTRIBUIR FORTEMENTE, COM UM REFORÇO AO MINISTÉRIO DA CULTURA

 Já, em exclusivo ao ‘Etc. e Tal’ – antes da sua intervenção púbica -, Jorge Castro Guedes referiu que a companhia de teatro da qual é diretor artístico “vai sobreviver!”

“A verdade, é que não estava à espera de todo este teatro à volta da situação. O senhor ministro da Cultura é que vai ter que resolver o problema da Seiva Trupe, da Barraca, da Filantorra, e de uma série de estruturas históricas, com significado local e nacional. E se o problema é o do dinheiro, de certeza que o doutor Fernando Medina- que enquanto presidente da Câmara Municipal de Lisboa, e segundo disse o próprio ministro, contribuiu fortemente para a salvação do Teatro em Lisboa -, agora, como ministro das Finanças, irá, com certeza, contribuir fortemente, com um reforço de apoio ao Ministério da Cultura, para evitar esta situação e salvar os grupos a nível nacional. Ele, agora, não é presidente da Câmara… é ministro das Finanças”.

A SITUAÇÃO DA SEIVA TRUPE NÃO É, ABSOLUTAMENTE, ALARMANTE…

Se está é uma situação crítica? O diretor artístico da Seiva Trupe respondeu: “Claro que é! Para umas companhias mais, para outras menos. No que diz respeito à Seiva Trupe, a situação é crítica, mas não é uma situação, absolutamente, alarmante, dado a gestão que faz dos dinheiros públicos, nos permite aguardar, tranquilamente, um dois ou três meses, pela resolução do problema. Evidentemente, que esta questão vai ter de ser resolvida. Não pode deixar de ser resolvida! Agora, falta saber quanto e quando vai ser pago para retomarmos a atividade”, concluiu Jorge Castro Guedes.

 A SEIVA MANTÉM-SE VIVA E ASSIM CONTINUARÁ POR VONTADE DAS GENTES DO PORTO

 “Conhecida como uma entidade pública, e condecorada pela Presidência da República como Membro-Honorário da Ordem do Mérito, não deixaremos a Seiva Trupe morrer, e que tornou público o seu trabalho durante cinquenta anos em prol da Cultura e do Teatro da cidade e do País. Esta batalha que travaremos em nome da decência e gratidão para com Estrela Novais, António Reis e Júlio Cardoso e desta Seiva que tanto amamos. E com gratidão ainda por Jorge Castro Guedes, atual diretor artístico da companhia, os seus atores, produtores e técnicos”, começou por dizer um representante dos jovens artistas da Seiva Trupe.

 “Muitos de nós estiveram aqui presentes no dia 25 de março, Dia Mundial do Teatro, e, assim, festejamos e assinalamos a inauguração da nova casa da nossa Seiva Trupe… a Sala Estúdio. Daí para cá, todo o trabalho entusiástico desenvolvido na Sala Estúdio Perpétuo, teve aplausos para todos aqueles que, num tão curto espaço de tempo, montaram, produziram e levaram à cena excelentes espetáculos. Prestes a fazer cinquenta anos, no próximo mês de setembro, a Seiva mantém-se viva e assim continuará, por vontade das gentes do Porto, que não deixarão cair algo que é seu. Nós não deixaremos a Seiva Trupe morrer”, concluiu.

 ILDA FIGUEIREDO:ESTE É UM PROBLEMA NACIONAL QUE O MINISTÉRIO DA CULTURA TEM DE REVER

Presente na concentração em prol da Seiva Trupe, esteve Ilda Figueiredo, vereadora do executivo da Câmara Municipal do Porto.

Para a vereadora eleita pela CDU “a Seiva Trupe é uma companhia com quase cinquenta anos de atividade ao serviço da Cultura no Porto e não pode ser desconsiderada desta maneira. Por isso, estamos aqui na defesa da Cultura da cidade e do País, e na defesa também da Seiva Trupe”.

 Ilda Figueiredo referiu ainda que “este trata-se de um problema nacional, que o Ministério da Cultura tem de rever.. e tem de ter em conta que estas instituições do país – neste caso a Seiva Trupe, da cidade do Porto, como a Filantorra, em Trás-os-Montes, a Barraca, em Lisboa, etc.- não podem ser tratadas desta maneira, pois têm de ter um apoio permanente da parte do Estado e do Ministério da Cultura. Portanto, tem de ser encontrada uma solução para estes problemas. E, neste caso a Seiva Trupe tem de ser defendida”.

 A vereadora promete que, pela sua parte, “a Seiva Trupe tem, naturalmente, toda a solidariedade, e, nesse sentido, também estou a procurar que a Câmara do Porto tome uma posição, como um todo, na defesa da Seiva Trupe. Mas, não se trata de ser a Câmara apenas a defender a Seiva Trupe, é necessário que Governo o faça, e é essa posição muito clara que tem de ser assumida pelo Ministério da Cultura”.

NUNO CARDOSO:O GOVERNO TERÁ DE, E VAI, RESOLVER ESTA SITUAÇÃO!

O antigo presidente da Câmara Municipal do Porto, Nuno Cardoso, também esteve na concentração, considerando que “esta é uma situação lamentável! A Cultura é colocada em segundo plano. Depois, e no que diz respeito, especificamente, à Seiva Trupe, ela é uma referência no País. É uma das primeiras companhias de teatro independente, muito importante aqui no Porto, associada a importantes eventos como o FITEI, e isto logo num momento marcante, porque, para o ano, irá fazer cinquenta anos de existência. Esta situação é de facto muito triste, e logo depois da Seiva Trupe ter cumprido com todas as prorrogativas. Portanto, ela teve a avaliação que era necessária. Por isso, só poderá ter o apoio que necessita, não há outra perspetiva. O Governo terá de, e vai, resolver a situação… é obrigatório!”

 JÚLIO CARDOSO E A “ABSURDIDADE MONSTRUOSA” QUE É “A FALTA DE APOIOS À SEIVA TRUPE E AO TEATRO EM GERAL

Júlio Cardoso, um dos fundadores da Seiva Trupe, e numa emotiva intervenção, considerou “uma absurdidade monstruosa” a falta de apoios à companhia, e ao teatro em geral.

O ator lamentou o facto de ter de “estar de joelhos perante a mediocridade”, numa altura em que ele próprio já deu muitos anos de vida à arte.

Lembrando o “pioneirismo” que a companhia teve há 50 anos, quando “apresentou pela primeira vez no Porto um concerto em rock português” e lhe chamaram “parolo”. Por outro lado, criticou o facto de a decisão da Direção-Geral das Artes ter sido tomada por um júri “ad-hoc” e incentivou os presentes a “dizer não à hipocrisia, à mediocridade, à inveja”.

PETIÇÃO PÚBLICA:NÃO DEIXAREMOS MORRER A SEIVA TRUPE!

E o movimento de cidadãos, que organizou o protesto no Jardim do Marquês, sob o lema “Não deixaremos Morrer a Seiva Trupe”, lançou uma Petição Pública com o seguinte teor:

“Um Júri Ad-Hoc acaba de excluir a Seiva Trupe da concessão do Apoio Sustentado da DGArtes a que concorrera para os próximos 4 anos, apesar de ter atingido a pontuação necessária à sua elegibilidade, mas em que a verba alocada à DGArtes para este fim ser considerada insuficiente.

Tal decisão coloca em causa a sobrevivência de uma Companhia icónica do Porto e do País, que em Setembro de 2023 completa 50 anos de vida e de intensa atividade cultural. Os cidadãos abaixo-assinados não se conformam com a decisão do Júri Ad-Hoc e vão lavrar o seu protesto durante uma concentração junto ao coreto do Jardim do Marquês a partir das 16 horas do dia 11 (domingo).

Caso concordes, gostaríamos que juntasses o teu nome aos nossos para a concentração que iremos propor aos cidadãos do Porto. Podes fazê-lo através do email: searadeletras@sapo.pt. “

 

11dez22

 

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