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‘Campo Aberto’ – Em 2023 serão dados novos passos para uma floresta mais autóctone

Em 2022, a Aliança pela Floresta Autóctone prosseguiu a sua ação de debate e análise da situação florestal do país. 

Em 8 de junho decorreu o debate virtual sobre a situação na Serra da Lousã e em 4 de julho idêntico debate sobre a intervenção do município de Ovar e do ICNF no Perímetro Florestal das Dunas de Ovar, que despertou forte contestação por parte da população do concelho, em especial em Cortegaça. 

 Entretanto, em 22 de junho decorreu a primeira reunião dos coletivo aderentes à Rede de Iniciativas pela Floresta Nativa, igualmente no âmbito da Aliança. 

BASTA DE DESTRUIR OS NOSSOS SOBREIRAIS E OS NOSSOS SOLOS

Com esse título, em novembro de 2022, a Aliança emitiu um comunicado crítico da destruição de sobreirais e outro arvoredo para a implantação de parques fotovoltaicos de energia solar. O combate às alterações climáticas não pode realizar-se abstraindo da conservação dos ecossistemas, da biodiversidade, da proteção e regeneração do solo, da defesa da floresta, das arborizações e do coberto vegetal, em especial quando estão em jogo espécies autóctones, essenciais para a mitigação das alterações climáticas e da adaptação a estas.

De outro modo, torna-se uma prática absurda, insustentável e contraproducente. Como referiu o presidente da Câmara Municipal de Valongo, José Manuel Ribeiro, a propósito do projeto de implantação de um projeto fotovoltaico, tal “não deverá, em hipótese alguma, pôr em causa valores ambientais”.

CIDADÃOS POR UMA ‘FLORESTA ATIVA’ EM 2023

É esse o título de uma campanha lançada na época de Natal 2022 pelo Centro Pinus e pela Zero – Associação Sistema Terreste. Consideram que o principal desafio para a floresta continuará a ser o de inverter o ciclo do abandono no território no norte e centro do país. Para isso, o financiamento público em ajuda aos pequenos proprietários de terrenos florestais continua a ser fulcral. 

PROJETO EDUCATIVO ‘APRENDE NA FLORESTA’ 

Fomos contactados pelo projeto educativo não formal Aprende na Floresta, que tem como objetivo ser um suporte no caminho do SER, bem-estar e felicidade, através do contacto com a (sua) natureza. Baseia-se na filosofia e ética da metodologia ‘Forest School’, através da prática, experimentação e partilha que os seres vão integrando, e assim assimilando as suas aprendizagens.

O projeto tem como foco atividades para crianças e formações para professores, educadores e profissionais que trabalhem com as crianças. O ‘Aprende na Floresta’ está a organizar, em parceria com a ‘Little Acorn Forest Schools Ltd’, uma formação certificada pelo ‘ITC First’ (Inglaterra), que confere o grau de Líder ‘Forest School’ com Certificação Internacional.

NA GALIZA, DE REGISTAR NOVA FASE NA CAMPANHA  PELOS BOSQUES AUTÓCTONES

A Aliança pela Floresta Autóctone tem tido desde o início contactos com defensores galegos da floresta autóctone. A semelhança entre a região a norte do Rio Minho e a sul deste, Galiza e Portugal Norte, é muito grande em vários aspetos, inclusive no flagelo que ambas as regiões sofrem com a eucaliptação intensiva.

Assinada por Miguel Varela-Portas Castro, da comissão de Montes da ADEGA – Asociación para a defensa ecoloxica de Galiza, a mais influente associação ambiental galega, recebemos uma mensagem em que se convida a reativar e reforçar a atividade da Campanha Cousa de Raíces de defesa do bosque autóctone galego.

A campanha foi lançada em 2014 e, diz Miguel Castro, a situação das massas arbóreas galegas é hoje ainda mais dramática do que era então. Recorda o muito e bom trabalho feito, com destaque para a Iniciativa Legislativa Popular para a Defesa do Bosque Autóctone apresentada em 2018 ao Parlamento galego (rejeitada pelos 37 votos contra do Partido Popular, no poder, com abstenção de 14 votos do PSOE, e apoiada por 20 votos pelo movimento ENMAREA e pelo BNG – Bloco Nacionalista Galego).

Também na Luta contra os incêndios e nas campanhas de Deseucaliptação Simultânea, bem como outras campanhas para a conservação das massas de árvores galegas e para o conhecimento sobre a sua necessária existência, se destacou a Cousa de Raíces.

 

Texto e imagem: Campo Aberto / Etc. e Tal

 

01jan23

 

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