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‘Correia Talks’

Miguel Correia

 

 

Depois de tanta crónica escrita sobre terceiros, eis que finalmente surge o nome do autor no título! Porém, confesso que este mês esgotei por completo a paciência do diretor do jornal, ao demorar demasiado tempo no envio do texto. Farto-me de dizer que um mês inteiro é demasiado curto para conseguir apresentar algo de interessante aos leitores. Mas, queixas à parte, retomo a grandeza e fanfarrice que o título merece e, como tal, através deste amontoado de caracteres começo por abordar a questão dos animais canídeos nos grandes centros comerciais.

No rescaldo da novidade, consegui vislumbrar um ou outro rafeiro – daqueles minorcas barulhentos comprados a prestações que, dado o tamanho, vê-se que o dono ainda vai na segunda mensalidade – escondidos no regaço do dono. Contudo, o simples gesto de passear o canídeo nos corredores das galerias comerciais tornou-se viral e, em certas alturas, há mais patas que pés. Como o instinto animal não está preparado para as grandes superfícies, rapidamente surgem as chagas da bendita legislação…

O Antunes foi à sapataria. Num gesto de plena loucura e esbanjamento monetário comprou uns sapatos de marca, daqueles caríssimos. Ignorou os joanetes e, para exibi-los, quis usá-los logo ali. Assim que saiu pisou bosta. Provavelmente, os escassos leitores que prolongaram a leitura até este parágrafo, poderão notar algum enfatizar da situação. Mas, em minha solene defesa, alego que vai acontecer!

E, para agravar o panorama, deixo outro caso bombástico e revelador da revolução social canina em curso. Porque li, algures, que o Machado deslocou-se a uma loja de fumeiros e produtos regionais para comprar a bela da chouriça e alheira do produtor. Segundo conta, poucos metros após deixar a loja, em pleno corredor, tinha três cães de grande porte à sua espera. Ao ver aqueles lindos dentinhos de fora, não teve outra solução senão largar a saca e desatar a correr pela vida e não pelo fumeiro. Assim termina o primeiro ‘Correia Talks’. Até diria para esperarem pelo próximo mas, tendo em conta a agitação social dos meus escritos, quase que aposto que não haverá mais nenhum.

 

01fev23

 

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