O Dispositivo da Polícia de Segurança Pública do Comando Metropolitano do Porto, através da Divisão de Investigação Criminal desencadeou, no dia de ontem (11fev23), pelas 19h00, mais uma operação policial que visou indivíduos que de forma organizada se dedicavam ao tráfico de estupefacientes junto do bairro da Pasteleira Nova, na cidade do Porto.
A operação contemplou a realização de quatro buscas domiciliárias e outras tantas não domiciliárias junto do referido aglomerado habitacional, da qual resultou a detenção de dois homens e uma mulher, com idades compreendidas entre os 40 e 42 anos, residentes no Porto.
A PSP aprendeu Cocaína suficiente para cerca de 4634 doses individuais; Haxixe para qualquer coisa como 14 014 doses e Liamba para cerca 376 doses individuais, e ainda 1500 euros e uma balança digital.
JOSÉ LUÍS CARNEIRO: “A SOLUÇÃO PARA ESTE PROBLEMA NÃO PASSA SÓ PELA DIMENSÃO POLICIAL, É PRECISO UMA RESPOSTA SOCIAL INTEGRADA”
Após esta operação policial, e em entrevista ao ‘Jornal da Tarde’ da RTP1, o ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, além de ter enaltecido a operação efetuada pela PSP, fez questão de destacar que, no ano passado, “tivemos menos crimes participados à PSP, na cidade do Porto” pelo que “no que respeita à dimensão policial, quer o nosso País, quer o Porto estão dentro das realidades mais seguras. Não devemos só estar atentos, mas assumirmos responsabilidades naquilo que temos responsabilidade. Em 2022, tivemos 1859 ações de patrulhamento, isto só na realidade relativa ao território da Pasteleira e de Pinheiro Torres, o que significa mais 764 operações policiais. Em termos de resultados policiais, temos 467 detenções, em 1200 identificações, e 320 mil doses apreendidas. No mês de janeiro tivemos 70 detenções”.
Ainda de acordo com o ministro, “do ponto de vista da intervenção policial, fica uma palavra de confiança àquilo que tem sido a capacidade operacional, a dedicação e o brio dos profissionais de segurança, em particular, à comandante do Comando Metropolitano do Porto da PSP, que tem tido um trabalho inexcedível”.
Mas, a verdade, é que nos últimos tempos Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, não tem sido nada ‘meigo’ em relação à (‘nula’) intervenção do Ministério da Administração Interna naquele que é já considerado como ‘supermercado de estupefacientes’ na zona da Pasteleira, referindo, repetidamente, que “não há polícia que chegue!” para dar resposta aos graves problemas que afetam os referidos territórios da cidade.



José Luís Carneiro reagiu dizendo que “é importante ouvir todas as expressões públicas de todos os especialistas que têm vindo a pronunciar-se sobre esta matéria. Se a solução fosse exclusivamente policial, quem recorreu à polícia, e até às próprias Forças Armadas, tinha conseguido acabar por completo com o tráfico de droga. Aquilo que eu digo é: mão dura! Um combate sem tréguas ao tráfico de drogas! E, no que ao tráfico diz respeito, a PSP, em articulação com a Polícia Judiciária e o Ministério da Justiça, os serviços e as forças de segurança, tem estado a atuar com níveis superiores de operacionalidade em relação, por exemplo, aos níveis de 2019, pois é a única realidade com a qual podemos estabelecer comparação”.
A DEMOLIÇÃO DO BAIRRO SÃO JOÃO DE DEUS E A DESTRUIÇÃO DAS TORRES DO ALEIXO SÓ “DESLOCALIZARAM” OS CONSUMIDORES E TRAFICANTES DE DROGAS

“Na região do Porto”, referiu o ministro, “há mais 700 polícias e mais 182 agentes da Polícia Municipal. Temos, assim, de manter os níveis de operacionalidade! Mas, a solução não passa só pela dimensão policial, é preciso uma resposta social integrada. Há dimensões de rastreio, apoio e acompanhamento dos toxicodependentes que exigem uma resposta a nível social, no que diz respeito à saúde pública; no que respeita à Habitação e aos projetos de vida”.
Mesmo com a construção de novos bairros, a situação não deixou de agravar-se na cidade em termos de tráfico e consumo de drogas. A estes factos, José Luís Carneiro defende que “sem respostas sociais estes problemas jamais serão resolvidos. Aqueles que pensaram que com a demolição do Bairro S. João de Deus iam resolver o problema do tráfico de droga, enganaram-se, pois aqueles que estavam dependentes das redes de tráfico de drogas deslocalizaram-se para outras zonas da cidade.
Quando se destruíram as torres do Aleixo, que se considerou que, do ponto de vista do urbanismo e da arquitetura, havia falhas graves, o que aconteceu é que não se resolveu o problema da droga nessa área, tanto não se resolveu que estamos aqui, hoje, a falar sobre esse problema. Ou seja, os problemas deslocalizaram-se.
Quando se pensa que a intervenção estritamente da Polícia soluciona um problema de dependências, nomeadamente de saúde pública, de segurança social, de emprego e de projeto de vida, etc.… estamos todos a laborar num grave e profundo erro de discursos securitários que, efetivamente, não solucionam estruturalmente esses problemas”.
“HÁ INVESTIGAÇÕES QUE ESTÃO EM CURSO, PELO QUE DAR CENTRALIDADE A DETERMINADOS LOCAIS NÃO SIGNIFICA QUE SE ESTEJA A ENCONTRAR AS MELHORES SOLUÇÕES”
Para José Luís Carneiro, “quer o senhor presidente da Câmara Municipal do Porto; quer o ministro da Administração Interna; quer a senhora ministra da Justiça; quer o senhor ministro da Saúde; quer o serviço da Segurança Social… todos nós temos que cooperar aperfeiçoando os instrumentos, para podermos resolver os problemas estruturais existentes”.
“O que dissemos aos moradores, é que a Polícia de Segurança Pública, a Polícia Judiciária – que é da competência do Ministério da Justiça -, e o Ministério da Justiça temos estado nas comissões mistas a definir prioridades. Há investigações que estão em curso, pelo que dar determinada centralidade a determinados locais não significa que se esteja a encontrar as melhores soluções para os problemas que exigem soluções estruturais.
Do ponto de vista policial, os moradores daquela zona da cidade do Porto contam com todos os níveis de operacionalidade e com toda a disponibilidade da Polícia de Segurança Pública, em articulação com a Polícia Judiciária, para combater, sem tréguas, o tráfico de drogas.
Por último o ministro informou que “a senhora secretária de Estado da Administração Interna vai estar reunida com o presidente da CM Porto, Rui Moreira, na próxima terça-feira à tarde (14fev23) para, mais uma vez, contar com os préstimos do Ministério da Administração Interna para reativarmos os contratos interadministrativos”, conclui José Luís Carneiro.
Texto: Etc. e Tal / NIRP do Comando Metropolitano do Porto da PSP
Foto em destaque: Guilherme Costa Oliveira ( Porto.)
Fotos: Arquivo
12fev23



