Nunca se falou tanto no ‘Stop’ na última década como nos últimos dois meses. O ‘Etc. e Tal’ – modéstia à parte – foi dos primeiros a abordar as questões relacionadas com alegada falta de segurança no edifício – 6000 metros quadrados, distribuída por 6 pisos, e, de início, composta por 169 lojas, diversas áreas para restauração, duas salas de cinema, e ainda um parque de estacionamento subterrâneo -, sendo que algumas opiniões sobre o assunto mudaram, radicalmente, nos últimos quatro anos. Uma delas foi mesmo a do presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira.
Para já, o que se sabe – e de acordo com o ‘Porto Canal’ – é que os músicos do ‘Stop’, no Porto, estão a preparar um festival ao ar livre, para o próximo mês de julho. Segundo Rui Guerra, da Associação Cultural dos Músicos do ‘Stop’, o objetivo passa por dar a conhecer os músicos que todos os dias ensaiam e trabalham no antigo centro comercial, à Rua do Heroísmo, paredes meias com o Museu Militar do Porto.
Em relação ao futuro do ‘Stop’, ainda não são conhecidos novos avanços. A Câmara do Porto pediu à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil para realizar uma inspeção ao edifício, mas a ANPC disse que “não tem competências” para o fazer. Na altura, esta resposta foi criticada por Rui Moreira.
RUI MOREIRA: “A CONTINUIDADE DO ‘STOP’ É, PRATICAMENTE CERTA!”
Rui Moreira que há quatro anos, ao ‘Etc. e Tal’ e de acordo com reportagem efetuada no ‘Stop’ – fomos dos primeiros a revelar relevando os problemas no edifício do antigo centro comercial –, na edição de fevereiro de 2019 , e tendo em conta os problemas de segurança levantados em relação ao edifício, mostrava-se preocupado com a situação, mas acreditava no futuro do espaço, pelo que, “é, praticamente certa, a continuidade de um centro que já foi comercial e, pelos vistos, agora é industrial”.
Quanto ao ‘risco de tragédia’, apontado pela Proteção Civil, o autarca referiu que “risco de tragédia pode acontecer em qualquer parte da cidade, o que há é um problema de segurança que tem a ver com uma legislação pertinente”.
“Tivemos já uma conversa demorada com o representante dos senhorios, e também com as pessoas que lá trabalham ou que têm a sua atividade. Nós não temos outro sítio para onde eles possam ir, e eles também não querem de lá sair, e portanto estamos a encontrar um modelo que permita aos proprietários fazerem as obras e também garantir alguma receita. Vamos ver se os próprios músicos o conseguem garantir. Nisso nós podemo-los ajudar. Estou convencido que tudo se irá resolver!”
“É ALI, A FÁBRICA DE MÚSICA DO PORTO”
Para Rui Moreira, ainda na entrevista ao ‘Etc. e Tal’ de fevereiro de 2019, o Stop “é um património muito importante para a cidade é ali a fábrica de música do Porto, até é quase que uma indústria, e se é… é uma das últimas indústrias do Porto. Como tal tudo faremos para a preservar”.
“É UM SÍTIO ONDE, POR EXEMPLO, OS MEUS FILHOS VÃO À PROCURA DE MÚSICA”
Quanto ao interesse por parte da autarquia na compra do imóvel, o edil foi perentório: “Não é interesse, a Câmara não gosta de se substituir aos legítimos proprietários. Aquilo que eu disse foi que se fosse caso disso, ou seja se os proprietários através deste reequilíbrio não conseguissem cumprir com os objetivos, nós não fechávamos a porta a essa possibilidade. Não queremos é que aquilo morra. Queremos que aquilo fique ali. É um sítio mítico da cidade. É um sítio onde, por exemplo, os meus filhos vão à procura de música. O Stop é um laboratório vivo!”
HÁ QUATRO ANOS: CARLOS FREIRE (ADMINISTRADOR): “JÁ PAGAMOS MIL EUROS A UM GRUPO DE ENGENHARIA PARA SE FAZER AS OBRAS!”
Há quatro anos, e contrariando o alarmismo que está a ser feito sobre o problema que afeta o ‘Stop’, Carlos Freire, administrador do local – onde labora há cerca de 28 anos -, revelou (há quatro anos) ao ‘Etc. e Tal jorna’ que o encontro, realizado em meados do ano passado, com os responsáveis da Câmara Municipal do Porto não foi conclusivo, e que depois de indeferido um primeiro projeto para obras de beneficiação, respeitando as exigências da Autoridade Nacional da Proteção Civil, “já se encontra em estudo um segundo projeto, que está a ser efetuado por um Gabinete de Engenharia e ao qual pagamos já cerca de mil euros”.
“Isso revela o nosso interesse em resolver a situação”, realça Carlos Freire, que quanto a situações de segurança refere que “já se registaram há tempos dois incêndios e os mecanismos de resposta funcionaram sem problema”.
Problema que, no entanto, continua a preocupar a Proteção Civil que, mesmo assim, não fez qualquer tipo de ultimato – em termos de prazo – à administração do “Stop”.
“Só sei que se se fizerem obras alguém as terá de pagar. E o que sei também é que a Câmara Municipal do Porto, que se diz querer comparar este imóvel, não investiu um cêntimo neste edifício”, revela o entrevistado.
Problema visível, há quatro anos, e relacionado com a segurança do edifício, diz respeito a uma saída de emergência (ver foto) que foi “estranhamente tapada”, isto alegadamente por quem gere aquele que parece ser um parque de estacionamento – agora vedado ao público (no antigo Palácio Ford, contiguo ao Stop.
Carlos Freire salienta que já foram feitos dois simulacros de incêndio no espaço e “tudo correu bem, ou seja, foi dada resposta cabal às exigências”, e tão segura é a “coisa” que já cá vieram interessados ver as instalações. Mas, nada disseram…” relacionando, Carlos Freira a visita com eventuais interesses imobiliários.
Isto foi há quatro anos. No início da pandemia. Passado esse tempo o ‘Stop’ volta à baila, como à baila surgem importantes declarações públicas, como as da vereadora comunista na Câmara do Porto, Ilda Figueiredo, que disse considerar “o Centro Comercial ‘Stop’ é um edifício muito importante para a cidade do Porto e que deve ser preservado. A vereadora da CDU defendeu que é fundamental “assegurar que o Centro Comercial ‘Stop’ continue a funcionar com condições mínimas, que já existem”, acrescentando que “a Câmara e o Ministério da Cultura devem tomar as medidas necessárias, seja para uma posse administrativa, seja para a compra, seja a utilização de verbas do PRR, e fazer as obras necessárias para transformar o ‘Stop’ num grande centro cultural”.
Palavras que em pouco divergem com as de Rui Moreira, só que… há quatro anos.
Texto: José Gonçalves (*)
Fotos: Mariana Malheiro e Arquivo ‘Etc. e Tal’
(*)atualidade com ‘Porto Canal’
05mar23




