O Bicentenário da Independência do Brasil trouxe, aos países irmãos, um ineditismo em todo o mundo. A “colónia e colonizador a celebrarem a independência, de uma forma nunca antes vista em todo o mundo”, como referiu esta quarta-feira (29mar23) o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, durante a apresentação do catálogo dedicado à história dos dois países.
Inês Monteiro Carlos Amaro
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A exposição de D. Pedro IV teve início no dia 29 de dezembro do ano passado, contando até à data com mais de 25 mil visitantes. Com o objetivo de manter a exposição viva, o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, a professora do Departamento de História e de Estudos Políticos e Internacionais da U.Porto, Conceição Meireles Pereira, e o embaixador do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro Silva, apresentaram um catálogo bilingue, com toda a exposição, bem como documentos oficiais e referências que nos dão a conhecer toda a história.
Conceição Meireles Pereira, responsável pela exposição garantiu que apesar da figura de D. Pedro “ser controversa e polémica” a verdade é que a história que com ele traz “continua a atrair gerações”, e que este catálogo fará perdurar a história.
“A figura de D. Pedro IV, é uma figura que emociona todos, pela sua juventude e façanha corajosa”, afirma o embaixador do Brasil em Portugal, Raimundo Silva, que acompanhou a viagem do coração desde o início, recordando o bicentenário do Brasil, enfatizando o ineditismo que o festejo trouxe por “juntar ambos os países em comemoração”, ainda que, salientou, tenha estado apenas o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a representar o país nas celebrações.
Rui Moreira, agradecendo a todos os envolvido na exposição, bem como aos vereadores, autarcas e autoridades civis e militares, e a todos os presentes na sala, inicia o discurso afirmando que a exposição “começou com algumas vicissitudes”, mas a história, nomeadamente a revolução de 1820, apesar de “ter sido esquecida pelos portugueses”, não passou ao lado à Câmara Municipal do Porto, que “não podia deixar passar ao lado esta história, até porque poucos a quiseram contar”.
O presidente não deixou de expressar o seu descontentamento perante a comissão nomeada pelo parlamento, devido ao “tão pouco destaque á manifestação de 1820. Não sei se for por ter sido uma questão liberal e o liberalismo na altura ter outro significado.” Assim como, afirmou ainda, que lamentava o facto de o bicentenário do Brasil ter sido festejado com entusiasmo, porém, a ida do coração do monarca “levantou mais questões sobre a interferência na política no Brasil, e se o coração voltava ou não, do que propriamente o interesse sobre o momento histórico.”
“Vamos os utilizar os recursos que temos para não deixarmos morrer a história.”, foi a frase escolhida por Rui Moreira para terminar o seu discurso, salientando que é importante não interpretar a história “à luz dos contextos de hoje”, e deve ser relembrada, para que “perante o passado, se olha para o futuro”.
30mar23






