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“Encontro de Janeiras” animou freguesia do Bonfim (Porto)

O Cantar de Janeiras é uma manifestação popular de amizade e convívio, que alguns pretendem ser de reminiscência pagã das Festas do deus Jano, na mitologia romana. Seja como for, a origem de cantar as Janeiras, em Portugal, é uma tradição antiquíssima que já nos vem referida por Fernão Soropita, em 1595. Muitas transformações teve esta manifestação popular no modo como se realiza. Começou por ser cantada de porta em porta com sabor puramente religioso e foi-se desviando para abordar outros temas principalmente políticos e sociais. Nas cidades começa a ser tradição serem cantadas como espetáculo, em recintos fechados e por vários grupos de cantores.

É o que aconteceu aqui no Bonfim: um encontro de janeiras organizado pelo executivo da Junta de Freguesia. Nesta freguesia, muito populosa e com forte imigração de gentes vindas de outros distritos, variados cantares de janeiras foram sendo aculturados, por que o movimento de janeireiros era grande. O “cantar de janeiras” no princípio do séc. XX viveu em parceria com os “grupos de boas festas”.

Estes grupos representavam revistas expressamente feitas para esta época e nela chamavam a atenção para os grandes dramas dos pobres. Cá no Bonfim distinguiu-se o grupo os “filhos do Visco” que, organizando trabalhadores, destinava o produto das suas representações para manter a escola e a biblioteca de Eirinhas. Tempos heroicos em que as gentes do Bonfim sempre estiveram na frente da luta contra o obscurantismo e a miséria.

O executivo desta junta tentou constituir as revistas deste e outros grupos do passado, como “os unidos de Santos Pousada”, “Leões do Campo 24 de Agosto”, entre outros. A seguir publicamos um texto que o Escritor Bonfinense Dr. Inácio Nuno Pignatelli ( que esteve presente) nos fez chegar:

Noite de Cantar de Reis

“Em Portugal é uma tradição que já nos vem referida por Fernão Soropita em 1595, conforme se podia ler nas folhas que amavelmente nos foram distribuídas pelo senhor José Soares.
As vozes e os sons dos instrumentos aqueceram a noite em volta da fogueira no recreio da escola primária num Encontro de Janeiras na noite de 16 de Janeiro.
Vinham de Gaia, do Minho, do outro lado da cidade, para além dos anfitriões. O nosso Rancho Folclórico do Porto.
Trajados a rigor, onde as samarras, os lenços e os mantos pontuavam, os reiseiros ergueram as vozes em saudações de boas festas melodiosas entoando Cantares ao Menino e desejos de Bom Ano encantando o Bom Ano encantando os ouvidos e o olhar do publico que não arredou pé e bateu palmas. Na fogueira as chamas dos cavacos a arderem também aqueceram a noite.

Destacaram-se nos vários grupos, pormenores de bom recorte, como as toadas originais ora lentas ora mais mexidas do grupo do infante D. Henrique, o animado acordeonista e as vozes femininas do Rancho Folclórico de Canelas, o esmero do Traje, as vozes das mulheres e o bom coro dos homens do Rancho Folclórico do Porto, a batida da mulher das conchas, o homem da viola e as alegres concertinas da Ronda Típica da Meadela.

“São as Boas Festas
Que viemos dar
Estais acordados
Vinde cá ver
Trazei a caneca
Prá gente beber.”

Bem acordados e embalados pela ternura daqueles cantos ficamos nós todos como se de repente por magia ali tivessem chegado os três Reis do Oriente Baltasar, Melchior e Gaspar ou os seus anunciadores. E se entre os cantadores alguns cantava

“Dai-nos castanhas e vinho
Rabanadas, salpicões
E para a nossa partida
Ao menos cinco tostões.”

Alguém ao nosso lado afirmou convicto que os cinco tostões estavam garantidos. Era o Sr. Presidente da Junta. Foi uma noite memorável de bem saudar o Novo Ano e do agrado de todos”.

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Texto: Junta de Freguesia do Bonfim – Porto-Portugal (site) e Inácio Nuno Pignatelli

Fotos: JF Bonfim

 

01fev15

 

 

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