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BISNETOS DE EÇA DE QUEIROZ MANIFESTAM-SE CONTRA A TRASLADAÇÃO DOS RESTOS MORTAIS DO BISAVÔ PARA O PANTEÃO NACIONAL! CERIMÓNIA ESTÁ MARCADA PARA 27 DE SETEMBRO…

Os bisnetos e legítimos herdeiros de Eça de Queiroz manifestaram, em carta dirigida ao Presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, a “mais sentida indignação e surpresa pela forma como foi promovida a execução da Resolução da Assembleia da República que autorizou a trasladação dos restos mortais” do seu bisavô, “do cemitério onde jaz, em paz, ao lado da sua filha, em Santa Cruz do Douro, Baião, para o Panteão Nacional”. Os bisnetos do escritor pedem, assim, que seja votada a retificação da Resolução da Assembleia da República em causa.

A reação dos bisnetos do Escritor surge depois de, no passado dia 14 de julho, o deputado Pedro Delgado Alves – membro do grupo de trabalho criado pela Assembleia da República para definir a data e o programa da cerimónia de trasladação – ter anunciado que os restos mortais de Eça de Queiroz serão trasladados para o Panteão Nacional no próximo dia 27 de setembro.

Antes, porém, ou, mais concretamente, no passado dia 12 de abril, já o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, tinha anunciado que os restos mortais de Eça de Queiroz seriam trasladados para o Panteão Nacional “brevemente”.

De recordar, que a Assembleia da República aprovou por unanimidade, em janeiro de 2021, um projeto de resolução do PS para “conceder honras de Panteão Nacional aos restos mortais de José Maria Eça de Queiroz, em reconhecimento e homenagem pela obra literária ímpar e determinante na história da literatura portuguesa“.

Ficou também decidido, na altura, através da mesma resolução, “constituir um grupo de trabalho composto por representantes de cada grupo parlamentar com a incumbência de determinar a data e de definir e orientar o programa de trasladação, em articulação com as demais entidades públicas envolvidas, bem como um representante da Fundação Eça de Queiroz”.

FAMILIARES DO ESCRITOR “NUNCA FORAM CONSULTADOS OU, PREVIAMENTE, OUVIDOS”

Agora, na missiva dos bisnetos de Eça de Queiroz dirigida ao presidente da Assembleia da República – à qual o ‘Etc. e Tal’ teve acesso -, José Maria Eça de Queiroz, António Benedito Afonso Eça de Queiroz, Maria Teresa Afonso Eça de Queiroz, Isabel Maria Afonso Eça de Queiroz, Francisco de Paula Queiroz de Andrada, Ana Leonor Queiroz de Andrada, consideram que “tal Resolução, de 2021, afronta a vontade de Familiares do Escritor, entre os quais os subscritores, que nunca foram consultados ou previamente ouvidos sobre tal propósito. Afronta a vontade do povo de Santa Cruz do Douro, e de muitos munícipes de Baião, que se orgulham de acolher, na sua terra, eternizada como ‘Tormes’ na eloquente prosa de uma das maiores figuras da Literatura Portuguesa”.

“A esse tempo”, lê-se, “manifestaram o seu desagrado e oposição através de um abaixo-assinado promovido por cidadãos locais e que recolheu mais de quatrocentas assinaturas. E afronta, sobretudo, a vontade presumida de Eça de Queiroz, que os seus Familiares e instituidores da Fundação Eça de Queiroz fizeram questão de respeitar, quando, em setembro de 1989, contra todas as dificuldades, não pouparam esforços para conseguir a trasladação dos restos mortais do Escritor de Lisboa, onde havia sido sepultado, para ‘Tormes’, como seu último destino.

Decorridos quase dois anos sem sinal ou evidência do prosseguimento do propósito da trasladação, o tema emergiu, há algumas semanas, reacendendo a polémica e convocando de novo todos os que, no respeito pela vontade do Escritor, entendem que é em Tormes que ele deve ficar!”.

Panteão Nacional

Os subscritores “ousam”, assim, “solicitar” ao Presidente da Assembleia da República que “se digne divulgar pelos Grupos Parlamentares da Assembleia da República a que Vossa Excelência preside para a convergência de esforços no sentido de ser votada a retificação da Resolução da Assembleia da República em causa, de modo a ser prestada a homenagem e distinção pública e nacional, com honras de Panteão, a Eça de Queiroz na modalidade legalmente prevista, com aposição de lápide evocativa do seu nome, à qual se associarão, os que subscrevem este documento e todos os que a eles se associam.”

 

Texto: JG

Foto em destaque: Baião Canal

Fotos: pesquisa web

 

17jul23

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