José Gonçalves
(diretor)
Esperava por tudo, menos por isto. De um momento para outro, Miguel Relvas transformou-se num “incendiário político”, “obrigando” António Borges – conselheiro não sei de quê- , em entrevista à TVI, a “atear” um fogo, de consequências previsíveis, na televisão do Estado.
Relvas assistiu ao despoletar das primeiras chamas, “fugindo” depois para Timor, onde, descaradamente, defendeu, enaltecendo, o papel da RTP, como empresa pública, na formação de futuros profissionais para a televisão estatal timorense.
O homem, que já mentiu aos portugueses uma série de vezes e que continua com a corda na garganta em termos de continuidade no governo, “aliciou” Borges a levantar a ponta do véu do processo que diz respeito à privatização de um canal RTP. Processo que não faz parte do “Memorando” da Troika, nem tão pouco – nesta vertente específica – do programa eleitoral apresentado pelo PSD
Objetivo: concessionar a RTP1, fechar a RTP2 e ainda o canal 3 e 2 da RDP. O homem queria ver como reagiriam as pessoas. E viu. Viu, gostou… não gostando. Explico: Viu, para seu gosto (como bom “incendiário), uma viva contestação à proposta anticonstitucional por parte de personalidades de relevo na política nacional… só não gostou de sentir um tiro no pé quando o CDS criticou a decisão, e de igual forma, alguns barões do seu próprio partido (PSD), que não se coibiram de lançar farpas à proposta com assinatura do furtivo Relvas.
Relvas que sabia, como o sabia Passos Coelho, que era necessário assustar os “pardais” nesta altura do campeonato. Borges abanou a árvore, e a árvore, caiu-lhe em cima. Ateou, depois, o fogo, mas a área ardida foi, de imediato, controlada e tudo ficou – como irá ficar – por uma tentativa – politicamente criminosa– que acabou morrendo nas cinzas.
O senhor Relvas já tem idade para ter juízo. Mas não o tem!
Brinca aos fogos porque sabe que tem apoio para os atear. Nem o meu sobrinho, com oito anos, se atreve a fazer coisa do género, mas esse senhor está a marimbar-se para tudo o que lhe dizem; para os avisos que lhe fazem dentro do próprio partido e até mesmo dentro do governo.
É o “quero posso e incendeio” para bem da Nação.
Penso, sinceramente, que ele é parecido com João Franco, político (ditador) na fase final da monarquia, ainda que sem poderes para tal, mas se os tivesse, seria… tal e qual o ministro e secretário de Estado dos Negócios do Reino. Outra diferença há a registar entre Relvas e Franco, é que este era formado em Direito pela Universidade de Coimbra.
Defender um canal público de televisão – quando outros países apostam nesse serviço, e o nosso não! – é uma exigência nacional. É a preservação da nossa identidade.
Relvas poderá não saber o que é isso de “identidade nacional”, até porque poderia concessionar o canal público de Portugal à China ou a Angola ou até mesmo ao Butão, mas os portugueses sabem com que linhas se vão cosendo ou obrigados a coser!
E tanto sabem, que o ministro “politicamente incendiário” levou mais um tiro no pé, quando Coelho (ou o Passos, não sei!?) disse que tudo estava ainda em águas-de-bacalhau e que a “coisa” acabará só por ser decidida quando for decidida.
Perceberam?
Eu, não!
Atenção, que vem aí a discussão e a aprovação do Orçamento de Estado para 2013! Atenção que estão, na mesa, matérias legislativas extremamente importantes, e que tudo, de um momento para o outro, pode ir por água- abaixo.
É claro que acordos troikianos condicionam a queda de água, mas nunca uma remodelação ministerial.
Já ouvi está canção algures, a letra é que me parece diferente: “Oh Relvas Oh Relvas Demissão à Vista”…
Vá-se embora senhor! Seja português e respeite os portugueses!
Liderança bicéfala
Francisco Louçã abandonará, em novembro, a liderança do Bloco de Esquerda como coordenador do movimento, defendendo, entretanto, uma direção bicéfala (um homem, João Semedo, e uma mulher, Catarina Martins… dois nortenhos, do Porto) para gerir os destinos do “partido”.
Ouvi dizer que, com isso, o BE se aproximaria mais do PS (não lhe ficava nada mal!), mas, a questão de liderança bicéfala, ao contrário do que se diz, não é original.
Já existe, pelo menos há mais de um ano, e no nosso país. No nosso governo. Passos e Coelho!
Passos às dez horas diz uma coisa e Coelho, horas depois, desmente o que o outro tinha dito.
Este é, por certo, um exemplo que o Bloco não quer seguir, mesmo seguindo a bicefalia aconselhada pelo saudoso Miguel Portas. O Bloco tem de estar atento ao rumo dos rumos que fazem rumar este país, onde as pessoas já têm medo de falar… de votar. Esses têm medo de tudo. E se o já têm de um político, quanto mais de dois no mesmo “poleiro”.
Vergonha!
Com o défice a ultrapassar os cinco por cento, quando era de quatro e meio a percentagem exigida pela Troika para o corrente ano; e com a taxa de desemprego a chegar aos 15,7 por cento (outro recorde que será, brevemente, ultrapassado), deixem-me agora, como português, corar de vergonha:
Quatrocentos miúdos pediram, este ano, ajuda telefónica ao Instituto de Apoio à Criança (IAC), por se encontrarem em situação de perigo, ou por existência de maus tratos físicos na família.
Vou repetir o parágrafo anterior:
Quatrocentos miúdos pediram, este ano, ajuda telefónica ao Instituto de Apoio à Criança (IAC), por se encontrarem em situação de perigo, ou por existência de maus tratos físicos na família.
Pergunto, humilde e inocentemente: o que é isto?
Não respondo, porque alguém responsável, mais tarde ou mais cedo, o terá de fazer.
Não tenho filhos, mas amo, considerando, os filhos da nação.
Vejam, então, como os tais filhos da lusa pátria estão a ser tratados, não só no seio familiar, mas por toda a politiquice mentirosa e ladra instalada neste país, que perde valores a toda a hora, que destrói a família, a educação, a saúde, a economia, o trabalho, o bem-estar e a dignidade humana: “destroika-nos”!
Reparem numa coisa: Já são os miúdos a pedir socorro! Os miúdos… futuros governantes deste país!
Português sério e com vergonha na cara, e perante estes factos, só tem de ficar corado!
Estou corado e também revoltado!
Mas, a minha revolta expressa-se nestas linhas. E a das crianças? Pelos vistos, só… pelo telefone! Aquelas que o têm (telefone) e sabem o número. E as outras que não o têm, e mesmo sabendo o número, não se conseguem defender e são vítimas de atentados familiares? É…é (!): em “casa onde não há pão…”
Mas, não há pão porquê?
Já estou cansado de falar sobre este (nobre!) país.
Sejam felizes
Até outubro!
