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Uma década e o final de um ciclo…

José Gonçalves

(fundador e diretor)

No dia 21 de janeiro de 2010 estava a léguas de pensar que, passados dez anos e poucos dias estaria aqui a comemorar – como hoje o faço – uma década de um projeto que abracei de corpo e alma, e que lhe dei o nome de “Etc e Tal”.

Etc e Tal que fez-se, e faz-se, caminhando. Passando com êxito por diversas metas volantes, em etapas sempre exigentes, sem qualquer tipo de obsessão quanto à conquista de qualquer camisola de líder, e muito menos da amarela, isto porque não temos meta final no horizonte.

O Etc e Tal chegou aqui, não só através do meu esforço (não o nego, porque é uma evidência), mas acima de tudo por causa da dedicação de um coletivo, formado por voluntários e voluntárias, que gostam de escrever, de fotografar, do relacionamento direto com as novas tecnologias, isto entre outras artes compatíveis com o complexo mundo do jornalismo.

Tudo aqui é feito com paixão e dedicação. Sendo que a dose de paixão é a mesma da responsabilidade, do rigor, e da isenção.

Aos nossos colaboradores e colaboradoras, o jornal deve-lhes o facto de estar vivo e bem vivo; o de ter um importante estatuto que se traduz no facto de ser respeitado; e ainda o de ser um exemplo de credibilidade e qualidade, ao ponto de, ao longo desta década, nunca termos sido chamados à Justiça por este ou aquele problema relacionado com este ou aquele artigo; com esta ou aquela reportagem. Nem de, periódica e sistematicamente, termos de desmentir esta ou aquela notícia.

O “Etc e Tal” é, assim, um jornal de portas abertas, como de portas abertas nos recebem todos aqueles que fazem parte do nosso universo informativo.

Não andamos na rua por andar, nem nelas andamos a dormir…

Há realidades que têm de ser reveladas, sejam elas boas ou más, e essas realidades, sem medos ou qualquer tipo de receios, são no jornal publicadas, e isto sem a supervisão censória de qualquer empresário; cacique, politiqueiro ou fazedor de audiências.

O “Etc e Tal” é dos poucos jornais livres no complexo mundo da informação em Portugal. E livre se manterá, independentemente de precisar de apoio para sobreviver, ou seja, para dar resposta aos constantes desafios que nos são colocados, quanto mais não seja, em termos tecnológicos.

O nosso jornal não tem uma equipa, tem, isso sim, uma família. Não tem um patrão, nem um chefe, tem um líder, entendendo-se por líder, quem convive com quem, neste caso, colabora com o projeto; que ajuda; que ensina aquilo que sabe, e sabe-o, em termos jornalísticos, há 36 anos.

Há 36 anos, comecei a aprender no saudoso jornal “O Primeiro de Janeiro” – onde me iniciei neste mundo como colaborador passando anos mais tarde a chefe editor de secção – a saber fazer jornalismo credível, anti-populista, demagogo, mentiroso, de garrafais sanguinárias, ou de notícias caças em cima do joelho. Isso, o que aprendi, tento transmitir, como o já transmiti em outros projetos que liderei, ou dos quais fiz parte.

Abrir as portas a novos valores, a jovens e não jovens que queiram connosco colaborar, é uma das mais-valias deste jornal, que vive há dez anos em são convívio com os seus leitores, que já foram centenas e hoje são milhares.

Um jornal que abre as portas às coletividades, instituições e até a grupos que têm algo de valoroso para dar a conhecer à sociedade e que, não fosse o “Etc e Tal jornal” com o seu jornalismo de proximidade, morreriam no anonimato, e não lhes seria dada a devida e justa projeção.

É bom dizer que fazem-se coisas muitos bonitas que os órgãos de comunicação social destinados, essencialmente, a massas, esquecem. Nós, que não fazemos, nem queremos fazer, concorrência a quem quer que seja, somos, com o divulgar dessas coisas bonitas, um complemento de informação.

Como o somos também quando reportamos coisas feias; quando divulgamos as dificuldades que afetam pessoas, famílias, coletividades, comunidades…

Não foram poucas as que publicamos.

Mas também não nos esquecemos de publicar o contrário, que é como quem diz, tudo de bom que aconteceu nas nossas comunidades, e principalmente neste desprezado Porto Oriental que, felizmente, e de há sete anos a esta parte se está a desenvolver, tendo, pelo menos e para já – como já não o tinha há décadas e décadas – projetos em papel e algumas obras – que pareciam ficção – já em curso.

É com este equilíbrio e rigor informativo; independente e sério, que avançamos, e avançamos com os pés bem assentes na terra, tentando nunca dar um passo maior que a perna, nem ultrapassar, quem quer que seja, pela direita.

Por isso, a ninguém nos vendemos, nem desrespeitamos os leitores com anúncios em cima de artigos, notícias ou reportagens, obrigando-os a constantes cliques para lerem o que realmente lhes interessa.

Os fazedores de publicidade ainda não entenderam que isso só prejudica a empresa que representam.

Aqui, no “Etc e Tal jornal”, a publicidade tem o seu próprio espaço! Quem quiser consultá-la vai lá; quem não quiser, não vai, mas não é por isso que a sua leitura será por interesses comerciais condicionada ou prejudicada.

Relevei este facto, como poderia relevar outros que caraterizam a nossa forma de estar no jornalismo; o tal que vive uma crise profunda, a qual não é de agora. Já se arrasta há décadas.

Veja-se o que é feito de títulos, que eram verdadeiras instituições, como “O Primeiro de Janeiro” e o “Comércio do Porto”. Fecharam as portas na primeira década do presente século.

A crise é agora mais notória, porque o senhor Presidente da República alertou para o facto, e, com esse alerta – na defesa da liberdade de expressão -, obrigou a que se descobrissem verdadeiros atentados aos profissionais da informação, que, mesmo assim, não foram totalmente revelados.

O “Etc e Tal jornal”, aproveitando o apelo do senhor Presidente da República, e depois do primeiro-ministro, também precisa de apoios institucionais para desenvolver a sua atividade. Mas, diga-se e destaque-se, que não é por aí, ou na sua ausência, que será assinada a nossa certidão de óbito.

No entanto, com esse apoio iremos mais longe sem nunca perdermos as nossas caraterísticas, que é o mesmo dizer alterar a nossa linha ou Estatuto Editorial.

Como referi de início, nunca me passou pela cabeça, há dez anos, estar aqui a comemorar o que hoje aqui se comemora, nem tão pouco conhecer a nobre gente que conheci ao longo deste tempo todo.

Uns a colaborar com o jornal, outros a seguirem o jornal e a contar-lhes, de forma séria e oportuna, os problemas que os e as afetam, mas também tudo de bom que fazem, salientando, dessa forma, feitos que jamais alguém conheceria com a dimensão que o “Etc e Tal jornal” já tem.

Mas, como um jornal tem de ser também interventivo, a verdade é que a partir de 2014 – altura em que se começa a dar uma verdadeira revolução no nosso jornal – começam a aparecer as primeiras iniciativas por nós criadas, como dois torneios de xadrez – um dos quais realizado neste salão – e que reuniram largas centenas de praticantes, para nesse mesmo ano, se iniciarem, a 10 de junho, as excursões Etc e Tal, que contam hoje com 37 passeios realizados, a localidades do centro e norte do nosso País, como também à Galiza, estando agendado, para 15 de março, a 38.ª excursão, desta feita à aldeia de Provesende, no Douro Vinhateiro.

Com a organização destas excursões fomos, no fundo, criando laços familiares entre leitores e moradores da freguesia onde se encontra sediado o jornal – esta, do Bonfim – levando mesmo a que alguns – curiosos em conhecer o que vinha publicado no jornal – iniciassem alguns cursos de informática, para poderem aceder ao “Etc e Tal”.

Mas, foi em finais de 2014 e inícios de 2015 que, efetivamente, este jornal deu o salto em termos de difusão, e crescimento das suas audiências, com a alteração do logotipo e a inclusão de novas rubricas temáticas.

Com um número em crescendo de colaboradores e, assim, a entrada de gente jovem com novas ideias, disposta a colaborar em diversos campos da informação, e com credíveis conhecimentos práticos de informática, o “Etc e Tal jornal” inicia aí um crescimento imparável.

Nesta que intitulo de revolução interna, em termos gráficos e de trabalho de reportagem, não posso nem devo esquecer, o nome do jovem Pedro Nuno Silva que deu ao “Etc e Tal jornal”, e na altura com os seus dezasseis anos, um impulso digno de registo, sendo também de salientar – ainda há pouco mais de um ano -, a renovação gráfica por ele feita no que concerne à apresentação de conteúdos.

E é neste “mundo” que vivemos. O “mundo” da informação, sempre exigente e inapelável em termos crescimento adaptado às novas exigências tecnológicas.

Mas por muitos sucessos alcançados, não andamos, como não ando, há procura de galardões; de aperto de mão só para a fotografia; de presença em feiras de vaidades; de ter de inclinar a coluna para o beija-mão protocolar.

Nada disso!

Quem nos conhece sabe que aparecemos nas coisas quando entendemos; quando achamos que é oportuno e do interesse dos nossos leitores, e quando tudo está de acordo com os nossos objetivos editoriais. Disse e repito… editoriais, não “comerciais”.

Se referi há pouco que não nos vendemos, refiro agora que também não nos vergamos, e que pela liberdade de expressão, pela democracia, lutaremos sem dar tréguas.

Por isso, também já defendemos causas.

Logo de início para que esta freguesia não se unisse a uma outra qualquer. Demos o nosso contributo para que o Bonfim mantivesse as suas fronteiras, e o Bonfim mantém as suas “fronteiras”.

Mais recentemente, estivemos ao lado de uma Associação que durante cinco anos lutou pela dignificação da Mulher Carquejeira, a tal escrava que, com o produto às costas, subia vezes sem conta a íngreme calçada da Corticeira – hoje das Carquejeiras – e com a carqueja calcorreava as ruas da cidade.

A “Maria”, que é como se vai chamar a tão almejada e justa estátua, vai ser uma realidade, e, nas Fontainhas, perpetuará a Mulher Escrava que, pelos vistos, parte do Porto desconhecia, e quando a conheceu se envergonhou, fazendo – esse Porto – tudo para que esse período da história social da cidade fosse escondido.

Não conseguiram! E não conseguiram tudo por causa do trabalho e persistente luta desenvolvida, pelo menos (pelo menos, repito!) por duas mulheres que bem conheço Arminda Santos e Maximina Girão Ribeiro, que também é colunista no “Etc e Tal jornal”.

O Porto deve-lhes um agradecimento.

Nestes 10 anos entrevistamos gente conhecida do grande público, facto que veio credibilizar ainda mais o jornal. Mas, também o fizemos com gente nobre que, no anonimato, desenvolveu coisas valorosas e que da Lei da desconsideração ou do não reconhecimento, com o Etc Tal, se libertou.

Abrimos, nesta década, as portas a todos que livremente escreveram, e escrevem, na nossa Tribuna que também é livre… de uma liberdade responsável. Fomos ao fim do bairro; fomos à estratosfera, isto aproveitando, mas traduzindo à nossa maneira, um velho slogan da saudosa TSF… quando era TSF e não nos encharcava de publicidade a todo o minuto instante.

E refiro-me à antiga TSF, como saliento o Expresso, ou a Visão como exemplos do bom jornalismo que se faz em Portugal, e que para mim, são referências de qualidade, independentemente de em todos os outros órgãos de comunicação social existirem excelentes jornalistas, bem como ótimos colaboradores e estagiários que, infelizmente, não passam, na prática, de tarefeiros, não chegando se quer a ter o estatuto de voluntários, enganados como foram e estão a ser pelas suas entidades patronais, satisfeitas com o encher de bolsos através de um trabalho miseravelmente pago, quando pago.

Isto é verdade!

O “Etc e Tal” tem voluntários.

Em reportagem – com parcerias – lá conseguimos pagar os transportes e a alimentação, e não são desconsiderados, nunca o foram, até porque os seus trabalhos sempre foram por mim atentamente acompanhados para que nada lhes faltasse.

É esta uma outra das razões pelas quais o jornal resiste existindo.

É esta uma outra das razões pelas quais um número residual de colaboradores (três) teve de ir de malas-aviadas do “Etc e Tal jornal”, confirmando-se assim a velha máxima que há sempre uma ovelha ranhosa na família.

Promoverem-se de forma pouco transparente à custa do jornal. Falar mal deste ou daquele camarada de equipa nas costas do mesmo. Desrespeitar quem trabalha, aqui… não dá!

E relembro estes factos, só para, no fundo, vos dar a conhecer que nesta família todos nos tentamos entender, o que é, na realidade, fácil, porque cada um trabalha em sua casa; e fá-lo quando estiver inspirado dentro do período destinado à entrega de trabalhos.

Há pressão. Peço imensa desculpa, mas às vezes tem de haver. E há, porque os prazos são para cumprir, e cumprir, não para comigo mas para com o público leitor que, em número crescente, se habituou já ao dia um de cada mês visitar lendo o jornal… o Tal Etc.

Infelizmente, 90 por cento da feitura do jornal está em mim concentrada: 130 a 150 artigos em média por mês, para corrigir e paginar; marcação se serviços; realização de reportagens e entrevistas da minha autoria – era o que faltava, como jornalista não o fazer -, realização de excursões com todo o trabalho a ele inerente; contactos interinstitucionais, etc. e tal. E disse infelizmente, não porque tenha medo e não goste de trabalhar – está mais provado que não! – mas pelo simples facto de quando um dia me der o “badagaio”, o jornal correr o risco de desaparecer.

Estou a lutar para que isso não aconteça, vamos lá ver no que resultará essa luta.

No dia 21 de janeiro de 2010, na Associação de Moradores da Lomba, aqui no Bonfim, e n altura presidente da Direção, aproveitei estar a ser desenvolvido um curso de informática para jovens e idosos, para chegar junto do Hugo Sousa – que está ali – e pedir-lhe para me transportar para site um blogue pessoal também intitulado Etc e Tal.

E intitulado Etc e Tal porque esse título já tinha sido por mim utilizado num jornal (fotocopiado e depois impresso) que fiz nos meus tempos de estudante no Liceu Alexandre Herculano, e que foi um sucesso.

E, pronto, abriu-se o caminho.

Apareceram os primeiros desafios, os inesperados mas torneados problemas, mas também a força para avançar e o reforçar de uma equipa que é família. Com esse avanço, com uma equipa mais próxima, torneei as contrariedades da vida, com a doença a bater à porta e por ela entrar sem autorização e… o desaparecimento de gente querida como os meus pais…

Mas estou – estamos – aqui. E a pensar positivo

E não é que há 10 anos jamais me passou pela cabeça chegar onde cheguei com este título e etc. e tal?

01fev20

 

 

 

 

 

 

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