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CENTRO RECREATIVO DE MAFAMUDE: Uma instituição centenária preparada para o futuro

 

 

 

Cem anos. Uma vida em prol da cultura, do desporto e do recreio. Instituição de respeito do concelho de Vila Nova de Gaia, o Centro Recreativo de Mafamude (CRM) é um exemplo de atividade pró-comunitária, de desenvolvimento, persistência e respeito pelo passado.

 

Paulo Rodrigues é o líder da direção do CRM desde março de 2003. Ele enfatiza a obra feita, como traça ambiciosas linhas programáticas para o futuro, sendo a ampliação da sede social da instituição, uma das metas a atingir a médio prazo, e, consequentemente, uma das condições para candidatar-se a mais um mandato.

 

“Desde que tomamos posse temos concretizado os objetivos a que nos propusemos, entre os quais – e porque foi o mais importante -, a aquisição da totalidade da sede da sede social do Centro Recreativo.

Éramos coproprietários. O Centro tinha 50 por cento, e os outros 50 eram alugados, e pagávamos uma renda simbólica de 18 euros. Entretanto, entramos em negociações com o senhorio e conseguimos adquirir a totalidade das instalações.

Esse foi um dos principais objetivos conquistados. O outro era a obtenção do Estatuto de Utilidade Pública, processo que já foi enviado para a Secretaria Geral da Presidência do Conselho de Ministros. Da nossa parte está tudo concluído, pelo que só aguardamos o parecer final”.

 

Palavras do presidente da direção do CRM, um homem satisfeito com o trabalho realizado pelo seu coletivo e, mais ainda, com a crescente dimensão da instituição nos últimos tempos, isto em diversas vertentes de atividade.

 

“Nestes últimos nove anos, temos desenvolvido um trabalho válido em prol da comunidade, isto com variadíssimas iniciativas.

Neste momento, temos ballet, dança jazz, danças de salão, um grupo de danças andinas, de nome “Intichaski” – trabalho desenvolvido pelo equatoriano Paulo Arrera com bailarinos portugueses –, temos ginástica educativa infantil e de manutenção para as senhoras, hidroginástica e natação, na Piscina Municipal da Granja, karaté, que foi a primeira atividade a desenvolver no Centro, e ainda o Grupo de Música Popular “Sons de Outrora”, assim como aulas de viola e de piano…

 

Uma coletividade em constante movimento

 

O CRM movimenta, assim, quase meio milhar de pessoas, um número digno de registo e que, por si só, obriga a uma exigente organização, sendo de realçar, nesse sentido, a dedicação e o voluntarismo dos seus responsáveis.

“Estas atividades envolvem cerca de 400 pessoas para um universo de cerca mil sócios pagantes, porque inscritos temos quase três mil.

As pessoas para desenvolverem uma determinada atividade têm de se tornar associadas, essa é logo a nossa primeira exigência, e depois é que poderão inscrever-se numa ou em outra modalidade cultural ou desportiva.

Já passaram gerações por aqui.

Temos avós que andaram na ginástica, e que, hoje, trazem os netos para o ballet e outras coisas mais”, disse Paulo Rodrigues que faz questão de realçar ainda o facto que “a faixa etária das pessoas que frequentam as nossas atividades, vai de crianças, desde os três anos de idade, até aos 90 anos. Encontra-se cá, por exemplo, uma senhora com essa idade a fazer ginástica”.

 

O crescimento de uma instituição implica, necessariamente, outros projetos consistentes para o futuro, de modo a darem resposta às exigências.

Paulo Rodrigues refere a propósito que “com a aquisição da totalidade da sede social, o objetivo para futuro é ampliarmos as instalações. Nesse sentido existem já alguns contactos com a Câmara Municipal de Gaia. Estamos a trabalhar em conjunto para ver se conseguimos encontrar uma solução”.

 

Pelos vistos, as coisas não serão assim tão difíceis de se tornar realidade, uma vez que “há uma excelente relação, em particular, com a Junta de Freguesia de Mafamude, e com o seu presidente, Fernando Vieira, e, obviamente, com a Câmara Municipal.

Neste momento, infelizmente, não temos tido grandes apoios porque, olhando à conjuntura que vivemos, a edilidade, desde 2009, deixou de apoiar financeiramente a coletividade.

Assim, vivemos, única e exclusivamente, das quotas dos associados – as normais e as suplementares das atividades”.

 

“Mas, ainda sobre as nossas relações com as autarquias, e independentemente das convicções político-ideológicas de cada um”, continua Paulo Rodrigues, “há uma boa relação institucional”.

“No que diz respeito à Junta, saiba que Mafamude é, em termos populacionais, a maior freguesia do concelho de Vila Nova de Gaia, com perto de 38 mil habitantes

Estamos numa área central, muito urbana, que tem vida própria, ainda que, há uns tempos atrás, tenha sido mais dormitório.

A população é multifacetada. Nós abrangemos um leque muito grande de pessoas, quer em termos de faixa etária, quer em termos culturais, quer, se calhar, em termos sociais.”

 

Sede social

 

“Centenário” do CRM: um marco respeitável

 

Mas, se as muitas atividades que o CRM desenvolve, diariamente, são testemunhos da sua vitalidade, o facto de a instituição ter comemorado, em fevereiro último, cem anos de existência é, no fundo, a marca indelével da coletividade.

Para marcar ainda mais a data, a direção liderada por Paulo Rodrigues tem vindo a desenvolver um programa digno de registo.

 

“O programa de atividades relativo às comemorações dos 100 anos do Centro Recreativo de Mafamude vai prolongar-se o ano inteiro.

O Dia do Centenário comemorou-se a cinco de fevereiro, no Auditório Municipal de Gaia, onde fizemos uma Gala, na qual foram homenageados os associados mais antigos, ou seja os com ou mais de 25 anos de ligação à coletividade. No total foram 84 os homenageados.

Desde aí, temos levado a efeito, mensalmente, uma série de iniciativas.

Para já, temos tudo programado até ao final do primeiro semestre deste ano, depois, e no que diz respeito ao segundo semestre, divulgaremos, oportunamente, as iniciativas que eremos desenvolver. As comemorações vão perlongar-se até ao dia cinco de fevereiro de 2013”.

 

Uma equipa de respeito

Mas, a ousadia do executivo do CRM não fica por aqui, há registos que provam a expansão da coletividade e o interesse que ela cria junto da comunidade… e não só.

“Todos os anos fazemos um Sarau das Atividades. Em 2007, assumimos um risco muito grande ao efetuar o Sarau no Coliseu do Porto, onde durante quatro anos, foi a sala por nós escolhida.

No ano passado, a iniciativa já foi realizada no auditório da Exponor, e, no próximo dia 14 julho, o Sarau será efetuado no Rivoli Teatro Municipal”.

Salas pequeninas… por acaso?!

 

Juventude e “apoio” social

 

E se há muitas instituições que se queixam da indiferença da juventude quanto ao movimento associativo, a verdade é que no CRM, a malta nova é participativa.

Segundo, o nosso interlocutor, “a juventude trabalha e adere à coletividade. Posso dar-lhe como exemplo, a participação do Centro nas “Marchas de S. João” de Gaia, em 2005 e 2007. No primeiro ano obtivemos o segundo lugar, e, em 2007, o primeiro lugar. Nessas duas iniciativas, os jovens aderiram de uma forma muito ativa.

Quanto à participação da juventude nos órgãos sociais do Centro, que envolve um total de dezasseis pessoas – todas elas em regime de voluntariado -, temos alguns elementos jovens, como outros menos jovens. Desde 2003 que se mantém a estrutura base!”

 

Com a crise, a austeridade, e tudo a elas inerente, as coletividades assumiram, recentemente, um papel preponderante no apoio a carenciados. São múltiplos os factos que se verificam pela região do Porto.

O CRM ainda não sentiu, diretamente, e de acordo com Paulo Rodrigues, o flagelo, principalmente no que concerne a pedidos de solidariedade social.

“Ainda não sentimos qualquer tipo de pedidos de ajuda social. Mas, há muita pobreza encoberta e as pessoas têm vergonha e podem não se dirigir aqui a pedir ajuda. É certo que há outras instituições mais vocacionadas para esse tipo de apoio, mas o nosso Centro está, totalmente, disponível para colaborar”.

E o presidente da direção do CRM enfatiza o facto de que “aquilo que podia ser desenvolvido em determinadas associações, como o nosso Centro. Neste caso concreto, a Junta de Freguesia de Mafamude, criou um Centro de Dia que poderia funcionar numa coletividade”

 

Entrada para a sede social

“Nós estamos disponíveis, com as mais variadas instituições para colaborar naquilo que for necessário. Aliás, temos participado com essas instituições quando fazem espetáculos para a angariação de fundos. Através das nossas atividades, estamos sempre presentes nesses eventos”, concluiu Paulo Rodrigues.

 

O futuro e as “pesadas” condecorações

A poucos meses de terminar o seu mandato, Paulo Rodrigues não descarta a possibilidade de se recandidatar à presidência da direção.

“Depende! Há que encerrar um ciclo e começar um outro novo. Só continuarei por mais um mandato se, por ventura, existir um projeto concreto, no que diz respeito à ampliação das instalações deste edifício que tem mais de cem anos.

Se, até dezembro, houver um sinal positivo nesse sentido, com a Câmara Municipal de Gaia, nesse aspeto, a ter uma palavra decisiva, será de ponderar esta direção continuar por mais um mandato”.

 

“Os diretores do Centro Recreativo de Mafamude estão no auge da sua vida ativa, e como tal ainda há ânimo para continuar o trabalho!

Há momentos menos bons, como em tudo na vida, mas temos ultrapassado esses problemas”.

Auditório

 

 

Enfrentar o futuro com confiança é, sem dúvida, uma das “armas” desta instituição que, prova, desse modo, a sua longevidade, mas também o respeito que a sociedade lhe tem atribuído através de condecorações, sobremaneira, importantes.

“O nosso Centro tinha sido, na altura das bodas de Diamante, agraciado com a Medalha de Mérito Municipal – Classe Ouro, e agora, aquando do Centenário, fomos distinguidos pelo Estado, com a atribuição com a Medalha de Bons Serviços Desportivos, e também pela Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto com a Medalha de Ouro de Mérito Associativo”, rematou Paulo Rodrigues.

 

Sala de aulas

 

E é assim o Centro Recreativo de Mafamude. Instituição que cresce a olhos vistos, e a olhos vistos poderá crescer mais se os seus desideratos forem alcançados a médio prazo.

O trabalho continua e a centenária coletividade está pronta para os desafios.

Há poucos exemplos destes no associativismo português, a verdade, porém, é que há alguns, e o do CRM é nota marcante neste aspeto.

 

 

Programação do Centenário do CRM

 

 

 


Junho 2012

 

Dia 02 (21h30) – NOITE DE POESIA

Tributo a Fernando Peixoto

Local: Salão Nobre do Centro Recreativo de Mafamude

 

Dia 16 (21h30) – ESPETÁCULO DE REVISTA À PORTUGUESA

Mostra a Perna que a Crise não é Eterna”, pela Companhia Teatro do Sol

Local: Cine Teatro Eduardo Brazão, em Valadares

 

Dia 30 (21h30) – CAFÉ CONCERTO

Artistas do CRM

Local: Salão Nobre do Centro Recreativo de Mafamude

 


Julho 2012

 

Dia 07 (21h30) – NOITE DE POESIA

Tributo a Sidónio Muralha

Local: Salão Nobre do Centro Recreativo de Mafamude

 

Dia 14 (21h00) – SARAU DESPORTIVO E CULTURAL DO CRM

Local: Rivoli Teatro Municipal

 

Dia 21 (11h30) – PIQUENIQUE/CONVÍVIO DO CRM

Local: Parque da Lavandeira (Vila Nova de Gaia)

 

 

Para mais informações pode (deve!) consultar o sítio do Centro Recreativo de Mafamude na internet:

www.crmafamude.pt.vu

 

 

Texto: José Gonçalves

Fotos: António Amen

 

 

 

 

(01-jun-12)

 

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