Menu Fechar

Quando é que acaba a brincadeira?

 

José Gonçalves

(Diretor)

 

 

Ora aí vem o bairrista, o regionalista, o tripeiro, ou o provinciano, o fundamentalista segundo a retórica “terreiro pacista” para descriminação de tudo e de todos que não vivem na capital do Império.

O bairrista, o regionalista, o tripeiro ou o provinciano… sou eu, e com muito gosto e orgulho.

Até nem lá vou muito com as “tripas”, mas, muito menos, com certas “tripalhadas” políticas que vão, devagar… muito  devagarinho, deitando o norte para o caixote do lixo.

Nada de importante. Não!

O que eles estão a fazer cá à terra é de somenos importância, só mesmo os fundamentalistas é que se lembram de levantar essas questões. E que questões?

 

 

Nada de especial. Nada!

Uma das empresas de referência cá da província luso-galaica, que dá pelo nome de “Metro do Porto” foi mandada à bosta pelos senhores governantes, alguns dos quais eleitos pelos arruaceiros desta terra. Recorde-se que a mais importante distrital alaranjada está aqui sediada.

Aqui, na margem direita e esquerda da foz do rio Douro.

Aquela cidade das pontes e das outras pontes. Tás a ver?

Aquela cidade… a tal do Pinto da Costa e que troca os bês pelos vês.

Não vês?

Não queres ver! Pois é! És mais cego que os cegos, e o pior deles.

 

Mas o que é que aconteceu? Porque será que este provinciano está tão zangado?

O provinciano não está zangado, simplesmente constatou, uma vez mais o facto, de que certos indivíduos quando se apanham com o rabo acomodado em Lisboa – nada contra os lisboetas, atenção! – se esquecem da “manada nortenha”.

 

Não é que um representante do governo, deste governo da “austeridade troikana”, não se fez representar na assembleia geral da Metro do Porto, destinada a eleger os seus órgãos sociais, deixando a empresa, quase que ao Deus dará durante quinze dias?

Para espanto de quem vos escreve, Rui Rio, como presidente da Junta Metropolitana do Porto, criticou, veemente, a situação referindo (veja-se só!) que “houve interferência de membros do governo na tentativa de eleição da nova administração da Metro do Porto para, politicamente, fragilizarem o ministro da Economia”.

As palavras são dele e de um deles em termos partidários.

A “manada nortenha” tem de ser esclarecida!

 

Como se não bastasse este desprezo a uma empresa de referência do Norte – como outras e que lhes metem muita inveja se bem que, as mesmas, às vezes, se esqueçam das pessoas do sítio em que se encontram -, sabe-se que em Lisboa ganha-se mais quatro mil euros anuais que aqui na província luso-galaica. É verdade!

É…é!

E nós, por cá, todos satisfeitos e de alhos porro na mão.

Eles gostam é que a malta esteja sempre em festa.

Pois.

Depois do S. João – que entretém portuenses, vilacondenses, bracarense e outra gente nobre -, ainda há o S. Pedro para entreter gaienses da Afurada, poveiros, mineiros de Gondomar e outra “carrada” de gente nobre.

 

Ide brincando, porque acabaram-se as Festas e as festas!

Isto está a piar fino.

O défice do PIB é já de 7,9 por cento e até Dezembro (deste ano) teremos de chegar aos 4,5.

Tanta austeridade, tanto roubo, para quê?

Mas roubem! Continuem a roubar, porque espertos como são, os senhores políticos da capital do Império, sabem que este povo está abananado e até pronto a votar no mesmo.

Eles sabem e sabem como jogar com a coisa.

Só que, cá pela província luso-galaica, a coisa está preta… mais que preta.

 

O centralista governo de Coelho esquece-se que dos mais de 335.500 beneficiários do Rendimento Social de Inserção, 100.778 residem no distrito do…Porto.

É… é verdade.

Em Lisboa são 65.069 beneficiários e em Setúbal 26.234.

E o desemprego… o desemprego?

Leiam, por favor, a nossa peça de “Destaque”.

E agora ainda querem – vão! – acabar com os benefícios a certas pessoas nas portagens das ex-SCUT, afetando, sobremaneira o interior do País e, como não seria de estranhar, a região norte.

Mas, brinquem, só que a brincadeira está acabar!

 

Já retiramos as bandeiras da seleção portuguesa de futebol que fez, em boa verdade, um brilharete no “Euro 2012” (esteve bem!).

Já comemoramos os êxitos de atletas de referência como o ciclista Rui Costa, que venceu a Volta à Suíça, as medalhas nos “Europeus” de Atletismo, e a vitória de Pedro Lamy nas “24 horas de “Le Mans”.

Vêm, é certo, os Jogos Olímpicos e as férias para quem as tiver, mas as pessoas estão a cansar-se.

Leiam, por favor, o artigo da Maria de Lourdes dos Anjos, aqui neste jornal, na rubrica “Duas de Letra”.

A nossa colaboradora e amiga, não está maluca!

 

E este governo, apoiado por um partido com enorme pujança nas autarquias, continua a centralizar-se. Não sei como os homens das concelhias e das distritais laranjas deixam que tal aconteça, porque, no fundo, são eles quem elegem os seus dirigentes partidários.

Mas quem fala no PSD, fala também no PS, porque nestas coisas a bosta é a mesma o cheiro é que é diferente.

E querem eles, ainda por cima, acabar com freguesias, algumas das quais (como as portuense do Bonfim, Lordelo do Ouro e Cedofeita) cumprem com os requisitos do Livro ou Documento Verde.

 

Deram ainda cabo da letra de uma das mais populares músicas de Carlos Paião: “…viva o S. João, o S. Pedro, o 10 de junho e a Restauração” (o que está sublinhado a negro foi ao ar), mas não acabaram com os feriados municipais… porquê?

Eliminaram Câmaras municipais? Não! A coisa “virou-se” para os Tribunais, Centros de Saúde e Correios.

 

Cá por cima – eu gosto, particularmente, deste “cá por cima”… é onde nós, geograficamente, nos encontramos – olha-se com atenção para a renovação da linha férrea entre o Porto e Vigo. Os nossos irmãos galegos, já escaldados com as portagens, até se riem com as promessas adiadas e, essencialmente, com a burrice esclarecida dos políticos “luso terreiro pacistas”…

Mas, eles vêm cá, porque gostam de Portugal, do Norte e do Porto.

Enchem o “Francisco Sá Carneiro” de passageiros. Estiveram no S. João. Investiram e estão também em crise. Fazem cá as suas férias. Investem e também estão em crise.

E tão maltratados são pelos politiqueiros e governantes “centralistas”.

 

O Norte é para os “terreiro pacistas” a cloaca do País.

É… até um dia!

Brinquem, continuem na brincadeira …

Enalteçam, hipocritamente, os êxitos de uma Casa da Música, do FC Porto, da Casa de Serralves, do Fantasporto, dos cientistas oriundos da Universidade do Porto, ou de outras coisas com as quais nós cá por cima fazemos a diferença.

É essa diferença que nos leva a perguntar: quando é que acaba a brincadeira?

 

Partilhe:

1 Comment

  1. Waltermr Rodrigues

    Olá,Queridos leitores,Boa noite, Talvez esta bincadeira nociva nem acabe, contudo, há de prejudicar alguns, mas o que pergunto é quem lucra com tamanho prejuízo, tenho do lado de cá do atlantico ( no Brasil) acompanhado de perto a situação Européia, fico triste com que modo as coisas ai estão no momento, Aquí no Brasil, não é tão diferente,De fato as coisas a nível econômico estão, bem, mas investimentos em Saúde e Educação são bem precários, acho difícil, um país como o Brasil querer SER um país de 1º mundo se seus governantes tem atitudes de 3º mundo, a presidente Dilma até que é séria e determinada, mas boa parte do ministério, não vale a pena, ela já demitiu vários e óbviamente vai demitir mais, É ano de eleição por aqui, e claro haverá uma muita confusão e ” brincadeiras” neste período,E como aí, Eu cá pergunto; Quando é que acaba a brincadeira?, Obrigado pelo espaço agradeçe Waltermir Rodrigues, direto de Recife, Penambuco, Brasil.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.