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ORFEÃO DO PORTO – 102 anos de história ainda à procura da realização de um sonho: ter “casa” própria!

 

“Com mais, ou menos, dificuldades o Orfeão do Porto não vai desaparecer como muita gente já pensou alguma vez”. Palavras de Plácido Martins, presidente da direção do centenário (102 anos) e emblemático Orfeão do Porto.

 

Plácido Martins

 

Situado no coração da cidade Invicta, mesmo em frente ao, tristemente, abandonado Cinema Batalha, o Orfeão é uma instituição carismática, passando, mesmo assim – como muitas outras coletividades – por momentos algo problemáticos. Seja como for, mantém-se em atividade e, a verdade, é que são muitas as que oferece à comunidade.

 

Entraremos, daqui a instantes, no mundo de uma instituição de utilidade pública que, por mais estranho que possa parecer, não tem sede própria. O sonho de ter uma “casa” de sua propriedade faz comandar a vida de mais de centena e meia de associados e das oitenta pessoas que dão vida aos grupos e “mexem” com o Orfeão.

 

 

O Orfeão do Porto é muitas das vezes confundido com o Orfeão Universitário do Porto, mas não há paralelo…

“… somos muitas vezes confundidos, mas não há paralelo!”

 

O Orfeão do Porto tem características próprias. Foi, além do mais, fundado a 03 de fevereiro de 1910…

“…no ano da implantação da República!”

 

E teve alguma participação direta, ou indireta, na revolução?

“Na verdade, não esteve, diretamente, relacionado com a implantação da República. As pessoas que fundaram o Orfeão do Porto, faziam parte de um grupo de meia-dúzia de amigos ligados ao canto coral, que gostavam de cantar, e que, no princípio do século XX, viviam um forte movimento de cantos corais com influências francesas e do resto da Europa, quando em Portugal, nessa altura, essa atividade era residual.

Assim sendo, e por força desse movimento, decidiram formar o Orfeão. Orfeão que é o mais antigo a nível nacional, pelo menos em termos de atividade ininterrupta. Há um outro coral mais antigo, o da Faculdade de Letras de Coimbra, mas que teve, ao longo da sua existência, vários interregnos.

O Orfeão do Porto mantém a sua atividade desde 1910!”

 

Foram gerações e gerações a alimentar este projeto.

“Foram muitas e muitas gerações que passaram por cá. A coletividade começou depois a ganhar, além do canto coral, outras perspetivas e outras razões para as pessoas se reunirem e nela se associarem.

Nessa época, as associações eram, fundamentais, para as pessoas se encontrarem…

 

… como ainda o são hoje em dia?!

“Ainda são, mas não tão fundamentais, na medida em que, hoje, a oferta de lugares públicos, ou mais ou menos públicos, é muito vasta. Nessa altura, as pessoas encontravam-se nos cafés e nas pastelarias para conversarem e debaterem assuntos sérios.

Nós temos conhecimento de vultos da política, ou da literatura que faziam parte dessas tertúlias.”

 

Encontrando-se há cerca de uma década à frente dos destinos do Orfeão, pergunta-se: o que é que o ligou, e ainda o liga, no essencial, à instituição?

“Fundamentalmente, amigos que por cá passaram, que por cá pararam e ainda param. E, depois, porque eu, desde jovem, estive ligado à música coral. Cantei em vários coros cá do Porto…”

 

…por certo, ligados à Igreja?

“Ligado à Igreja, sim… mas não só! Alguns coralistas, ainda hoje, são do meu tempo de juventude, que quando estavam num coro, ainda que cantassem na Igreja, não faziam parte intrínseca de um coro litúrgico.

O Orfeão do Porto começou a existir por todas essas razões, mas, depois dessa altura, começou a expandir-se à medida do crescimento do movimento coral em Portugal.

Hoje, são vários os coros! De recordar, que nós celebrámos o centenário há dois anos, em cerimónia realizada no Rivoli, onde estiveram representadas as mais importantes autoridades da cidade, incluindo o Bispo do Porto, D. Manuel Clemente. Fizemos uma boa sessão solene, aproveitando a mesma para homenagear as principais figuras que passaram por cá, quer maestros, quer diretores…”

 

…entre os quais destaca que nome, ou que nomes?

“Houve um senhor, do qual muita gente não fala: o professor Henrique Torres. Era um musicólogo e que, na fase em que passou pela direção, o Orfeão do Porto desenvolveu-se, de forma significativa, como Coral.

Aliás, a música coral em geral – e o Orfeão do Porto também-, desenvolveu-se, essencialmente, nos anos sessenta/setenta do século passado, altura em que as instituições do género ganharam grande relevo”.

 

 

Presidente da direção junta a obra do escultor MÁRIO SILVA, que conta já com 46 anos de existência

 

“Do estatuto de Instituição de Utilidade Pública tiramos muito pouco proveito”

 

 

O Orfeão foi nesse período, e por certo ainda o será hoje, um embaixador da cidade no país e no estrangeiro?

“Foi um motor da música coral, porque a partir do nascimento do Orfeão do Porto, surgiram outros orfeões. Há muitos que estão a fazer cem anos, porque nasceram logo a seguir.

Foi um movimento que se propagou nas primeiras décadas do século passado. O Orfeão da Feira, por exemplo, já fez cem anos, e até nos convidou para a festa, e o Orfeão da Foz que está quase a o comemorar o seu centenário. Enfim, há bastantes grupos dessas primeiras décadas.”

 

Isso quer dizer também que esse crescimento obrigou o Orfeão do Porto a criar outras valências culturais?

“A partir de meados do século XX, começaram a desenvolver-se outras atividades. É assim que surgiu, por cá, um grupo de teatro; grupo que queremos que regresse ao palco. Ele existiu nos anos cinquenta e levou à cena muitas peças importantes. Depois surgiu o nosso Grupo Etnográfico, que está, atualmente, em atividade, e que tem consigo um grupo de 40 pessoas, entre cantadores e dançadores”.

 

O Orfeão é, no fundo, uma instituição de referência na cidade?!

“Sim, e considerada de Utilidade Pública desde 1982. Era, na altura, primeiro-ministro, o Dr. Pinto Balsemão. Ainda hoje, o Orfeão do Porto mantém esse estatuto, se bem que, tire pouco proveito do mesmo!”.

 

 

“Vivemos muito à custa das quotas dos associados”

 

 

E a participação/adesão da juventude ao Orfeão do Porto?

O Tiago Costa, que está aqui ao nosso lado, como diretor do Grupo Etnográfico, é um dos jovens entusiastas da nossa instituição. É um exemplo.

Tenho a impressão que os jovens estão a voltar a ter interesse por estas atividades. Gostaríamos de ter mais, mas as solicitações que os jovens têm hoje são tantas que é difícil reuni-los por aqui. Seja como for, acho que há um crescente interesse dos jovens nas nossas atividades, ou em atividades do género.”

 

A vossa sede social foi sempre aqui, na Praça da Batalha?

“Não foi sempre aqui. Antes, estivemos na rua de Santo Ildefonso. Viemos para aqui há sessenta e tal anos, ou seja, desde que foi construído este prédio. Depois de construído, utilizámos estas instalações tal como estão atualmente. Mas, antes de ser edificado este prédio, havia um outro mais antigo, neste preciso local, onde o Orfeão do Porto já se encontrava sediado”.

 

E tudo à beira de um espaço cultural, lamentavelmente, abandonado, como é o cinema “Batalha”, e a dois passos do Teatro Nacional de S. João, que foi, recentemente, classificado como monumento nacional. Isto na central e histórica praça da Batalha.

“Estarmos no centro da cidade favorece, naturalmente, o Orfeão do Porto. As pessoas que cá aparecem gostam das instalações que temos. Gostaríamos, porém, que elas fossem melhores – precisávamos de um auditório um pouco maior que o que temos -, mas, este espaço, é na realidade, bastante agradável. Está no coração da cidade e virado para a praça da Batalha… a localização é, sem dúvida, favorável”.

 

Como é que hoje vive, ou sobrevive, o Orfeão do Porto?

“Muito à custa das quotas dos associados. Não quer dizer que todos os sócios frequentem a sede social, mas há um considerável número de pessoas que, apesar de não frequentarem o Orfeão assiduamente, vão pagando as suas quotas. Há sócios que, mesmo não residindo na cidade, não deixam de apoiar o Orfeão!

O Orfeão fez parte integrante e ativa das vidas dessas pessoas…”

 

…os bailes eram muito conhecidos e considerados na cidade do Porto.

“Especialmente, naquele tempo em que os bailes eram uma das atividades que os jovens desenvolviam em muitos locais. Ou seja, no tempo em que não havia discotecas. Ao contrário: as salas de baile proliferavam um pouco por toda a cidade.

O Orfeão, nesse aspeto, teve muita atividade.

Os seus bailes, nos anos sessenta e setenta do século passado, eram muito bem frequentados e com muita gente…

 

… bailes que eram reservados a uma certa elite?

“Havia uma reserva quanto a certos frequentadores. Havia um comportamento que era exigido. Não entrava toda a gente!”

 

 

 

“As entidades públicas têm limitado o seu apoio ao Orfeão”

 

 

O que é, hoje, o Orfeão do Porto?

“Continua a ser uma instituição de utilidade pública. Na nossa opinião, continua a praticar essa utilidade, porque as pessoas que frequentam o Orfeão, para além do salutar convívio, podem também desenvolver atividades culturais que são bastante importantes para as suas vidas”.

 

Sentem dificuldades em termos de apoios?

“Muitas dificuldades! Até porque, neste momento, as entidades públicas que apoiavam o Orfeão já não o fazem; ou, então, apoiam-no de um modo muito reduzido. Nada como antigamente! Assim sendo temos que inventar formas para financiar as nossas atividades.

Para além das quotizações é necessário em extra. Até porque, estas instalações não são nossas,..”

 

… são alugadas?!

“São alugadas! E isso faz com que sejamos diferentes de outras instituições com o estatuto de Utilidade Pública. O maior peso financeiro é esse, independentemente de não fazermos uma vida muito gastadora, a verdade é que a manutenção das instalações – mesmo não sendo uma renda muito cara – implica, mesmo assim, uma verba muito pesada, para gastos obrigatórios.

E as entidades públicas, devido às restrições que, ultimamente, têm sido sujeitas, limitam a sua ajuda à instituição.

Vamos fazendo protocolos com algumas entidades – Junta de Freguesia de Santo Ildefonso ou Câmara Municipal do Porto – que, em contrapartida, e com alguma atividade nossa, e assim dispondo de algumas verbas, ainda que reduzidíssimas!”

 

Falou-me de uma junta de freguesia, a de Santo Ildefonso, que irá acabar, tendo em conta o Documento Verdade da Reforma da Administração local…

…pois!  A Junta de Freguesia de Santo Ildefonso tal como existe vai deixar de o ser. Teremos uma outra autarquia a qual albergará mais duas ou três freguesias. A verdade, contudo, é que ninguém sabe lá muito bem como tudo isso se vai processar, pelo que não esperamos por aí, e brevemente, melhores dias!”

 

 

“Precisamos de uma sede própria”

 

 

As relações com a Câmara Municipal do Porto têm sido positivas?

“De uma forma institucional não são más. Os apoios – como já disse – é que são reduzidíssimos.”

 

Quais os vossos objetivos, em termos programáticos, a médio, ou longo prazo?

“Quanto a objetivos não estou muito otimista. Quanto a sonhos: temos muitos! O nosso sonho maior era o de podermos vir a ter uma sede nossa”.

 

O sonho de passar para o outro lado da Praça (cinema Batalha)?

“Não diria tanto! Às vezes, e no caso concreto do “Batalha”, as necessidades obrigam as pessoas a tomarem decisões que não são as melhores.

No nosso caso, só queremos uma sede própria. O Porto, com o programa que tem de recuperação de edifícios antigos, penso que a Câmara Municipal já deveria ter tido – e poderá ainda vir a ter – uma solução para oferecer ao Orfeão do Porto uma sede própria. Um protocolo – um acordo – para a ocupação de um edifício, pelo qual pagaríamos à autarquia uma renda para a aquisição do mesmo”.

 

Um edifício de preferência situado na zona central da cidade?

“Numa zona digna, a qual tivesse um acesso relativamente fácil e uma certa visibilidade, para que, de vez em quando, efetuássemos espetáculos abertos ao público em geral.

Atenção! Tratamos a atual sede como se fosse nossa!

O outro sonho do Orfeão do Porto está relacionado com o desenvolvimento das nossas atividades. Fazermos mais; mostrarmos melhor e mais; captarmos mais juventude… enfim, captarmos mais gente capaz.

Penso que, no futuro, vai continuar a haver lugar para as coletividades e que haverá melhor lugar do que há hoje”.

 

Auditório

 

 

“O Orfeão é um bom ponto de encontro”

 

 

Para futuro – um futuro próximo – estão a programar algo de importante?

“O último festival etnográfico, que fizemos aqui na Praça da Batalha no passado dia 14 de julho, com a participação, além do nosso, de mais quatro grupos, trouxe cá bastante gente. Entretanto, temos realizado concertos sinfónicos em vários sítios …”

 

… explique-nos, já agora, o que é um concerto sinfónico efetuado por um coro.

“A música sinfónica traduz-se em peças de autores clássicos. E, nesse concerto, participa sempre uma grande orquestra, ou uma boa banda sinfónica. Conjuntamente: um grande coro, que não será só o nosso – que é composto por cerca de quarenta elementos – mas também de outros coros, que são por nós convidados, formando, dessa forma, um corpo de oitenta ou cem elementos para fazer frente à orquestra ou à banda.

O que fizemos, por exemplo, no nosso Centenário, foi um concerto sinfónico, realizado no Rivoli, como já tínhamos feito, anteriormente, algo idêntico no Teatro Campo Alegre.

Mas, para fazer estes espetáculos, é preciso que as entidades oficiais, ou determinados empresários, nos cedam esses espaços porque não temos dinheiro para financiar o aluguer.”

 

Isso está a ser difícil?

“Está a ser difícil! Cada vez mais difícil, e, por isso, só de vez em quando, é que fazemos um espetáculo, e sempre fruto da cedência desses espaços.”

 

Mas, o Orfeão tem o seu próprio auditório?!

“Sim, mas para ensaios e pequenos espetáculos com o máximo de cem pessoas. “

 

Acredita no futuro do Orfeão?

“O Orfeão do Porto, para além da instituição que é, e da história que tem, acho que é, e vai continuar a ser, um bom ponto de encontro de pessoas; um bom ponto de encontro para passar tempos livres com algum conteúdo: a cantar, a tocar, a dançar… Temos lugar para gente de todas as idades.

 

E é também um espaço, por aquilo que vejo, propício ao diálogo e à reflexão…

…sim! Periodicamente, proporcionamos debates, convívios, encontros de poesia… e etc e tal”

 

Isto quer dizer que quem quiser fazer parte do Orfeão do Porto tem as portas escancaradas?

“Escancaradíssimas! Não há alguém que entre cá e que queira fazer parte do Orfeão ou de fazer parte de uma atividade lúdico-cultural que não tenha lugar! Há sempre lugar para quem cá chega!”

 

 

Escola de Educação Musical: uma referência …

 

 

Como vê, analisando, o atual Porto cultural? Estagnou, regrediu ou evoluiu?

“Tenho que ser justo: evoluiu! A oferta cultural no Porto é muito vasta! Acontecem muitas coisas interessantes na nossa cidade e o Orfeão quer fazer, e está a fazer, parte dessa oferta cultural. O Orfeão faz parte da cidade e da atividade da mesma. E cada vez mais dela tem fazer parte. Queremos, para além dos sonhos que, anteriormente, referi, melhorar, de dia para dia, as nossas atividades.”

 

E aí vem ao de cima, uma vez mais, a participação da juventude.

“Pois, porque é preciso que eles saibam, e, às vezes, não sabem que existe coisas destas, como o Orfeão do Porto. E mais: até alguns jovens que eu conheço – como o Tiago Costa que está aqui ao nosso lado -, que gostaram de estar no Orfeão e alguns já vão permanecendo por cá. Quem experimenta, normalmente, gosta!”

 

Já agora! A Educação Musical, que por cá se desenvolve, é, essencialmente, dedicada a jovens?

“Eu diria que sim, mas muitos dos nossos alunos não são jovens. As pessoas que frequentam o Orfeão podem aderir a essa ou outras atividades. Já se sabe que têm dispensar uns euros acima da quota mensal, até porque temos professores credenciados aos quais temos de pagar para exercer a sua função.

Temos, neste momento, um professor de canto; um professor de piano, que também ensina órgão; um professor de acordeão e ainda um professor que ensina viola.

 

Isso não é “brincadeira”!

Não. Temos à volta de cinquenta alunos, isto entre pessoas do Orfeão do Porto, e crianças que aqui aparecem indicadas pelos seus pais, ou tios, os quais já fizeram parte da nossa instituição.

 

Então, qualquer jovem pode chegar aqui e inscrever-se na Escola de Música?

Sim. Pedimos a um familiar que se proponha sócio, e, para frequentar a Escola de Música, não somos muito exigentes.

 

 

Tiago Costa: “É importante manter o grupo etnográfico com nível alto em que se encontra!”

 

 

Jovem, com os seus 24 anos, é responsável pelo Grupo Etnográfico do Orfeão do Porto, dá pelo nome de Tiago Costa e fez também questão de intervir nesta “visita”.

 

A reação dos jovens perante o Orfeão tem sido positiva?

“Sim. Tenho conseguido trazer alguns jovens, muitos dos quais vêm para aqui estudar, o que aconteceu com regularidade na época de exames. Esta casa recebe bem. Estou aqui há dezasseis anos. Fui aqui criado. E os jovens que vieram comigo sentiram-se bem e por aqui se encontram”.

 

O Orfeão acompanha o ritmo da sociedade, das suas exigências rumo ao futuro?

“Sim. O Orfeão vai sempre tentando dinamizar as suas atividades de forma a acompanhar a evolução que vai havendo na sociedade. É isso que tem acontecido, não só no mandato do senhor Plácido, mas também nas direções que por cá passaram.

Uma das coisas que foi abordada nesta entrevista, foi a excelente localização do Orfeão do Porto, isto pelo facto de estar no centro da cidade, essa nem sempre foi uma vantagem, porque muita população abandonou o Porto, só trabalha na cidade, e nos seus tempos livres não vem cá… vai para os arredores, onde tem habitação.

Agora, contudo, as coisas estão, nesse aspeto um pouco diferentes: hoje já se vê, à noite, uma rua de Santa Catarina mais composta. Há cinco, seis anos, isso não era assim.”

 

Estás preparado para, daqui a uns aninhos, ocupares o lugar de presidente da direção do Orfeão?

“Quem sabe? Daqui a uns anos…

 

…para já, vais tendo conhecimento prático do que é a instituição. Isso é uma mais-valia.

Os anos que passei cá ajudaram-me a conseguir uma certa experiência, e essa experiência será fundamental para dar um outro tipo de ajuda a esta coletividade, que, se calhar, neste preciso momento, não conseguia dar …

 

… mas, já fazes parte da direção?!

Sim, através do grupo etnográfico. Este é um enriquecimento a nível pessoal. Espero somente que, daqui a uns anos, não exista somente um Tiago para ajudar, mas mais três ou quatro como ele.

Mas, cativar pessoas com 24, 23 ou 20 anos para fazer parte de um rancho folclórico não é fácil Por norma, essas pessoas têm de ser captadas. De momento, temos três ou quatro pequenininhos, e é nessas tenras idades que é mais fácil captar elementos, porque este, no fundo, ficará a ser o mundo deles.”

 

Voltar a criar o Rancho Folclórico Infantil é o principal objetivo?

Exatamente! Foi onde eu nasci! E voltar a ter o Festival de Folclore Infantil que era o único da cidade do Porto, e o qual organizamos por três vezes consecutivas, na “Concha” do Palácio de Cristal.

Mas, este não é o objetivo imediato. De imediato é manter o grupo etnográfico com o nível alto ou médio alto em que se encontra. Manter as pessoas, porque algumas delas estão cá há 25, 30 anos, e, depois cativar as pessoas da minha idade, e até mais novas, para que o grupo tenha o seu futuro garantido.”

 

 

“O Orfeão do Porto não vai desaparecer!”

 

 

E voltando à conversa com o presidente da direção do Orfeão do Porto, Plácido Martins, parte dele, e desde já, uma importante chamada de atenção.

“As coletividades mais modestas, mais humildes do que nós, são obrigadas por decreto-lei deste ano, a fazer declaração de IRC às Finanças através do modelo 22, que tinha de ser entregue até ao dia 15 de julho.

Ora, o sentimento geral das pessoas – que não será, propriamente o meu -, é que é mais uma vez do Estado a cair em cima de toda a gente, e, neste caso específico, das coletividades.

Isso é para saberem quais são os nossos rendimentos? Quanto é que tivemos de quotas? Quanto é que tivemos disto e daquilo? Quem é que deu donativos à coletividade?! E por aí fora.

Até ao final do mês de julho tivemos de preencher a “Informação Económica Simplificada”, documento que todas as sociedades capitalistas preenchem, e agora também as coletividades.

Não somos (ainda) obrigados a ter contabilidade organizada, mas isto, em muitas instituições, é um problema sério. As pessoas não estão familiarizadas com isto! Não sabem como essas coisas se fazem…

 

Mas, a Associação das Coletividades do Concelho do Porto dá uma ajuda..

“…sim. Nós sabemos disso porque fazemos parte da ACCP. Mas, para quê isto? Vamos pagar impostos sobre as quotas? Não sei o que se prepara?

Em termos estatísticos, eu percebo. Se calhar a estatística nacional precisa desses elementos para poder avaliar aquilo que temos: as coletividades que temos; que movimento fazem… Mas, o resto? Quais são as outras intenções?”

 

Pois. Mas, vem aí o futuro!

É verdade. Era importante termos no Orfeão mais dois ou três jovens como o Tiago. É preciso alguma esperança no futuro! Eu acredito que o Orfeão do Porto vai continuar, e acredito, porque há cá gente capaz para dar continuidade ao trabalho que está a ser desenvolvido. É preciso que queiram! Com mais, ou menos, dificuldade o Orfeão não vai desaparecer como muita gente já pensou alguma vez”.

 

 

Texto: José Gonçalves

Fotos: Maurício Carvalho

 

 

 

 

Esta reportagem teve o apoio (permuta) da empresa “CENÁRIO” Ver anúncio na primeira página.

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2 Comments

  1. marta cristina

    Até que idade o orfeao do porto aceita coralistas?

    Exigem formacao musical para o efeito?

    o que é necessario para a candidatura do coro do orfeao?

  2. JOÃO ALBERTO SILVA MOREIRA

    A ASPIRAÇÃO MÁXIMA DESDE A MINHA JUVENTUDE ERA PODER PARTICIPAR NUM AGRUPAMENTO ORQUESTRAL, COMO MÚSICO AMADOR, QUE TIVESSE O «SELO« DO ORFEÃO DO PORTO. TOCO VÁRIOS INSTRUMENTOS DE PLECTRO E MORO NA CIDADE DO PORTO.

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