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BASTA!

E o povo saiu à rua! Convocados através das redes sociais, por movimentos apartidários, cerca de um milhão de pessoas invadiram, literalmente, os centros de quarenta cidades do País, com destaque para Lisboa (mais de 400 mil) e Porto (cerca de 100 mil).

 

Tudo se passou no calorento dia 15 de setembro de 2012, e o que se passou foi de uma grande adesão dos portugueses contra a política da austeridade imposta pelo governo, com o beneplácito da Troika. Houve quem considerasse a maior manifestação popular desde o 25 de abril de 1974.

Na altura, a Taxa Social Única (TSU) ainda era viva, vindo a morrer dias depois, com o governo à beira de uma crise política, por desentendimentos entre os dirigentes dos partidos que suportam o executivo de Passos Coelho (PSD e CDS).

 

Depois de três semanas de disparates, Coelho teve de recuar, e recuou muito à custa da “manif” de 15 de setembro. O povo saiu ordeiramente à rua e deixou recados – importantes recados! -; avisos que não ficaram por aqui.

Na avenida dos Aliados, Praça da Liberdade e ruas adjacentes, tudo no coração do Porto, milhares e milhares de almas desfilaram condenando a política de austeridade.

Entre muitos, encontrava-se Francisco Louçã que, em exclusivo para o “Etc e Tal” falou da iniciativa, mas também de tudo o que irá acontecer nos próximos tempos, a começar já a partir de 15 de outubro, quando for apresentado o Orçamento de Estado para 2013.

 

Francisco Louçã: “A esquerda tem de juntar-se de todas as formas!”

 

“Este foi o princípio do fim deste governo, para que Portugal possa defender-se contra a Troika, contra os agiotas, contra a pouca-vergonha, porque este deve ser o único país do mundo que tira um mês de salário aos trabalhadores para o entregar aos bolsos dos patrões”, começou por dizer à nossa reportagem, o coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã.

 

E vem aí o Orçamento de Estado para 2013, que, pela primeira vez, nos últimos anos, será chumbado por toda a esquerda.“Do Orçamento tenho esta ideia: é a primeira vez em Portugal que baixa o salário mínimo. Vai tirar-se um salário a todo o trabalhador, tenha ele 485, 500 ou 600 euros – o que for! – para entregar aos patrões, nunca nenhum país no mundo fez isto. É uma selvajaria, porque destrói-se a economia e cria-se desemprego! Isto é inaceitável! Ultrapassamos o limiar! A República pôs o pé na rua, e no dia 15 de setembro, o povo disse: “aqui está o povo!” Somos 99 por cento, contra um por cento desses gananciosos que nos querem roubar. Contra uma quadrilha financeira, que é a Troika, e essa recuperação é o que temos que fazer”, palavras do dirigente bloquista.

 

Quanto à união das forças progressistas, Louçã foi perentório: “A esquerda tem de se juntar de todas as formas: na censura, no combate, na greve de todos os sindicatos, na rua. Todos têm de estar nesta luta, porque eles quando atacam os reformados, não perguntam se eles são do CDS, do PSD ou do Bloco de Esquerda! Eles vão a todos e roubam todos! Nós defendemos toda essa gente que deve ser defendida!”

 

 

Arménio Carlos: “Eles têm medo que o povo perca o medo!”

 

Semanas depois do 15 de setembro, o povo saiu, por iniciativa da CGTP-Intersindical, outra vez em massa às ruas, desta feita da capital do país. A concentração foi realizada no Terreiro do Paço, a 29 de setembro de 2012, e com os mesmos propósitos da “manif” anterior, ou seja a luta contra as medidas de austeridade impostas pelo governo.

 

Só do Porto saíram 137 camionetas rumo a Lisboa. Já na capital reuniram-se mais de 660 viaturas apinhadas de gente.

Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP-In, aproveitou a onda para revelar que, dentro em breve, será anunciada a data de uma greve geral, a qual poderá ser realizada antes do final do ano. Mas disse mais…

“Eles (governo) têm medo que o povo perca o medo. O povo está a perder o medo e a mostrar que quer ir para a frente, lutar pelo presente e salvaguardar o futuro das gerações”.
“Se o Governo não ouvir a bem, ouve a mal o povo, com a exigência da sua demissão e alteração de políticas”.

E a luta, pelos vistos, não vai parar!

 

Registos históricos

 

E, agora, como uma foto vale por mil palavras, fica o registo histórico das duas jornadas de luta, a começar pela do 15 de setembro. Um trabalho do nosso camarada Érico Santos.

 

 

15set12 – Porto

 

29set12 – Lisboa

 

Foto “Diário Digital”

 

 

Foto: “Público”

 

 

Foto: Semanário “Sol”

 

Texto: José Gonçalves

Fotos: Érico Santos

1 Comment

  1. Manuel José Duarte

    Parabéns a quem escreveu a peça – pelos vistos o diretor – que escreve tudo quanto ´r reportagem e entrevista – mas também a Érico Santos, pelo facto de ter retratado, não só a massa humana, das manifestações, ou, no caso, na manifestação do Porto, mas toda a criatividade dos manifestantes.
    Parabéns ao Érico e, naturalmente, a quem escreveu a peça, mas como as fotos valem mais de mil palavras – o disse ! – parabéns ao Érico Santos.

    Manuel José Duarte – Amadora

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