Menu Fechar

ESCOLA DRAMÁTICA E MUSICAL VALBOENSE: A “Casa” que incomodou monarcas e fascistas continua a produzir cultura oferecendo solidariedade

 

Fundada a 04 de agosto de 1905, a Escola Dramática e Musical Valboense foi, desde sempre, uma instituição progressista, republicana e humanista, traduzindo-se todo o seu movimento numa verdadeira “pedra no sapato” para o regime monárquico e, posteriormente, fascista do século passado.

É considerada a mais nobre Casa de Cultura do concelho de Gondomar, preservando, com orgulho, uma história plena de importantes iniciativas, das quais se enfatiza o teatro amador. Por lá passaram, como ainda passam, destacadas pessoas ligadas à vida cultural, social e política da região.

José Gonçalves (homónimo de quem vos escreve esta peça) é o presidente da direção da instituição, cargo que ocupa há cerca de 26 anos. Com 800 associados, a Escola Dramática esconde, por detrás da sua bela fachada, um interior com espaços ímpares, destacando-se o seu salão nobre, museu, ginásio, biblioteca e uma maravilhosa, quanto moderna, sala de espetáculos.

Neste nosso périplo por coletividades centenárias do Grande Porto, fomos, então, até à cidade de Valbom, uma terra com história, visitando, assim – e pela “mão” do presidente José Gonçalves -, a sua mais antiga e representativa instituição.

 

 

José Gonçalves, presidente da direção

 

A Escola Dramática e Musical Valboense foi, no início do século passado, um importante símbolo do movimento republicano da região, tendo em conta a data em que foi fundada. É verdade?

“Sim. A Escola Dramática tentou juntar as pessoas que, no início do século passado, já tinham uma mentalidade democrática e republicana, isto no sentido de terminar com a monarquia. E a forma que encontraram, para que a população pudesse reunir-se livremente – dado que não poderia haver iniciativas do género –, foi criar esta associação, tendo como lema: a beneficência, a instrução e o recreio.”

 

No que diz respeito à “beneficência”, todos os anos os responsáveis pela Escola tinham de promover duas iniciativas, ou seja: a dádiva de um cabaz de compras em géneros alimentícios a trinta pobres de Valbom; e, depois, vestirem, também trinta pobres, dos pés à cabeça, isto em outra campanha, e no mesmo espaço de tempo.

Quanto à “instrução” – sabendo-se que em princípios do século XX, havia um sem-número analfabetos -, as pessoas que tinham alguns conhecimentos de leitura e de escrita, “obrigavam” quem quisesse tornar-se associado desta coletividade a cumprir duas exigências: os que sabiam ler e escrever tinham que se disponibilizar para ensinar os analfabetos; e estes – os que não sabiam ler ou escrever -, teriam de se sujeitar à aprendizagem. Era uma forma extraordinária de promover algo em prol da instrução!”

 

 

Uma “Casa incómoda!”

 

 

 

Digamos que foi uma ação pouco, ou nada, ordinária para a época.

“Na altura, esta era, na realidade, uma ação muito pouco comum na região. Aliás, tenho falado com muita gente, e todos ficam admirados com tudo o caracterizou o início da Escola Dramática. Ora, isso dava para quê? Essa ação dava para que houvesse a livre associação e depois surgissem as reivindicações, perante o município e o governo, de situações que Valbom estava carente.

E, assim, daqui nasce uma série de questões, das quais fomos pioneiros, não só em Valbom, mas também no concelho e, se calhar no distrito do Porto.

Saiba-se que a primeira rua a ser pavimentada foi em Valbom e por imposição da Escola Dramática, como também a criação da empresa de transportes públicos e ainda a primeira empresa de distribuição de energia elétrica na área metropolitana do Porto. Dava pelo nome de Empresa Eletrificadora Valboense. Esta empresa foi depois agregada aos Serviços Municipalizados de Água e Eletricidade de Gondomar, posteriormente, controlada pela EDP”.

 

Entretanto, a Escola Dramática foi o berço de outras instituições e coletividades?

“Exato. Nesta Casa nasceram outras coletividades e instituições, como os Bombeiros Voluntários de Valbom e o Clube Naval Infante D. Henrique. Esta era uma forma, para além dos fóruns políticos por onde passaram muitas figuras de proa da nossa democracia (Mário Cal Brandão, Teixeira de Sousa, Virgínia Moura…), de manter viva e presente a instituição.

Era menino quando comecei a vir aqui, tinha oito anos, e cedo comecei a ouvir palestras, altura em que a polícia política (PIDE) entrava pela porta da frente e os oradores saíam pela das traseiras. Portanto, esta Casa, até nisso, foi emblemática.

A Escola Dramática foi considerada, por muita gente, no tempo do fascismo, uma “Casa muito incómoda”, e tudo porque nós éramos uma instituição muito ligada à esquerda. A uma esquerda pensadora, razoável, mas que não alinhava, de todo, com o regime”.

 

Teatro: “a marca de referência” da Escola Dramática

 

 

Mas, para além dos fóruns, o Teatro teve, e tem, uma posição de relevo na instituição. Foi muita a nobre gente que, por certo, pisou o vosso palco…

“Passou pelo nosso palco, realmente, nobre gente do teatro, não só amadores como profissionais. Uns já falecidos e outros ainda em atividade. Isso foi marcante!

No teatro amador toda a gente queria (e quer!) vir à Escola Dramática, porque é uma referência nacional, a par dos “Plebeus Avintenses” e do “Mérito Avintense”.

De salientar, a propósito, o facto de aqui também ter nascido o Teatro Experimental do Porto, porque o António Pedro, seu fundador, fez teatro na Escola Dramática. Depois, ele enveredou por outra vertente, mas foi aqui que ele começou. Ele, o Manuel Monteiro Meireles, Adelino Cardoso e outros tantos que andaram por cá e que depois caminharam para outros lados”.

 

A admirável e corajosa intervenção social que tiveram não ficou por aqui, ou seja, pelo teatro, passou também pela publicação de um jornal.

“Sim. Esta Casa tinha ainda um jornal – “Vitória” – que era editado uma vez por ano e foi o primeiro do concelho de Gondomar. Era um jornal muito apelativo, com muita intervenção, com muitas crónicas…

Por isso, a nossa história obriga-nos, mesmo hoje, a manter a nossa posição, e somos respeitados pelas entidades públicas deste concelho, não só por aquilo que fazemos, mas também pela história que temos”.

 

 

Sala de espetáculos

 

 

Sala de espetáculos. Por cima do palco um fresco centenário.

 

 

O “FETAV” e a falta de apoios

 

 

Como é que “gere” esta instituição, encontrando-se à frente da direção há cerca de 26 anos? E, principalmente, agora, em tempos de crise?

“Tenho pela frente a responsabilidade histórica – um enorme peso -, e, em face das nossas instalações, a obrigatoriedade de lhe dar uma grande dinâmica.

Atualmente, temos o Festival de Teatro Amador da Cidade de Valbom (FETAV) – o mais antigo do distrito do Porto. Não há nenhum festival do género que decorra durante dois meses e meio (começa na última semana de março e termina na primeira de junho), no qual participam grupos de diversos locais; a entrada é livre; e já vamos na 28.ª edição. Isto custa muito dinheiro!

Temos o apoio da Câmara Municipal de Gondomar e da Junta de Freguesia de Valbom e de uma ou outra empresa, mas, este ano, e devido crise que o país atravessa, a edilidade ainda não nos deu um cêntimo. A Junta apoiou-nos, mas a verba não chegou para cobrir nem dez por cento das despesas.”

 

A crise tem, por certo, afetado as vossas contas em termos de subsídios?!

“Sim. Recebíamos da autarquia de Gondomar entre 12 a 13 mil euros anuais e, até agora, nada! Mas, o Estado também deve muito dinheiro à Câmara, e, assim sendo, as coisas complicam-se”.

 

 

Biblioteca

Patinagem artística conta com campeão europeu

 

 

Mas, não é só de teatro que vive a Escola Dramática.

“Além do teatro temos a patinagem artística. É uma secção recente – seis anos de atividade -, na qual temos um campeão europeu de “figuras obrigatórias”. Temos ainda três atletas na seleção nacional e diversos títulos nacionais e regionais.

Mas, essencialmente, o que nós queremos não são campeões; queremos, isso sim, a participação e formação das pessoas. Se houver uma formação desportiva, essa mesma formação reflete-se também na formação académica… na formação de ensino. A pessoa começa a ficar autodisciplinada e começa, assim, a assumir responsabilidades muito mais cedo que os outros. Há estudos que revelam que a pessoa praticante de desporto tem a possibilidade de se expandir mais um pouco nos seus estudos.

Em termos desportivos, é, para já, só essa a secção. Cultural: é a do teatro!”

 

Secção, a de Teatro, que envolve quantas pessoas?

“Cerca de trinta e cinco elementos, incluindo atores atrizes, técnicos das diversas áreas”.

 

E a de Patinagem?

“Com técnicos e atletas… chega às cinquentas pessoas”.

 

Voltando ao Teatro. A Escola Dramática apresenta-se por esse país fora?

“Sim. Vamo-nos deslocando. Os grupos vêm cá gratuitamente, e nós, também gratuitamente, vamos às suas sedes. Portanto fazemos itinerância. Posso dizer-lhe que, até final de novembro, não temos qualquer sábado livre”.

 

Museu

 

Juventude presente no dia-a-dia da instituição

 

 

E têm cerca de 800 associados?

“Exato. Frequentam esta Casa, uma média diária – de segunda a sexta-feira, das 18 às 24 horas -, de cerca 80 pessoas”.

 

Nada mau!

“Sinto-me satisfeito, até porque há uma miscelânea de idades: frequentam a sede social, sócios com 17/18 anos de idade e outros com oitenta.”

 

E há muita juventude?

“Sim, temos muita juventude. É uma forma de tentar rejuvenescer a instituição e dar-lhe continuidade”.

 

A Escola Dramática tem também uma importante biblioteca.

“Com cerca de duas mil obras! E, além disso, temos o nosso museu. Neste aspeto, houve coisas que se perderam no tempo, mas nós tentamos fazer uma reflexão do que era a Escola Dramática desde o seu início, pelo que, tudo aquilo que havia, fomos colocando no local. Acho que o museu é digno, e é o local onde as pessoas podem ver o que era a vida da Escola Dramática, sendo, igualmente, uma forma de preservarmos aqueles que por cá passaram e deram muito a esta Casa. É uma coisa interessante. Penso que todas as associações deveriam ter algo parecido.

 

Digo-lhe mais: em nosso entender, as freguesias e os concelhos – as entidades públicas! – deveriam olhar, um pouco mais, para o fenómeno do movimento associativo, que é sui generis no mundo.

Somos o único país do mundo que tem associações de índole cultural, desportiva, recreativa e humanitária.

Na Europa, na América, há, na realidade, associações mas são de emigrantes…

 

…em França funcionam as Comunas…

…”mas não com a nossa dinâmica. Hoje, há muitas pessoas formadas em história (e por aí fora), que estão desempregadas e que as câmaras municipais, assim como as juntas de freguesia poderiam dar-lhes a possibilidade de fazer estágios profissionais, e dar-lhes ainda a possibilidade de elaborarem uma história sobre o movimento associativo em determinada freguesia, ou em determinado concelho”.

 

 

Museu

“Mais tarde ou mais cedo vamos ter um corte”

 

 

A história da Escola Dramática está compilada em livro?

“Não. Tudo aquilo que nós temos é fruto daquilo que transmitimos uns para os outros”.

 

Um livro era importante!

Salão Nobre

 

Salão de Jogos

“Pois. Mas não temos. Repare: mais dia, menos dia, vamos ter um “corte”. Por exemplo, tenho dois filhos que nada ligam a esta área – estão mais ligados aos bombeiros. Eu ligo a isto, e estou aqui com os meus 60 anos, e tenho 52 anos de sócio, porque acompanhava o meu pai em todas as associações das quais fazia parte”.

 

Mas, aqui, e na altura, não havia nada mais de apelativo. Era a Escola Dramática e pouco mais?!

“Em Valbom, sim! Mas, tínhamos transportes públicos para o Porto que é aqui ao lado. Portanto, eu vinha para aqui, porque fui educado aqui! Passava, à segunda e à terça, na Escola Dramática; à quarta, nos Bombeiros Voluntários de Valbom; à quinta, no Clube Naval Infante D. Henrique; e, à sexta, no Luz e Vida. O meu pai era presidente de todas estas associações e ainda da junta de freguesia.

Assim sendo, eu como miúdo – e nasci um pouco fora de tempo, porque o meu pai já tinha uma certa idade -, fui sempre o “testo da panela”. Para onde ele ia… lá ia eu! Houve, assim uma continuidade, que, dificilmente, poderá acontecer no futuro.”

 

 

O presidente da Escola Dramática e o autarca

 

 

Além de estar a falar com o meu homónimo, e líder da direção da Escola Dramática, estou também a falar com quem é presidente da Junta de Freguesia da Cidade de Valbom, eleito pelo PSD. Isso não lhe tem criado embaraços?

“ Quando estou na Escola Dramática defendo a Escola Dramática,  Se calhar, quando estou na Junta, “prejudico” a Escola Dramática, no sentido de não demonstrar às outras pessoas que estou a beneficiar a instituição que dirijo”.

 

Isso é complicado!?

“Não é! Eu sou um bocadinho fora do habitual! O telemóvel é meu; os almoços sou eu que os pago; ando com o meu carro; o meu vencimento é de 250 euros mensais; e estou na junta de manhã, à tarde e, se for preciso, à noite. Nada devo!

É assim: eu fui educado desta forma! E é por isso que, por vezes, sou uma pessoa revoltada! Porque é que fazendo isto – estando de bem comigo e com uma gestão equilibrada -, os outros não podem fazer aquilo que eu faço?

Se eu estivesse mal, não estaria na junta de Valbom há 18 anos. Ao fim de quatro anos a população mandava-me embora! “Embora” só irei no final do presente mandato.”

 

Vai continuar na Escola Dramática?

“No final deste ano há eleições, e queria ver se me escapava disto, porque tenho outras atividades. Mas, aquilo que mais gostaria de fazer, como experiência, era passar a voluntário do Instituto de Oncologia.

A ideia que eu tenho, aquilo que me surge hoje, tendo em conta a prática que adquiri ao longo dos anos, essa era, sem dúvida, uma experiencia inovadora e enriquecedora. Não é que tenha experiência em oncologia, mas desperta-me para o futuro.

Na Escola Dramática, é claro que, se for preciso, continuarei, mas espero que não, porque é necessário que as pessoas mudem para que mude a dinâmica. Depois de uns anos, vamos fazendo o trivial. Eu tento gerir as coisas para sair no momento certo. Fui fundador da Federação das Coletividades do Concelho de Gondomar, estive no Gondomar Sport Clube – futebol amador e depois profissional -, passei ainda pela Banda de Música Gondomar-S. Cosme…

 

 

Humberto Delgado na Escola Dramática

 

 

…Gondomar tem muitas coletividades!

Valbom tem 28! Isto só na freguesia mais pequena do concelho, com cerca de quatro quilómetros quadrados. Em função da superfície é das freguesias que mais coletividades tem. Releve-se, entretanto, o facto de todas elas terem sede própria. Ninguém tem casa alugada!

 

E a curiosidade disto é que, sendo Valbom, em outros tempos, muito pobre – vivia muito do trabalho por conta de outrem fora da freguesia -, chegou-se a uma altura em que havia a construção do quartel dos Bombeiros Voluntários de Valbom; havia a construção do Centro Social e Paroquial de Valbom e havia ainda a construção da sede social do “Luz e Vida”, e ao mesmo tempo arranjou-se dinheiro para tudo, porque os valboenses quando davam os seus donativos endereçavam-nos, acima de tudo, às coletividades e não a pensar em certa ou determinada pessoa. Na altura, se desse 100 escudos aos bombeiros, tinha de dar igual quantia ao “Luz e Vida” e ao “Centro Social”.

Esta é uma freguesia dinâmica. Não é por acaso que, aquando das eleições para a Presidência da República, quando o general Humberto Delgado concorreu, duas pessoas morreram, junto à Fonte Pedrinha”.

 

O general Humberto Delgado veio à Escola Dramática?

“Veio cá, sim senhor! Nessa altura ombreávamos com essa questão do republicanismo e da democracia! Ainda hoje, a população é, na sua maioria, simpatizante do Partido Socialista, e só para as eleições para a Assembleia de Freguesia é que vota, maioritariamente, no PSD.

Eles não veem o partido… veem a pessoa. Eles sabem que não penso pelos outros!”

 

 

Bar da sede social

“Dinamizar a Música” é projeto para o futuro

 

 

Falando do futuro. A curto ou médio prazo, quais são os projetos que tem para a Escola Dramática?

“Manter as secções de patinagem e de teatro e dinamizar a música, até porque passou por cá o violinista Gerardo Ribeiro, nascido no ano de 1950, em Valbom – ainda que registado no Porto -, e que, hoje, está radicado nos EUA, sendo conhecido nos quatro cantos do mundo, e, inclusive, condecorado, em 1999, com o título de “Comandante da Ordem do Infante D. Henrique”.

Mas, também outros músicos importantes por cá passaram. Nós temos uma escola de música, mas pretendemos dinamizá-la.

E, depois, temos que criar uma secção cultural muito específica, essencialmente, para a leitura de poemas. Nós temos diversos poetas autodidatas, com edições de livros, e que os queríamos aproveitar”.

 

Todos estes projetos para desenvolver numa instituição sediada naquela que ainda é a autarquia (Junta) de Valbom?

Sim, e esperemos que continue a ser. Eu penso que sim, porque a Lei Eleitoral já foi por água abaixo e, a seguir, se calhar, irá esta, porque as convulsões sociais são cada vez maiores e o governo não deve estar interessado em que a extinção de freguesias incendeie mais os ânimos. A procissão ainda vai no adro e isto ainda vai dar muita chatice.

Espero que o governo recue, porque não é por aí que eles economizam dinheiro. Aliás, se formos pegar nas palavras que o senhor ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, disse, recentemente, é de ficarmos deveras preocupados. Ele dizia que tínhamos mais polícias, mais médicos e professores por habitante na Europa, assim sendo, não tenho dúvida que eles vão cortar em tudo isso”.

 

 

Fachada da instituição

“Só quem entra é que sabe que está cá dentro”

 

 

A elevação de Valbom a cidade foi uma mais-valia?

“Foi um reconhecimento. Foi um título honorífico e nada mais do que isso. Mas, foi, na verdade, um reconhecimento que a Assembleia da República fez à freguesia de Valbom, por duas razões: histórica, que só nós e S. Pedro da Cova têm no concelho de Gondomar – ambas ligadas ao movimento republicano, de contestatários ao regime da altura-, e ligado à Lei: ela previa alguns equipamentos para a elevação a cidade nós tínhamo-los todos e até tínhamos mais que o exigido. Tínhamos e continuamos a ter!

Se for, por exemplo, às nossas piscinas municipais de Valbom, poderá encontrar 70 por cento de habitantes do concelho de Gondomar e 30 da zona oriental do Porto. Eles vêm cá porque fica mais perto, é mais barato, e tem melhor qualidade.

Resumindo e concluindo nós temos mais população que 116 concelhos, de um total de 306 municípios do país. “

 

Regressando, mais concretamente, à instituição, ainda que ela seja parte integrante de um todo e foi desse todo que estivemos a falar, pergunto: a Escola Dramática aposta nas novas tecnologias?

“Temos internet e isso tudo, mas não fazemos ações de formação.”

 

O vosso auditório (bonito, diga-se de passagem) tem normalmente as cadeiras, originárias do Teatro Nacional de S. João, ocupadas?

“Sim. Repare: o nosso auditório é multifuncional. Damos ao público teatro, colóquios, debates e trabalhamos muito em parceria com as escolas e outras coletividades, as quais, no auditório, apresentam as suas iniciativas”.

 

A Escola Dramática está de portas escancaradas para a comunidade…

“…Não somos estanques. Entendemos que esta instituição, pela história e pergaminhos que tem, deve estar, obrigatoriamente, aberta aos valboenses, porque ela foi criada para servir Valbom. “

 

Aqueles que vivem em Valbom, mas não são naturais da terra e fazem dela um dormitório, também vêm à Escola Dramática? Participam nas atividades?

“Muito poucos. Só quem entra é que sabe que está cá dentro! Quem passa na rua, e por acaso dá pelo edifício da instituição, a mesma não passa, para essas pessoas, por mais de uma das muitas coletividades de Valbom. E, depois, como não sabem da história Escola Dramática, não têm referências… nada têm,  e passa-lhes ao lado!

Mas, no Festival de Teatro tivemos uma média de 120 espetadores para uma lotação de 215 pessoas, o que foi muito bom!”

 

E fica aqui registada a história de uma nobre instituição, a qual pode visitar na rua com o nome da mesma (Escola Dramática), na cidade de Valbom, ali em Gondomar.

 

 

 

Texto: José Gonçalves

Fotos: António Amen

 

2 Comments

  1. Ilidio Martins

    Como Valboense, como sócio da Escola Dramática e Musical Valboense, deixo o meu testemunho e agradecimento por tudo quanto José Gonçalves tem feito por esta instituição.
    Teve em seu pai a fonte inspiradora na arte e dedicação a esta instituição. Mas inegavelmente ultrapassou o seu mestre e pai.
    A Escola Dramática não seria o que é hoje sem o contributo do Presidente José Gonçalves.
    Um bem haja
    ilidio Martins

  2. José Gameiro

    Em primeiro lugar dou os meus parabéns ao autor deste trabalho.

    Dado que pertenço a uma familía de Volbom e toda a minha vida ouvi falar sobre esta prestigiada Associação, gostaria de colocar as seguintes perguntas ao Sr. José Gonçalves:

    Qual foi a 1.ª morada da associação na Rua Dr. Manuel da Costa?

    A segunda questão é a seguinte: A minha família paterna tem o apelido Gameiro e eram artífices de ouro, com oficina e escritório precisamente na rua Dr. Manuel Da Costa.

    A minha avó paterna contava muitas vezes que houve um irmão seu que era perseguido pelo regime monarquico e que pertencia à associação, e/ou terá feito parte dos grupo dos fundaes.

    Será possivel dar-me alguma pista sobre estes factos?

    Fico aguardar as suas prexadas notícias e termino enviando-lhe os meus melhores cumprimentos

    José Gameiro

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.