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O Povo Unido …

 

José Gonçalves

(diretor)

 

Palavra que, há muito tempo – e só (!) tenho os meus 45 anos –, não tinha visto tanta gente na rua, a não ser (recorda-te Zé… recorda-te Zé), numa grande festa de alegria e esperança, isto num 1.º de maio, já não sei se de 1974, ou de 75.

Bandeiras. Cravos. Gente sorridente. Gente com esperança no futuro.

É… tudo se passou na avenida dos Aliados, aqui na minha cidade do Porto! Fui pela mão do meu pai. Havia bandas filarmónicas na praça e muitos balões coloridos. Havia Gente!

Ena que festa!

Festa!

Havia Gente!

Ena!

E, por acaso, foi nessa avenida aliada aos aliados, junto a uma praça da liberdade que, anos depois, a 15 de setembro de 2012, voltei a sentir o pulsar do povo, o tal que estava resignado ou acomodado ao sofá e à “teletreta” da “Casa dos Segredos”, mas que levantou o rabo e saiu à rua.

 

Desta feita, e ao invés do que aconteceu logo após a revolução libertadora do 25 de abril, aquela malta (100 mil, no Porto; 400 mil em Lisboa e outros milhares por 40 cidades do País) não estava lá por alegria. Não! Estava a lutar, estava farta desta politiquice coelheira. Cheia, que ela estava e está, de dívidas. E ela dizia “Basta!” Repetindo, vezes sem conta, frases de outrora – que me soaram bem : “O Povo Unido Jamais Será Vencido!

“O Povo Unido Jamais Será Vencido!”. Recordo-me da máxima.

Na altura da minha meninice não havia redes sociais, mas toda a gente concentrava-se, cantava, dançava nas ruas, ria-se, e ria-se; abraçava e abraçava-se. Eram cravos para aqui; cravos para acolá. E eles dançavam e abraçavam-se!

Foto: Érico Santos

 

 

Dia 15, como, recentemente, a 29 de setembro, o povo saiu à rua. Para quê? Para cantar liberdade? Para sorrir e abraçar? Para se sentir, sentindo-se? Para dar um pontapé nesta política de merda e de roubalheira? Para dizer “basta” à escumalha que nos desgoverna? Para mostrar músculo com o suporte da calçada?

Claro que sim!

E assim vai continuar a ser, ainda que sejamos considerados por essa Europa fora uns verdadeiros bananas. Na verdade, somos! Somos o mesmo povo – agora com telemóveis – que Eça, e outros nobres senhores retrataram em meados do século XIX… o lusitano passivo povo do sul da Europa.

 

Saímos à rua. Abanamos a árvore. Agora, esperamos que caia o fruto maduro a morrer de podre… mas, se ele não cair, reage-se dizendo:  Porra! O que é isto?

Atenção que o “Outro”, entretanto, diz, ou vai dizendo: Falta o resto!

O que é o resto? E quem é o outro?

O resto é o que falta, o outro é aquele que não se vê e que, sem querer – e quando ninguém se aperceber-, aí estará para fazer cumprir a história, vingando-se.

Foi importante alertar a gentalha? Foi! É! Será!

O Povo Unido que Jamais Será Vencido, tem de manter a união, pois, caso contrário, será vencido com um simples abanar de uma nota de 50 euros.

 

Hoje, escrevendo eu, não vos dou a minha opinião sobre a TSU e o “tsunami” que a mesma originou neste governo desnorteado. Tudo… tudinho em três semaninhas apenas! Que vergonha! Que incompetência! Que coelhice! Que falta de respeito!

Hoje, escrevendo eu, não revelo a minha opinião sobre esse “Relvas” e toda a cambada de malcriados deste governo, os tais que apelidaram, e ainda apelidam, a malta de “piegas”, “cigarras” e de outros animais animalescos. O povo sabe(?!) quem são os tecnocratas corruptos, politiqueiros sem caráter, sem princípios… malcriados.

 

No “meu” Bolhão, a cair aos pedaços, a Mariazinha, junto aos seus netos e bisnetos, se encontrasse essa gentalha, tudo seria mandado àquela parte. O pior é o resto!

E o resto?

E falta o outro?

Quem é o outro?

Quem vai pagar mais de dois mil milhões de euros até dezembro, quando se sabe que a meta do défice a atingir até à cozedura das batatas com bacalhau, é de (benesse troikiana) cinco por cento, e a “coisa “ – a nossa “coisa” –  “murchou” e está, atualmente, pelos seis e meio (défice)?

Quem vai parar as” insolvências das PME? Quem vai parar a crescente onda de desemprego (um milhão e trezentos mil)? Quem irá assumir este estado de coisas?

 

E o povo saiu à rua, e recordo-me da máxima: “O Povo Unido Jamais Será Vencido!”

E recordo-me de todas as promessas que se fizeram ao longo de 39 anos. E recordo-me de políticos e politiqueiros. Vigários e vigaristas. E recordo-me já daquilo que queria ser e não sou… vou sendo!

E o resto? E quem é o outro?

O outro és tu que me lês e não tens dinheiro para pagar a refeição do teu filho, do teu neto, do teu sobrinho. O outro és tu que fechaste a tua empresa e choraste ao ver chorar os teus empregados. O outro és tu que por aqui andas e ainda acreditas num Portugal melhor!

O resto?

Serão mais mentiras, mais impostos  até que este povo seja, na verdade… na prática… mais unido!

Assim, sim, O Povo Jamais Será Vencido!

 

 

Sugestão:

 

Quem Fala AssimRTP2, aos domingos, às 19 horas.

“Quem fala Assim” é um concurso, com 13 edições de 25’, produzido em parceria pela RTP 2, a Assembleia da República e a ARTV onde equipas formadas por dois alunos do 10º ano de escolaridade, das escolas públicas e privadas, defendem, em versão de pró e contra, um ponto de um artigo da Constituição Portuguesa sendo no final avaliados por um júri.

As duas equipas que obtiverem mais pontuação defrontar-se-ão de novo para uma proposta de acrescentar um ponto à Constituição.
Os pontos de debate foram escolhidos entre os responsáveis da RTP e pelo constitucionalista João Nuno Amaral, da Assembleia da República. Os alunos tiveram, na sua escola, um treino para falarem em público, promovido pela RTP.
O júri do concurso é constituído por Maria João Guardão, Joana Poiares e Narana Coissoró. Em todos os programas há um convidado especial que integrar o júri do concurso.

 

Antes de finalizar este artigo, um abraço fraterno e de solidariedade para o nosso camarada de redação José Manuel Tavares Rebelo, que, aqui no “Etc e Tal”, escreve na sua que também é nossa “Praça da Liberdade”, mas que, por motivos de saúde não nos tem acompanhado com regularidade.

Para ele, rápidas melhoras!

 

E, pronto…

 

Sejam felizes

 

Até novembro!

 

 

2 Comments

  1. Celeste Reis

    Claro que o povo unido jamais será vencido. Excelente peça a tua, José Gonçalves, pois alertas para o facto de não se esfumar esta luta do povo que não pode, e não deve, ser aproveitada por certos politiqueiros. Parabéns ao “Etc e Tal” e a toda a sua equipa. Jo jornal está, realmente, bom.

    Celeste Reis – Gondomar

  2. Waltermr Rodrigues

    Olá brioso jornalista e amigo,Como sempre,O parabenizo por esta postagem bem interessasnte, que mostra bem em relato real como estão as coisas neste lindo país,Espero e sempre conto com um grande futuro para todos nós,Eu sei que o mal tem seus dias contados e a tirania por pouco tempo perdurará por isso amigo Guerreiro admirável,Eu sei que não irás parar de lutar nesta tribuna livre,E sei que sua voz aos poucos está sendo ouvida por mais e mais pessoas com isso formando opinião e divulgando informação.
    És sem duvidas um Jornalista exemplar.
    Tenhas muito sucesso querido e admirável amigo.

    By: Waltermir Rodrigues.

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