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Os visíveis e invisíveis “profissionais da desordem”

 

José Gonçalves

(diretor)

O passado dia 14 de novembro deveria ter ficado para a história recente do nosso país, como a data em que foi realizada a mais participada Greve Geral das últimas décadas. Mas não! A data fica para a história com os reprováveis atos de vandalismo e de desordem frente à Assembleia da República e consequente carga policial. Esta história ainda está longe de ser bem esclarecida, como pouco esclarecidas estão todas as ações a ela inerentes e que se sucederam nos dias e semanas seguintes aos atos de vandalismo.

 

Custa-me, na realidade, estar a falar nisto, quando se aproxima o Natal e, por tradição, este tipo de colunas são destinadas a fazer festinhas nas cabecinhas das crianças, a dar abraços e abracinhos a toda a gente, a dizer bem de quem sempre dissemos mal, enfim a uma dose q.b. de hipocrisia. Mas, a dura realidade que vivemos já não dá – ou não devia dar – espaço a hipocrisias.

 

Acrílico sobre tela de Paulo Themudo

 

O dia 14 de novembro pode ser um marco no embrionário estado policial que, com pezinhos de lã, se vai criando em Portugal. O ministro da Administração Interna, horas depois da “confusão” separou depressa as “águas” entre as manifestações da CGTP e a outra dos “anarquistas não sei de quê”, enfim de uns insurretos que aproveitaram uma legítima jornada de luta para desviarem as atenções quanto aos positivos resultados da mesma.

 

Falou-se, então, em “profissionais da desordem”, culpabilizando-os pelas lamentáveis e repugnantes cenas de vandalismo que todos nós assistimos através das televisões tanto frente à Assembleia da República como pelas artérias de Lisboa até ao Cais do Sodré. Lamentável!

Mas, na verdade, quem são os verdadeiros profissionais, que ganham dinheiro – por isso são profissionais – a fomentar direta ou indiretamente a desordem social?

Claro que uns foram detidos pela Polícia, outros estavam encapuzados – agentes infiltrados – houve quem o dissesse!- e escaparam à Polícia? E os outros? Os profissionais que levaram à desordem, porque se o país não estivesse a caminho do abismo, por certo, não haveria motivos para tais manifestações. Tanto para as manifestações legítimas, como para as outras que parasitariamente se aproveitam dessas ações de luta, para as descredibilizar e criar simulacros de insurreições.

 

Não sei se alguns dos que farão parte da classe dos profissionais da desordem foram aqueles que entraram pelas instalações da RTP e – criando desordem – levaram imagens da desordem, sem ordem (mandado) judicial? Não sei se, da classe dos profissionais da desordem, fazem parte os seguranças de ministros que ameaçam de porrada certos jornalistas?Se esse tipo de atitudes é para fomentar a ordem? Se é, então o diabo é meu amigo e Jesus Cristo deve estar no Inferno, de certeza absoluta.

 

Quem está a fomentar a desordem neste país e a criar uma classe que tende a empregar muitos desempregados desordeiros? Quem? Quem são os verdadeiros profissionais da desordem, senão aqueles que, com contrato por quatro anos, ganham milhares e milhares por mês, tirando milhares e milhares por mês aos portugueses? Estão eles, ou não estão, a fomentar a desordem, indo até mais além das exigências, ou das ordens desordenadas, de uma Troika qualquer?

 

Nós conhecemos os profissionais da desordem, eles é que pensam que não. E pensam que não, porque os resignados, que de um momento poderão transformar-se em verdadeiros revoltados, vão se matam em seio familiar e não consomem os “senhores do poder”. Mata-se a mulher, mata-se tia, o filho, o irmão, o pai, bate-se no médico e no enfermeiro do hospital mais próximo e etc e tal, tudo por falta de ordem – leia-se dinheiro -, a tal ordem fomentada pelos tais profissionais que ainda não foram detidos, mas que, brevemente, – esperemos! – sejam julgados democraticamente pelo “pacífico” povo lusitano.

 

Neste país, muitos já chegaram à conclusão que a política que por cá se desenvolve é de fomento (ao de leve) à morte e à emigração. Quantos mais morrerem, mais o Estado poupa em reformas. Quanto mais desempregados se pirarem para o estrangeiro, mais o Estado poupa em benefícios ou prestações sociais.

Para este governo, ou para os profissionais da desordem, o Estado Social terá o futuro que o Papa deu ao burro e ao boi (ou à vaca) no presépio do menino Jesus. Rua com ele(s)!

 

Não me querendo alongar mais, concordo que “só faz sentido fazer sacrifícios e reformas se daí resultar qualquer coisa que seja mais positivo, mais agregador, que fomente a coesão nacional, o desenvolvimento e o bem-estar das pessoas”. As palavras não são minhas, são do ex-Presidente da República, Ramalho Eanes.

Devia ser assim, devia. Mas não é. E como não é, isso não é incentivador à desordem? Claro que é. Então, quem são os profissionais da desordem? Quem?

 

Os meus votos de Boas Festas para si em especial, amigo(a) leitor(a) do “Etc e Tal jornal”…

 

 

Até janeiro, que é mês para comemorarmos o nosso terceiro aniversário.

 

Sejam felizes e ordeiros

3 Comments

  1. Lourdes dos Anjos

    Muitos parabéns ao diretor do nosso jornal;muitos e bons anos de vida com saúde, paz e já agora um trabalho remunerado que dê para os gastos, mais uns mimos , mais um desconsolo de gente pobre que fica feliz comendo bife uma vez por ano, mais um copo de vinho fino em dia de aniversário mais ETCETAL…SE NÃO FOR PEDIR MUITO

  2. Waltermir Rodrigues

    Olá caros e valorosos leitores deset jornal,Eu sou Waltermir Rodrigues e escrevo direto do Brasil,Mas… Sabem, Se uma pessoa me pedisse para definir uma qualidade do José Gonçalves eu diria, CORAJOSO, mas, eu não poderia ficar só nisso teria que acrescentar, OBJETIVO, INCANSÁVEL, BATALHADOR, GUERREIRO, ADMIRÁVEL, Um ser humano como poucos que conheço, por isso digo abertamente que sou fã dele, pois ele mereçe sim.

    By: Waltermir Rodrigues de Recife, Pernambuco, Brasil.

  3. Catarina DS - Lisboa

    Hoje em dia é precisa muita coragem para escrever o que escreveu, porque sobre os infiltrado ninguém fala e eu conheço alguns….
    Eles andam por aí e fazem horas extraordinárias. As Secretas pagam-lhes bem

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