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Ataques norteados…

José Gonçalves

(diretor)

Um Bom Ano de 2013 para todos os nossos leitores, colaboradores, amigos e inimigos de estimação.

Cá por “casa” preparamo-nos para comemorar três aninhos (data oficial: 21 de janeiro). Lá por fora, mas cá dentro (Portugal), preparamo-nos para apertar o cinto. Não é coisa que a gente não esteja habituada, mas, diga-se em abono da verdade, que esse exercício já cansa, já farta, já aborrece e revolta o estômago que vai ficando cada vez mais pequenino.

 

ataque ao norte - 01jan13

 

Além disso, temos ainda de aturar governantes mentirosos, que estão a borrifar-se para a miudagem que vai para as escolas sem comer, para o milhão e quatrocentos mil de desempregados, para quem dorme na rua, para quem não tem luz e água na casa que não é deles, para os reformados e pensionistas que estão a ter um aterrador final de vida e para todo um País que está à venda, que perdeu a sua identidade, que tem fronteiras fictícias. Um país que já foi.

 

Este pode ser considerado um discurso miserabilista, negativo, como que consubstanciando o triste fado que cantamos e o folclore que vai perdendo cor e animação. Mas, não é! Quem tem olhos na cara e tato nos dedos à procura do que não tem no bolso das calças que se encontra mais à mão, sabe que esta é a realidade.

Se continuasse a falar da realidade, do desespero que grassa neste país, correria dois riscos: o primeiro de ser maçudo; o segundo, de dar muita importância à governança “terreiropacista”, centralista, ultraneoliberal, germanófila, cobarde, mentirosa, irresponsável, insensível, brincalhona, comilona, impreparada, furtiva e camaleónica. “Basta!

 

O ataque (quase) anunciado!

 

E “Basta!” também com este declarado ataque governamental a instituições sediadas na região do Porto. Casa da Música, RTP-Porto, aeroporto do Porto e Porto de Leixões. Este é o (repito) “ataque” à cidade do Porto e sua região mais severo, direto, insensível e inexplicável, desde o 25 de abril. Mas, o povo está adormecido, como que “drogado”. Não é o mesmo que, há anos – não muitos – defendeu o seu Coliseu, o seu Rivoli, que lutou, contra tudo e contra todos centralistas, pela construção (considerada platónica, amalucada, extraterrestre) do Metro do Porto. O espírito tripeiro não é o mesmo!

 

Não estou aqui a defender o bairrismo balofo, nem estou contra Lisboa e muitos menos contra os lisboetas, que também levam – ainda que mais ao de eleve – com estes “governantes” na cabeça. Não! Refiro-me ao resignado tripeiro que, hoje em dia, só parece lembrar-se da cidade quando é noite de S. João, o FC Porto ganha um campeonato ou uma prova europeia (e que ganhe muitas!), ou, em casos pontuais, como o da ocupação da escola da Fontinha. É só aí que o meu povo sai à rua.

 

Os “emperrados!”

 

Não sai à rua, por exemplo, para defender o seu Bolhão! Não sai à rua pela reabertura do seu cinema “Batalha”! Não sai à rua pela defesa da identidade daquela que é a sua Terra, da sua Terra que é capital do noroeste peninsular, que tem séculos de história, que deu nome a Portugal, e que agora é comandada à distância pelos interesses “terreiropacistas”, onde em muitos gabinetes tem, infelizmente, lá sentada, gente que é de cá. Eu sei quem eles são, vocês também, mas poucos são os que lhes apontam o dedo.

 

E, custe a quem custar, não saem à rua porque não há, por cá, um líder carismático que as faça levantar o rabo do sofá… uma pessoa que dê dez mil murros na mesa de um ministério qualquer. Que vá à capital do Império, enfrente os “bichos” e exija aquilo a que o Norte tem direito. Não! Só se fala, fala-se (de preferência às horas dos telejornais) e depois… depois, tarefa feita (inconsequente), vai um banhosinho reconfortante e um deitar suave na caminha que os tem de suportar.

 

Onde para a Regionalização consagrada na Constituição da República? Ondem param os grandes empresários do norte e as sedes das suas empresas? Onde param muitos dos nossos artistas, salvaguardando aqueles que tiveram, e têm, a coragem de ficar por cá? Onde está a força que sempre caraterizou as gentes do norte?

 

São perguntas Senhor, são só perguntas!

Estamos, ou não, fartos desta comandita?

Ora que porra! Se estamos, e parecemos que não estamos, estamos aqui a fazer o quê? A olhar para o balão como um patego? À espera do famigerado D. Sebastião, e de que alguém faça por nós, aquilo, que na realidade, seríamos nós a fazer, assumindo, de corpo e alma, a responsabilidade da obra?

São perguntas Senhor, são só perguntas!

 

 

Agradecimentos

 

Como diretor do “Etc e Tal jornal” quero, entretanto, agradecer a todos os leitores que se lembraram de nós, e, nesta quadra, nos enviaram os seus votos de Boas Festas: (*)

 

Teatro Nacional de S. Carlos (Lisboa)

Carlos Sameiro (Porto)

Teatro Nacional de S. João (Porto)

Teatro Nacional D. Maria II (Lisboa)

José Candeias (RTP/RDP)

Celeste DAF (França)

Maria Rodrigues

José Lopes (Ovar)

Seiva Trupe (Porto)

FENPROF

Porto Lazer

Rádio e Televisão de Portugal (RTP)

José Lachado (Porto)

Cipriano Manuel Castro

Jornal “Malho Tanoeiro” (Esmoriz)

Domingos da Mota

Eduardo Roseira (VN Gaia)

Celeste Reis (Gondomar)

Pedro Martins (V. Gaia)

Duarte Silva (Faro)

Susana Silva (Ermesinde)

António Pedro (Évora)

Mafalda Nascimento (Lisboa)

Carla Silva (Matosinhos)

Edmundo Duarte (Funchal)

Paulo Duarte (Praia – Cabo Verde)

Boavista Futebol Clube (Porto)

Maurício Coelho (Almada)

João Silva (Alcochete)

Manuel Santos (Coimbra)

José Gomes

Filipe Ferreira e família (Avintes)

Alexandre Mateus

Filipe Octávio (Esmoriz)

Empresa Josefer (Esmoriz)

Maria Teresa Silva

Fátima Campos Ferreira (RTP)

Paulo Rodrigues

Paulo Ribeiro de Melo

Hélder Dias

Catarina Silva (Beja)

Paulo Xavier (Chaves)

Paulo C. Gonçalves (Porto)

João Miranda (Porto)

Castro Martins (Matosinhos)

Rita Silva (Luanda-Angola)

Mónica T. Ribeiro (Gondomar)

Paula Neves (Lisboa)

Mário Cordeiro (VN Gaia)

José T. Marques S. (Rio de Janeiro – Brasil)

Nelson Soares (Hamburgo – Alemanha)

Mário Sousa (Porto)

Armando Silva (Londres-Inglaterra)

Susana T (Montalegre)

Silva e Silva (Porto)

 

 

(*)Por ordem de chegada à nossa redação

 

Sejam felizes

 

Bom ano!

 

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7 Comments

  1. Augusta M. (Vila Real)

    Tudo o que você escreve é tão verdade que até tenho vergonha de dizer que imigrei para aqui, e não lutei por causas da minha terra. Sou tripeira!
    Você tem razão! Mas, mesmo aqui, e através do “nosso” Etc e Tal e das redes sociais, estarei pronta a defender a cidade que nunca me defendeu! Os políticos da cidade nunca me defenderam, por isso estou por trás dos montes… e ainda bem”

  2. José Maria (porto)

    Hoje, ao assistir ao final do “Praça da Alegria”, lembrei-me de si. Já tinha lido o seu texto/artigo e lembrei-me do que aqui escreveu. Então, apeteceu-me escrever para si, para o seu jornal, para a sua equipa, mas para si em especial.
    Faltam mais pessoas como você no Porto… e mais não digo.
    Obrigado por tudo o que tem feito e faz pela nossa cidade!

  3. Pedro Martins (VNGaia)

    O Porto, a cidade, a região, merece um jornal assim. Poderia ter escrito na rubrica “Editorial”, ma escrevo aqui para enaltecer o papel de José Gonçalves neste jornal que é dele, mas também é de todos, porque para todos ele se dirige. Venham mais três… anos!

  4. Madalena Mónica (Espinho)

    Subscrevo tudo o que disse. Este jornal tem sido um lutador na defesa dos interesses da região do Porto e do Norte de Portugal. Ao sr. diretor parabéns pelo jornal que dirige e com a coragem que o faz.

  5. Manuel Silva (Porto)

    Exmo Sr. Director. Parabéns pelo seu jornal e pela forma equilibrada e inteligente como critica o poder centralista deste governo. Aliás, nessa luta não está, pelos vistos, sozinho, atendendo ás ultimas declarações do presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio. Na verdade, a nossa cidade e a nossa região, tem sido atacada, como nunca pelo poder central, lembrando-se, agora, poder, como diz “terreirpacista” de dar um rebuçado através do Centro de Produção do Norte. Elesd acham que nós somos parvos… parolos!

  6. Maria Marques (Setúbal)

    Frontal, directo, sincero. Jornalista. Parabéns! Por si, pelo seu jornal e por ser um dos defensores da minha terra… Porto.

  7. Zulmira Duarte (Lisboa)

    Admiro a forma frontal, realista e inteligente como foi escrito este este artigo. Salvaguardando as boas gentes de Lisboa que nada tem a ver com a “comandita” que nos governa, soub dar relevo aos interesses do Norte e, em especial do Porto, lamentando a falta de atitude da população, o que é um caso, infelizmente, quase geral. Parabéns senhor diretor. Li pela primeira vez este jornal, gostei, vou continuar a acompanhá-lo, e, já agora, os parabéns pela passagem do 3.º aniversário da publicação.

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