Lúcio Garcia
Principalmente ao longo dos últimos dois anos, a esmagadora maioria dos comentadores políticos tem-nos feito crer que o problema do nosso pais está na dívida pública. Não temos outra solução senão apertar o cinto custe o que custar. Gastamos acima das nossas possibilidades e, agora, não há remedio senão ficarmos a cada dia que passa com menos saúde, educação, segurança social, reformas, salários, enfim sem nada.
Isso de viver com dignidade, com o mínimo que nos deve garantir um estado moderno é para os alemães, que trabalham menos horas do que nós e têm mais feriados. A Merkel este ano até lhes aumentou os salários.
Uma das principais razões da nossa dívida, é responsabilidade do setor financeiro e dos grandes grupos económicos, que são agora os seus principais beneficiários e para os quais estamos todos a pagar com os nossos salários, reformas e impostos
Uma outra razão para este grande flagelo da dívida é a corrupção. A grande corrupção instalada nos grandes negócios a todos os níveis.
Recentemente a Associação 25 de Abril promoveu uma conferência sobre este assunto que vos convido a visitar em:
-A Corrupção na Origem da Crise (1 de 5) – Vasco Lourenço – Associação 25 de Abril
http://www.youtube.com/watch?v=HcTxAcE0n2o
-A Corrupção na Origem da Crise (2 de 5) – Vasco Lourenço – Associação 25 de Abril
http://www.youtube.com/watch?v=aiTSJekHbxQ
-A Corrupção na Origem da Crise (3 de 5) – Vasco Lourenço – Associação 25 de Abril
http://www.youtube.com/watch?v=7zool__iaGg
-A Corrupção na Origem da Crise (4 de 5) – Vasco Lourenço – Associação 25 de Abril
http://www.youtube.com/watch?v=yVBHuQRrBOk
-A Corrupção na Origem da Crise (5 de 5) – Vasco Lourenço – Associação 25 de Abril
http://www.youtube.com/watch?v=MBUs8sUVa7M
Que culpa tem afinal o povo nesta dívida? Porque é que continua a ser o povo a pagar uma dívida para a qual pouco contribuiu? Até no caso da dívida dos particulares referente à compra de casa, é o povo que tem culpa? Mas será que os bancos estão isentos desta culpa? A lei das rendas de casa (ou a falta dela) não contribui para isso?
Chamam perdulários às pessoas que compraram casa, quando a opção para alugar era mais cara do que contrair um empréstimo à banca? Quem alterou de forma radical as expectativas que foram criadas ao longo de anos e anos? Hoje o poder político faz-nos crer que fomos uns gastadores, uns perdulários.
Casas para quê? Então não podíamos morar numa barraca? Em vez de computadores nas escolas não podíamos ter uma lousa e um giz? Escolas modernas param quê? Com aquecimento? Que disparate. Saúde com bons profissionais para quê? Em vez de médicos cubanos para nos tratar por falta deles em Portugal devido à política de educação no tempo de Cavaco, que paralisou os cursos de medicina, porque não importar uns curandeiros, sei lá, da selva amazónica ou de Angola?
Na onda de Passos Coelho e Gaspar para quem as pessoas pouco importam, para quem é, verdinho basta! (Ainda há pouco tempo, se podia comprar o bacalhau, mas agora ao preço que está só “verdinhos” – tipo de peixe a muito baixo preço). Portugal começa a ser invadido pela fome.
Recentes reportagens e testemunhos assim o confirmam. Desgraçadamente começa-se a perder a noção do direito para substitui-lo pela caridade. Isabel Jonet, a par da ação meritória que tem no Banco Alimentar, diz preferir a caridade à solidariedade social e que em Portugal não há miséria. Não tem agora que se queixar. Quem politizou este assunto foi a própria, foi a sua frieza perante a situação cada vez mais dramática que atravessamos que levantou contestação às suas palavras.
Quando diz que em Portugal não há miséria só pode ser porque não sai do seu gabinete do Banco Alimentar. Será bom que comece a andar no terreno para saber do que fala.
E agora? Como vamos sair deste buraco? Não será com certeza com as políticas fundamentalistas e neoliberais que têm sido seguidas até aqui com Passos Coelho. A cada dia que passa mais perto nos encontramos do abismo. Os senhores da Troika só podem elogiar este governo porque são também eles responsáveis pelo descalabro para onde nos conduzem. E dizer que as coisas não estão bem, seria desprestigiarem-se a si próprios.
A verdadeira e única possibilidade de sairmos da crise só pode passar pelo desenvolvimento. Só criando riqueza poderemos sair da crise e pagar o que devemos nas proporções corretas da dívida contraída por cada setor da sociedade. Só com desenvolvimento e criação de riqueza poderemos pagar o estado social, é um facto. Mas não acabemos com ele porque desviamos recursos para pagar juros usurários e dívida que não nos é devida. Isso não. Basta de sermos enganados.
E a alternativa?
Recentemente, realizaram-se os congressos do PCP e do Bloco. Que esperar desta esquerda? No meu ponto de vista, muito pouco. O congresso do PCP, elegeu como seu maior adversário o PS e o seu secretário-geral não se cansou de afirmar que toda a outra esquerda é que tem que seguir o ideário coletivo do PCP. Por este caminho, mais uma vez, a esquerda não se congregará num esforço comum.
O Bloco, elegeu duas cabeças, tornou-se bicéfalo. Se lhes passasse pela cabeça a conquista do Poder, gostaria de saber quem seria o seu primeiro-ministro. Fernando Rosas poderia tê-los elucidado que os exemplos romanos de triunviratos nunca deram grande resultado. Entre três e duas cabeças, venha o diabo e escolha. Dominada por uma fação muito estilo UDP por aqui também não se vislumbra nada de bom para uma união à esquerda.
Resta-nos o PS.
Mas quando é que o PS nos vai começar a demonstrar uma real oposição a este governo? O PS, tem a obrigação de apontar uma alternativa real para o crescimento. Essa alternativa existe. Neste momento tão difícil, deve passar pela recuperação do verdadeiro espirito republicano que está na origem do PS.
Desafio Seguro a apresentar rapidamente, uma alternativa que deve começar por um verdadeiro combate à corrupção. Só isto é meio caminho andado para o desenvolvimento.
O PS deve começar por apresentar os nomes dos próximos deputados às próximas eleições ao Parlamento. Deve dessa lista expurgar todos os nomes de deputados ligados a gabinetes de advogados ou ligados a empresas direta ou indiretamente que possam por em causa ainda que de longe a sua verdadeira independência como parlamentares.
Os deputados devem estar no parlamento ao serviço do Povo e não ao serviço de qualquer outro interesse. O PS deve empenhar-se em expurgar das leis de todos os artifícios que complicam o quadro legislativo e executar leis transparentes sem segundas alternativas e que não necessitem de ser explicadas por gabinetes de advogados que eles próprios fizeram. As leis devem ser legisladas pela Assembleia da Republica e não encomendadas a gabinetes de advogados.
O PS, deve empenhar-se seriamente no funcionamento rápido da justiça, congregando todos os esforços financeiros e outros que para tal sejam necessários. Mesmo contra todos os interesses instalados que o tentem boicotar. Se as leis forem bem explicadas, o Povo estará com o PS.
O PS, tem que apresentar muito rapidamente de forma simples e compreensiva o que quer para Portugal no âmbito da construção europeia. A Europa é o nosso futuro e Portugal nunca sobreviverá sem a Europa.
O PS, tem que definir de forma clara um plano estratégico para o País. Um plano de desenvolvimento sustentável que permita pagar e proteger o estado social. Esse plano tem que ter um rumo bem definido para vários anos de forma que as expectativas sejam reais e não defraudadas a cada passo. Isso é fundamental.
As empresas, os trabalhadores a sociedade em geral, não conseguem ter expectativas a médio e longo prazo sem saber o que o espera nos anos seguintes. Que agricultura, pescas, indústria e serviços queremos? O que fazer com o Mar? O que fazer com as novas formas de energia, com o ensino e a ciência?
Responder de forma clara a estas questões é fundamental.
O PS, tem que afastar de si todas as suspeições que sobre si impendem, mesmo com o sacrifício necessário de quem não tem culpa mas que está queimado, a maioria dos casos de forma injusta.
A cultura instalada da punição nas páginas dos jornais e depois nunca provada, foi levada a cabo com êxito e agora é preciso dar tempo para que os portugueses comecem a perceber que os únicos que têm o poder de condenar são os tribunais.
O PS tem que se abrir cada vez mais à sociedade civil. A eleição do seu secretário-geral aberta à sociedade como faz agora o PS francês seria um ótimo contributo. A eleição do secretário-geral num sistema de primárias como o PS francês ou os partidos nos USA, seriam um grande contributo para a democracia e um exemplo para o País.
Reconheço que este desafio não é fácil, será precisa muita coragem, mas na assunção dela é que se veem os grandes lideres.
É urgente que o PS esteja preparado. Este ano de 2013 é uma incógnita e o PS poderá ser chamado a governar mais cedo do que se pode esperar.
Por hoje é tudo.
A todos os leitores desejo um bom ano 2013.





Caro leitor Manuel Castro.
Agradeço-lhe a leitura da minha crónica assim como o seu comentário. Verifico que apesar de defender Seguro, diz-se não militante do PS, o que respeito. Eu também não sou. Cada um tem direito à sua opinião sendo ou não militante de qualquer partido. A minha próxima crónica ja está escrita desde o dia 20 por imperativo da redacção do Jornal, pelo que a minha opinião aí manifestada é anterior a esta convulsão no PS. Não concordo no entanto consigo, quanto ao debate interno no PS, este é absolutamnete necessario e importante. Seguro é o principal responsavel pelo que sucedeu. Ele não proprocionou a união do Partido nem tem feito a oposição que este governo merece e muitas vezes tem andado a reboque de manifestações de deputados da bancada parlamentar, a oposição não tem sido de sua iniciativa.
Repare nos ataques pessoais que foram feitos pelos defensores de Seguro e ele próprio (traições,funalização, deslealdades, etc.)o que não aconteceu por parte dos seus criticos, que no final acabaram por lhe dar uma nova oportunidade de se afirmar e um exemplo da construção da unidade no partido. A mim pouco me interessam as pessoas, o importante são as politicas e até agora eu ainda não consegui perceber qual a politica de Seguro para o futuro. Se o meu amigo percebeu, agradeço-lhe que me elucide. Para si os meus melhores cumprimentos.
Peço as minhas desculpas, e a devida correeção: há pouco queria esrrever “quando o PS tem de falar para o PAÍS… e não para o PS como escrevi.
Aceitem as minhas desculpas
Senhor Lúcio Garcia
Você desafiou António José Seguro e parece que o seu desafio foi acompanhado pelo, pelos vistos, seu camarada de partido, António Costa e por outros militantes afetos à ala de Sócrates.
Acha – e atenção que não sou do PS, ainda que socialista -, devem tirar o tapete a Seguro nesta altura do campeonato? Quando o PS tem de falar para o PS, está, agora, a falar para as bases do partido?
Tenho 71 anos e estou farto de enganadores. Isso não se faz a um homem, que pode não ter traquejo político, mas que me parece sério e deve ser avaliado pelos portugueses nas urnas.
Cara leitora Isabel Santos.Obrigado pela sua leitura e comentário. Reservo a resposta à sua questão na minha próxima crónica. Agradeço-lhe então a sua atenção para ela. Para si, os melhores cumprimentos.
O senhor está à espera do António Costa, como muitos socialistas… tais quais você! Só que isso vai demorar… vai, vai! Quais são as alternativas a este (des)governo apresentadas pelo PS… nada! Pura e simplesmente nada!
Caro leitor Carlos TP;
Obrigado pelo comentario.
A opinião é minha. Quando digo não estar muito seguro de Seguro, quero dizer que até ao momento, ele não foi a oposição que eu gostaria que fosse, não quero no entanto matar à partida, como demagógicamnete muita gente faz, um lider da oposição que ainda tem tempo para dar provas. Nas ultimas 2 semanas Seguro tem estado melhor e as acções que o PS vai levar a efeito em breve podem ser um contributo importante para essa definição. Quanto a ele pedir uma maioria absoluta, estou de acordo. Nunca seria possivel ao PS, governar sem ela. Veja-se o que aconteceu com o governo de Sócrates e o que deu. Ao menos assume toda a responsabilidade da sua governação, e não passa pela situação do governo anterior que sofreu na pele a responsabilidade de acções de um parlamento que sempre lhe foi hostil.
Caro senhor. Se não tem em Seguro segurança para o futuro de Portugal. Que “seguro” poderemos ter nós, quando Seguro já pede maioria absoluta sem dar soluções para sairmos do barril de pólvora em que nos enconbtramos?
Caros leitores Ana e Joaquim Almeida, obrigado por lerem e comentarem a minha crónica.
Quanto a Seguro é o que temos. Também eu não estou muito seguro de Seguro e temo que o País lhe caia nas mãos, mais por absoluta necessidade que caia este governo de incompetentes do que por mérito próprio. Mas isso é o resultado de uma opção interna do PS que o elegeu seu Secretário-geral. De uma coisa estou seguro, a alternativa tem que passar pelo PS, com Seguro ou outro lider que venha a despontar. A experiência também nos diz que perante as dificuldades é que os lideres mais se revelam e mesmo Seguro pode reservar alguma surpresa…quem sabe? Que eu estou seguro dele…não estou.
A boina vasca fica-lhe bem. As pessoas gostam dele, mas será que Seguro terá um eleitorado tão seguro quanto aquilo que um potencial primeiro-ministro pode ter? Responda-me sr. Garcia…
Há muita gente que não acredita, mas o que escreve é verdade! Muito bem!