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E o Largo pariu um Rato …

 

José Gonçalves

(diretor)

 

…e não é a primeira vez que tal acontece, ou seja que o Largo, onde se encontra a sede nacional do Partido Socialista pare um Rato. Por lá, as “pilulas do dia seguinte” não fazem efeito. Assim sendo, aborta-se tudo, ou quase tudo, num curto espaço de horas.

É triste para a democracia que estas coisas aconteçam.

Ao meio dia ataca-se o líder do Rato, à meia-noite abraçasse o Rato e o líder. Durante semanas houve quem fizesse, num instante, tachos e panelas, porque, na cozinha do lado, previa-se coelho esturricado em forno TC.

A fome lá pelo Rato é tanta que não houve Seguro para a quantidade de tachos e panelas que por lá se fizeram às escondidas com patrocínio “socratiano”. Algumas, muitas delas, vieram dar à Costa. Foi o que se viu e ouviu: panelas e tachos, quase como a surfarem naquela onda gigante da Nazaré, entrando pela casa dentro dos portugueses através dos canais televisivos, tal era a força da “vaga”.

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E se calhar, a “vaga” entrou pela casa dos portugueses que ainda tinham uma réstia de esperança quanto a uma alternativa socialista para este desgoverno que faz o que prometeu não fazer e, assim, aproveitando o “surf” do Rato, o continuará a fazer por muito mais tempo, aproveitando-se, sobremaneira, deste olhar distraído para o umbigo dos responsáveis pelo maior partido da oposição.

Os portugueses, e, por certo os socialistas, estão fartos de tachos e panelas, de jogos de bastidores, de clientelas e clientelismos, tanto mais que sempre apontaram aos partidos da direita ultraneoliberal, o dedo acusador quanto a essas acrobacias e malabarismos políticos.

 

Os socialistas perderam, em duas semanas, credibilidade quanto a uma alternativa governativa. Como é que eles poderiam, aos olhos dos portugueses, formarem governo se andam à porra e à massa dentro da própria casa? Sabemos que o PS é um partido plural, que tem muitas fações no seu seio, mas a maioria das pessoas – excetuando os militantes do partido – o que é que têm a ver com isso? As pessoas, que passam por muitas dificuldades originadas por um governo mais troikano que a troika, sonhavam, pensavam que a alternativa poderia ser credível. Hoje, começam a pensar que há outras alternativas credíveis.

 

A democracia, e os seus valores mais elementares, não se compadece com cenas políticas num tipo de “Casa dos Segredos”. Os milhões que saíram à rua, a 15 de setembro, disseram não acreditar nos partidos, pediram uma política cristalina e uma Justiça… justa! Os políticos, pelos vistos, não aprenderam a lição. Os (des)governantes engoliram-na, mas agora, e com este problema intestinal socialista, respiram de alívio e sentem-se mais soltos, mais livres, para continuarem a praticar, agravando, a sua política de austeridade.

 

O que aconteceu em meados de janeiro, pelo lisboeta Largo Rato, terá retroativos políticos negativos para o PS, até porque, veio ao de cima certas e lamentáveis contradições. António Costa, por exemplo, há tempos, dizia que nunca assumiria a liderança do partido se estivesse à frente da Câmara Municipal de Lisboa. Recentemente, “mostrou-se” como potencial candidato à liderança do PS, recandidatando-se à autarquia alfacinha!

 

Estes pequenos grandes pormenores deixam marcas indeléveis e profundas. Os portugueses sentem estas coisas.

Mais: António Costa disse que estaria à espera que Seguro unisse o PS, caso contrário, seria candidato para as “diretas”. Pura hipocrisia! Ele sabe muito bem que o PS está e estará dividido, porque ele terá sempre a sua base de apoio socratiana, a qual nunca alinhará com Seguro – à cabeça, por exemplo, surge o nome de José Lello (que poderia ser um potencial candidato à liderança, sabendo-se, contudo, que lhe falta arte, engenho e… coragem! – e assim, com o persistir da desunião, Costa terá de se assumir como candidato, mesmo depois de muitos abraços e beijinhos a Seguro que vimos, estupefactos, nas televisões.

 

Um líder de um partido, ou candidato a tal, não pode ir a reboque de uma “máquina” de oportunistas, correndo o comboio o risco de descarrilar-se ou desviar-se de linha, da linha (ideologicamente) traçada. Um líder tem de ir à frente do povo, mas não pode distanciar-se muito do povo, porque, assim sendo, o povo perde-o de vista.

Não sei o que pensarão as bases, que é como quem diz, os mais de 83.500 militantes socialistas? Sinto é o que devem pensar os portugueses, os tais que esperam por uma alternativa credível a este desgoverno; assim como os socialistas que já não se identificam com o Partido depois desta trapalhada toda.

Dediquei este espaço ao PS porque, como democrata, tenho de valorizar respeitando o papel do PS na democracia portuguesa.

 

Penso que estamos numa fase decisiva quanto ao futuro de Portugal, sendo que o futuro de Portugal não se compadece com autismos políticos, mas, isso sim, com olhares abrangentes e interventivos na sociedade, começando os mesmos por identificarem-se em compromissos de honra política. São esses compromissos que desconheço, porque desconheço ideias concretas, programas e medidas para, de uma vez por todas, sairmos deste atoleiro.

Não as conheço por parte do PS – do PS de Seguro e de Costa -, mas conheço outras alternativas às das políticas ultraneoliberais e inconstitucionais de um desgoverno que vai cantando e rindo, e… quando olha para o lado, e lê nas estrelas o seu futuro sabe, de antemão, que tem mais espaço, por desnorte concorrencial, para aplicar mais medidas de austeridade, sem ter que remodelar governo, ou coisa parecida nos, próximos tempos.

 

Mas, também, remodelar para quê? O cheiro seria diferente, mas a “coisa” seria a mesma. E estamos nisto. Como que numa cena sem espetadores, porque já não há quase cinemas com portas abertas neste país. País que sofre de Alzheimer político e que, para a doença, continua à procura de cura, encontrando-se já em cuidados paliativos.

 

 

Tentem ser felizes

Sei que é difícil…. mas tentem!

 

 

 

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2 Comments

  1. Carlos Duarte Martins (Lisboa)

    O que escreve é verdadeiro. O trabalho saiu no dia de fevereiro e será atual até março. Parabéns a si como diretor do “Etc e Tal” como toda a sua equipa que… em si confia… Só tem mesmo que confiar. Tem mesmo que confiar num jornal verdadeiramente independente.

  2. Paulo Albuquerque (Matosinhos)

    Deste PS não seria de esperar outra coisa. Há outras alternativas à esquerda, mas as pessoas têm medo de as assumir.

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