A pré-campanha para as eleições autárquicas em Matosinhos está ao rubro, sendo que é no seio socialista que surgem as maiores surpresas e até convulsões políticas. Guilherme Pinto, atual presidente da edilidade matosinhense, militante socialista há 37 anos e eleito pela referida força partidária, pediu a demissão, e avança como independente.
Outro ex-socialista, Narciso Miranda, poderá também avançar com uma candidatura própria à presidência da Câmara, o que não é a primeira vez que acontece.
De “ADN” político socialista, Matosinhos terá, contudo, como candidato oficial da “mãozinha” – como simpaticamente se referem ao PS – António Parada. A luta vai ser tão interessante quanto aguerrida, isto com o PSD, na calha, a apostar em Pedro Vinha da Costa para a presidência camarária.
Guilherme Pinto: o independente
Surpresa, ou não (?!), o atual presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Guilherme Pinto, enviou uma carta ao secretário-geral do PS a pedir a desfiliação do partido, isto antes de formalizar a sua candidatura como independente à presidência do município. A decisão já tem história de semanas, mas, seja como for, agitou o “mar político” de Matosinhos, sendo que esta não é a primeira vez que um socialista se demite do partido para dar a cara por uma candidatura independente: a primeira foi a de Narciso Miranda.
Em declarações à agência Lusa, Guilherme Pinto, militante do PS há 37 anos, anunciou que deixou o partido considerando ser “preciso conseguir manter a dinâmica de desenvolvimento em Matosinhos e evitar um desastre, que são as candidaturas dos partidos” no concelho.
Com tal preocupação, mas sabendo também do apoio que poderá ter nas “Autárquicas” de outubro, o edil matosinhense, decidiu deixar “a condição de militante do partido” não querendo “polémicas à volta dessa matéria como já aconteceu no passado”, justificou.
António Parada: Da “Casa dos Pescadores” para “Projetar Matosinhos”
Trocas a baldrocas políticas à parte, a verdade é que a concelhia do PS/Matosinhos escolheu o seu líder e presidente da Junta de Freguesia de Matosinhos, António Parada, como candidato à presidência da câmara.
“Projetar Matosinhos” é o lema do candidato socialista que se apresentou, como tal, na Casa dos Pescadores. Na altura, Parada contou com a presença do secretário nacional Miguel Laranjeiro – que trouxe uma mensagem de apoio e um “abraço” de António José Seguro – dos deputados Francisco Assis, Manuel Seabra e Fernando Jesus, do líder da federação distrital do PS/Porto, José Luís Carneiro, dos presidentes de Câmara da Vila do Conde e da Trofa, Mário Almeida e Joana Lima, respetivamente, e dos candidatos socialistas às câmaras da Maia (Ricardo Bexiga), Santo Tirso (Joaquim Couto) e Valongo (José Manuel Ribeiro). Coisa de “peso”.
António Parada assegura que “o partido está unido” e está com a sua candidatura e que quer projetar Matosinhos “para o plano nacional e internacional”.
Narciso Miranda: (Re)candidatura Parada
Quanto a Narciso Miranda a coisa é mais complexa. Pelos vistos, o silêncio, neste caso, é a alma do negócio. O “histórico” só em meados de março ou em abril é que anunciará, ou não, a sua (re)candidatura independente à Câmara Municipal de Matosinhos.
A possibilidade de Narciso dar apoio direto a António Parada tem vindo a “emperrar” a sua decisão quanto ao facto de se assumir como “participante” na corrida à presidência da Câmara.
Ao semanário “SOL” Narciso, disse, há poucas semanas, que “não comento as eleições em Matosinhos”. Há quatro anos, como independente, teve 30,7por cento dos votos, atrás de Guilherme Pinto (42,3 pontos percentuais).
Pedro Vinha da Costa (PSD):” Esgotou-se o poder socialista que tem usado Matosinhos para ringue de boxe”
O social-democrata Pedro Vinha da Costa entrará também na corrida para as eleições de outubro. O seu objetivo é, fundamentalmente, “ter mais um voto do que o adversário”, e isto porque o PS, no poder, está “cansado e desgastado”, disse o candidato, à Lusa.
“Esgotou-se um ciclo de 36 anos de um poder socialista que, ao longo deste tempo, tem usado Matosinhos para ringue de boxe, onde se digladiam interesses os mais mesquinhos”, afirmou.
Vinha da Costa tem 51 anos de idade, é advogado e já foi membro foi membro da Comissão Política Nacional do PSD, chefe de gabinete de Marques Mendes e deputado, tendo também experiência autárquica como presidente da Junta de Freguesia de Massarelos, Porto, e membro das assembleias municipal e metropolitana do Porto.
O candidato social-democrata à presidência da Câmara de Matosinhos, que rejeita uma nova coligação entre o seu partido e o CDS, acredita que “os matosinhenses saberão constatar que têm agora uma oportunidade única para inverter o rumo de um concelho que perdeu vitalidade, competitividade face aos municípios vizinhos e reduziu a sua influência na Área Metropolitana do Porto”.
Vinha da Costa está na corrida…
MOVIMENTO “REVOLUÇÃO BRANCA” CONTRA CANDIDATURA DE MENEZES À CÂMARA DO PORTO
O Tribunal da Comarca do Porto aceitou a providência cautelar contra a candidatura de Luís Filipe Menezes à Câmara do Porto, nas eleições autárquicas agendadas para outubro deste ano.
A acção (popular) foi interposta pelo Movimento Revolução Branca, o qual entende que a Lei de Limitação de Mandatos não permite candidaturas de autarcas com mais de três mandatos consecutivos a outras autarquias.
“O Movimento cívico Revolução Branca informa que o 3.º Juízo Cível da Comarca do Porto recebeu liminarmente o procedimento cautelar instaurado, ordenando a notificação dos requeridos interessados, PSD e dr. Luís Filipe Menezes, para em dez dias deduzirem oposição ao peticionado, nos termos da lei. Prosseguirá, pois, a providência cautelar instaurada até competente decisão final”, lê-se em comunicado.
De salientar que, ao todo, o movimento apresentou sete ações populares, correspondentes a outros tantos concelhos, onde o PSD apresenta candidatos com vários mandatos autárquicos. Para além do Porto, Lisboa e Loures, o Movimento Revolução Branca aguarda uma resposta por parte dos tribunais de Tavira, Estremoz e Vila Real de Santo António.
O “DE” E O “DA” … OITO ANOS DEPOIS
Entretanto, eis que anos depois, se descobre, algo que ninguém tinha descoberto.
O texto da Lei de Limitação de Mandatos publicado em 2005 no “Diário da República” não corresponde ao que foi aprovado pela Assembleia da República e promulgado por Jorge Sampaio.
O erro foi detetado pela Presidência da República e poderá representar um trunfo político ou jurídico para Fernando Seara e Filipe Menezes, isto entre outros autarcas que já cumpriram três mandatos numa autarquia e agora se querem candidatar a outra.
Ora a “coisa” surge tudo, e só agora (estranho!”) por causa de um “de” que foi trocado por um “da“.
O texto que está publicado veda a recandidatura ao presidente “de” câmara ou “de” junta de freguesia que já tenha cumprido três mandatos sucessivos. Mas, a lei aprovada colocava esse impedimento ao presidente “da” câmara e “da” junta. Então qual é o problema? É que o “de” para Presidente de Câmara poderá ser lido como referência a uma função, e o “da” câmara pode interpretar-se como uma qualquer coisa, que ninguém sabe, ligada à câmara específica – o que permitirá que os autarcas que já fizeram três mandatos se apresentem numa câmara diferente.
ILDA FIGUEIREDO É CANDIDATA DA CDU À CÂMARA DE VIANA DO CASTELO
Ilda Figueiredo, ex-eurodeputada comunista será a candidata da CDU à Câmara de Viana do Castelo nas próximas eleições autárquicas. Em declarações à Lusa, afirmou ser “ candidata, no seguimento de ter liderado a lista pelo distrito nas últimas eleições legislativas e da grande ligação que tenho a esta região”.
Recorde-se que antes de ter encabeçado a lista da CDU pelo distrito de Viana do Castelo, nas eleições legislativas de 2011, Ilda Figueiredo foi eurodeputada entre 1999 e 2012. Antes ainda, entre 1979 e 1991, foi eleita pelo distrito do Porto à Assembleia da República.
E, mais disse:” Será, sem dúvida, um desafio muito importante que vem no seguimento de tudo aquilo que me liga às gentes de Viana do Castelo, dos trabalhadores e das populações, que precisam de quem se empenhe para resolver os problemas e não apenas de palavras bonitas”
Texto: JG
Fontes: Lusa, semanário “SOL”
Fotos: Pesquisa Google





Grande senhora! Votarei em si!