Depois de, em 2011, a cidade do Porto ter ficado privada de sete estações de Correio – a saber: Antas, Loja do Cidadão, Pinto Bessa, Campo Lindo, Augusto Luso, Malmerendas e Palácio de Justiça – eis que, em comunicado enviado à comunicação social a CDU (PCP-PEV) revela que o governo prepara-se para dar cabo de mais três postos, desta feita os da Bolsa, Lordelo do Ouro e S. Roque.
Segundo a CDU, e no âmbito do processo de privatização dos CTT – Correios de Portugal, “o governo tem em curso um plano de encerramento de largas dezenas de estações por todo o país, incluindo diversas localizadas na cidade do Porto”.
Para comunistas e ecologistas “este facto, a verificar-se, constituiu um grave passo no ataque aos serviços públicos e um elemento de aceleração da desertificação da cidade (Porto)”, lê-se em comunicado, no qual se destaca ainda o alerta para a intensão governamental ser travada, já que, caso contrário, “sete das quinze freguesias do Porto (Lordelo do Ouro, Miragaia, Sé, S. Nicolau, Vitória, Nevogilde e Campanhã), nas quais residem cerca de 70 mil habitantes, ficam sem qualquer estação de correios na sua área”.
Mais de oitenta marcos de correio já foram removidos
Para além de terem sido “removidos 83 marcos de correio da via pública nos últimos meses”, a CDU alerta ainda para o facto da Estação de Correios do município ter deixado de funcionar aos domingos e feriados. Comunistas e ecologistas realçam, ainda no referido comunicado, para importantes indicadores, os quais “reforçam os motivos para recusar a intenção de mais encerramentos”.
Assim sendo, saiba que a “ média nacional de habitantes por estação dos CTT é de 11 941. No caso do concelho do Porto é de 12 503 habitantes (dados Censos 2011 e Principais Indicadores Grupo CTT); a média nacional de habitantes por estabelecimento postal (estações e postos) é de 3643 e, no caso do concelho do Porto, é de 7 663,2 (dados Censos 2011 e Principais Indicadores Grupo CTT); se juntarmos aos habitantes, os trabalhadores por conta de outrem a laborar no Porto, o rácio por estabelecimento postal aumenta para 10 700.
No entanto, para além de contabilizar o número de habitantes e trabalhadores no concelho, importa ter em conta que a cidade do Porto concentra um extraordinário número de grandes, médias e pequenas instituições, empresas e serviços, públicos e privados, que fazem com que o Porto veja durante os dias úteis a população dentro do seu espaço geográfico multiplicar, uma vez que na cidade estão sediadas 37.001 empresas (fonte INE) .”
Comunistas pedem esclarecimentos
Números e mais números revelados no comunicado da CDU que não ficam por aqui, até porque “a tudo isto, acresce que na população residente no Porto, cerca de 50 mil pessoas têm 65 ou mais anos de idade, correspondendo a cerca de 20por cento (dados Censos 2011). Note-se que estas decisões têm lugar num quadro de acumulação de avultados lucros por esta empresa pública em vias de ser privatizada, que, entre 2009 e 2011, obteve lucros acumulados superiores a 150 milhões de euros”.
Entretanto, e perante tal situação, o vereador da CDU, Pedro Carvalho – também ele candidato pela coligação de comunistas e ecologistas à presidência da edilidade -, “confrontou a coligação PSD/CDS” sobre o assunto “não tendo obtido qualquer informação ou compromisso de intervenção do presidente da Câmara”.
Além desta ação o “Grupo Parlamentar do PCP na Assembleia da República irá dar entrada com um requerimento escrito questionando o governo sobre quais as estações de serviço dos CTT que estão previstos encerrar e quais os critérios que fundamebtam essa edição”, conclui o comunicado.
A este propósito, o “Etc e Tal Jornal” tentou contactar responsáveis dos CTT para esclarecer o assunto, mas sem sucesso, devido ao hipotético facto de se encontrarem em férias de Páscoa. O nosso jornal promete, contudo, tentar esclarecer este assunto junto de quem responsável já na sua próxima edição (01maio13).
Texto:JG
Fotos: Pesquisa Google
