Luís Reina
CENTRO HISTÓRICO DE BHUKARA
(Uzbequistão. Abril, 27, 28 e 29 – 2009)
Uzbequistão, país da rota das mesquitas azuis, da rota da seda, de encruzilhadas entre o ocidente de Marco Polo e o oriente de Gengis Khan. País de sabor a especiarias e de fragância de rosas.
A Ásia central no seu melhor.
Esta rubrica é dedicada a uma das mais bonitas cidades deste país – Bhukara cujo nome quer dizer – a Nobre. Um dos seus epítetos é o de “Pilar do Islão”. É o mais importante centro cultural Uzbeque. Terra natal de importantes astrónomos, cientistas, filósofos e poetas. É considerada pelos muçulmanos como a cidade mais sagrada da Ásia central. Gozou de um pequeno período independentista como República Popular de Bhukara.
Aqui senti-me livre.
Pela primeira vez ao fim de tantos anos como viajante do mundo, nunca utilizei um único plano da cidade para me orientar. Deambulei sem nunca me perder. É como se aqui estivesse estado noutros tempos, noutras vidas. A cidade desenvolveu-se a partir da Praça Lyabi, que quer dizer – “Em Redor do Reservatório”.
Seria impossível descrever todo o vasto património desta grandiosa cidade, construída de tijolo e cerâmica vidrada azul. Seria demasiado extenso escrever sobre os aromas e sabores desta terra com cheiro às douradas areias do deserto onde foi edificada. Não é possível escrever sobre os risos das crianças e a simpatia sabedora dos idosos pois seriam páginas infindáveis de palavras. Não há adjectivos suficientes para descrever o ambiente que ali vivi durante três dias, no meio de tapetes persas e sedas do extremo oriente.
Vou aproveitar para contar duas situações que me aconteceram, minimamente bizarras e estranhas.
– A primeira foi quando fui abordado por um Uzbeque, quando estava a tirar uma foto ao Museu dos Tapetes.
Pediu-me € 1, pois fazia colecção de moedas deste valor e que só lhe faltavam as moedas de Itália e de Portugal. Fiquei espantado com a coincidência.
– A segunda história aconteceu no mesmo dia, já o sol se espreguiçava para ir dormir.
Aproximei-me de uma mesa de velharias tão velhas como o seu proprietário, pessoa de olhar penetrante e vivo. Tentava escolher uns postais, que tenho por hábito comprar. Estavam todos amarrotados, desbotados pelo sol, de anos à espera de comprador, numa só palavra – estragados. Contudo e para fazer a minha boa acção humanitária do dia decidi comprar dez exemplares.
O empregado ou familiar que partilhava da mesma mesa de venda, aproxima-se e tenta vender um livro do boémio poeta Omar Khayy?m. Disse-lhe que já tinha comprado e não estar interessado. Literalmente diz que não acredita, melhor dizendo chama-me mentiroso. Repeti-me. Pergunta-me então qual a minha nacionalidade. Alegremente, informo-o que sou português. Estou certo que não me vai perguntar mais nada. Nem deve saber onde fica Portugal. Mas para minha estupefação diz que o livro está escrito em português. Sorrio. Ele abre o livro e começa a ler as primeiras frases, em português. Gostava de ter uma fenda bem grande onde me enfiar.
Ir para o outro lado da terra e ver que existem livros escritos na língua de Camões deixou-me orgulhoso. Escusado será dizer que comprei o livro que guardo religiosamente.
Como nota de fundo, um dia que vão ao Uzbequistão e visitem Bhukara, fiquem instalados no hotel Lyabi House. Uma casa de um mercador transformada em hotel. A sala de jantar encontra-se revestida a frescos e decorada com antigas peças de cerâmica. O serviço de refeições é muito bom. A localização é fantástica.
Este foi um relato diferente de uma cidade.
Esperem por outras histórias feitas em tons de azul.
Por vontade do autor, e de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial do “Etc eTal jornal”, o texto inserto nesta rubrica foi escrito de acordo com a antiga ortografia portuguesa




Olá Victor Alves…os 10 textos já estão todos escritos, uns foram mais faceis outros mais dificéis mas as pessoas vão gostar do proximo, pois depois só voltarão a ler em Agosto.
Pena que não tenah Facebook porque senão lia a minha mais recente aventura escrita.
abraço
Cada página do Diário de Bordo supera a anterior. É so soltar a imaginação e…lá vai ela. Porque será que não fico surpreendido?
E note que cada vez estou mais exigente.
Só tenho uma dúvida: está a ser mais fácil ou mais difícil?
Fico a aguardar a próxima
Obrigado mana, um texto um pouco diferente dos restantes, eu acho que sempre fomos grandes…em acções pelo menos.
Bj
E mais uma vez deambulei contigo por terras onde, até tu próprio, te questionas se já lá não terias estado. Gostei. E afinal, como somos grandes! Ou fomos? Fica a questão
Beijo grande
Obrigado Teresa, sem duvida que já tinhas ouvido uma das histórias nessa tarde muito bem passada na Associação dos Antigos Alunos da Escola do Adro de Matosinhos.
E foste uma das testemunhas de que falei verdade, pois estiveste com o livro na mão.
Histórias que espero se voltem a repetir, desta feita sobre o tema da gastronomia.
Bj grande
Olá Luis, mais uma vez, tu e as tuas viagens e os teus contos, que encantam…Apesar de já ter ouvido um pouquinho desta tua narrativa, foi com prazer que a li e quanto ao livro, se não acreditarem…é mesmo verdade e eu estive com ele na mão. Bjs.Teresa
Obrigado Carlinha, minha eterna leitora e deixando sempre uns comentários tão inspiradores para outros textos que se seguem.
Bj grande
Ola luizinho
Como sempre consegui viajar contigo
Ri e ate me soltaste uma lagrima
Obrigada
Mts bjnhs
Carla Ribeiro