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O “povo” que vira o disco e toca sempre (n)o mesmo!

 

José Gonçalves

 

01 de abril. Dia das Mentiras. O dia que é sempre quando um político quiser, mesmo assim, com um entrave: o “coitado” não o pode “festejar” a 30 de fevereiro.

E lá se foi março: mês de todas as emoções, conflitos, (re)aparições, roubos e intrigas. Conhecemos o novo Papa. Francisco de nome pontifico. Setenta e seis anos. Argentino. Jesuíta. Simpático. Mostra-se diferente na atitude, na presença, no trato e na simplicidade. Não professando a religião católica romana, tenho, obviamente, que considerar que o Papa, além de chefe de um pequeno mas poderoso Estado, move a Fé de milhões e milhões de almas por esse mundo fora. Essas almas têm de ser respeitadas e, consequentemente, o papel do Papa.

 

papa francisco - 01abr13

 

hugo chavez - 01abr13

 

Da América Latina surgiram também outras, ainda que diferentes, notícias: Hugo Chávez, o carismático líder da Venezuela, morreu deixando órfã uma “democracia radical” onde o culto da imagem chegou ao limite dos limites, mas também não passou disso. O homem ajudou gente carenciada. O homem era inteligente. O homem tinha uma conceção de socialismo e de democracia muito própria, que não foi mais idolatrada, mumificada, mais “cubanizada”, porque o povo, democraticamente, não o quis.

Foi um amigo de Portugal. Comprou-nos milhares e milhares de “Magalhães” e nos Estaleiros de Viana do Castelo estão encomendados dois navios que não atam nem desatam em ir para o mar, tudo porque o nosso desgoverno teima em não cumprir com a encomenda alegando não ter dinheiro para as matérias primas necessárias à obra. Nem um esforçozinho! E estão trabalhadores obrigados a ser “cigarras” – as tais “cigarras” que os desgovernantes identificavam a lusa preguiça–  isto já não sei há quanto tempo.

 

vitor gaspar - 01abr13

 

E, por fim, regressemos a este desnorteado Portugal. e logo pelos piores motivos. Aliás, ou contrário é que seria de estranhar. Vítor Gaspar o ministro astrólogo das Finanças voltou, uma vez mais – já cansa! – a enganar-se nas previsões. Ele mete os pés pelas mãos, as mãos pelos pés, a boca pelas orelhas, e mesmo falando a 38 rotações bate sempre no mesmo, ou seja, no recorde de “ditos ministros das Finanças” que por, esse mundo, mais erram em previsões orçamentais. O único que se safa neste “campeonato”, é o homólogo norte-coreano de Gaspar: aquando das previsões, tem mais de trezentas metralhadoras apontadas à cabeça. Caso falhe… já se sabe qual o destino para a mioleira do homem.

 

Ironias à parte, e porque isto não está para brincadeiras, a vergonha relativa aos sucessivos erros nas previsões orçamentais é de tal tamanho que não chega a envergonhar Gaspar. Há nele um grave problema psicológico qualquer que poucos conseguem perceber, e um dos quais é o antigo ministro dos negócios estrangeiros do governo socialista, Luís Amado, que defende a continuidade do sr. Vítor nas Finanças, após uma remodelação governamental.

Com olhar triste, disse-nos o senhor, aquando dos resultados da sétima avaliação da Troika, que o desemprego chegará, no final deste ano aos “simpáticos 19 por cento (um milhão e trezentos mil). O Instituto Nacional de Estatística (INE), horas mais tarde, vinha confirmar que, em 2012 a economia portuguesa sofreu a mais profunda recessão desde 1975, atingindo os -3,2 por cento do PIB. Que vergonha!

 

Mesmo tendo mais um aninho para cumprir com o défice – o “alargamento” temporário “cedido” pela Troika, terá sido regado com champanhe e coelho estufado com ervilhas em sede laranja, e coelho assado com batatas a murro, em casa de populares- , Gaspar teve que dizer que só em 2014 é que economia terá uma ligeira subida (0,6 por cento). Não se esquecendo o leitor que o dia 01 de abril (mentiras) é sempre quando um político quiser, e que as previsões do ministro em questão são sempre  certas, já pode imaginar o que vem por aí!

 

Na mesa continua, entretanto, o corte (impossível) de 4 mil milhões de euros. À espera estamos das decisões do Tribunal Constitucional, mas, sobre assunto vamos já lá, porque, essa história pode mudar o rumo dos rumos desgovernativos.

Neste quadro, o PS de José Seguro anunciou apresentar uma Moção de Censura ao desgoverno de Passos, para por o Coelho a marcar passo.

 

seguro - 01abr13

 

Venha, então,  daí a moção, porque a manifestação de 02 de março foi muito ensossa! Assim, nada melhor que, em Casa da Democracia, a “oposição” encostar o governo e o Presidente da República à parede, isto ainda sem sabermos ao certo, quais as “seguras” medidas de António José para o executivo que possa vir a liderar.

É nisto que o PS se esbarra. Os portugueses consideram Seguro um político responsável, mas não se responsabilizam em dar-lhe legitimidade para governar o país. Seguro melhorou o discurso; toma posições mais duras – que a direita intitula demagogicamente de “radicais – mas não fala em projetos concretos. Não apresenta um governo-sombra!.

 

E eis que, o mês de março fica marcado pelo regresso de José Sócrates. Afinal, o D. Sebastião chegou numa noite e não havia nevoeiro. Ele regressou. “Viva!” Terá aclamado o terceiro maior grupo parlamentar na Assembleia da República (ala de Sócrates na bancada do PS).

Antes porém, já Jorge Coelho, passados seis anos de clausura política, regressava aos comícios do PS. Sentiu-se tão satisfeito que, como é seu hábito, começou a partiu a louça que havia para partir e outra que ainda estava para vir. Foi um tipo uma festa tipicamente grega e que também faz parte da cultura cipriota…

Oh! O Chipre!

 

Pois, o Chipre ingressou no clube de tesos da Europa. De salientar que todos os seus membros têm um caraterísticas comuns: todos são, relativamente, pequeninos; periféricos; a população gosta de beber uns valentes copos; comer bem, de dormir melhor e fazer quase nada. Este é o quadro “pintado” pelos senhores do norte da Europa, que quando podem vêm cá para o Sul emborrachar-se.

 

Mas, o problema do Chipre, e do respetivo regate de 10 mil milhões, teve digamos que um “tratamento especial” por parte dos troikanos. Objetivo ir, diretamente, aos depósitos bancários de toda a malta. Depois deixou de se roubar a malta toda – o parlamento bateu com o pé e disse não -, mas ainda não se sabe muito bem como a história irá acabar. Há já quem fale numa taxa de “roubo” de 60 por cento para quem tenha depósitos igual ou superiores a 100 mil euros,

 

Gaspar, por cá, apressou-se a dizer que a medida aplicada ao Chipre, nunca seria aplicada em Portugal. (Aviso uma vez mais, o dia 01 de abril – dia das mentiras, é sempre quando um político quiser). Entretanto, um inteligente europeu disse que a ideia não era tão negativa como, à priori, o povo pode pensar. Este inteligente é um dos tais que está a dar cabo da Europa e não dá conta disso. Aliás, esse como todos os merkeleuropeus querem safar a Alemanha e resto são cantigas.

Por cá, pensa-se que Gaspar terá dado dez cabeçadas na parede do seu quarto, e mais vinte na do seu escritório, quando soube da medida exigida ao Chipre.

“Porque não me lembrei disto antes! Meu…Deus.. por… que… não… me… lembrei… disto!”

 

Primeiro foi assim...
Primeiro foi assim…
... depois um "pimba" que já levaste! E agora? Agora é que vão ser elas...
… depois um “pimba” que já levaste! E agora? Agora é que vão ser elas…

 

Mas, eis que, finalmente, regressa Sócrates. Como baratas tontas, os desgovernantes tentam disfarçar o medo… o medo das palavras, o medo dos tiques, o medo dos gestos, do sorriso irónico. Sócrates regressa a comentarista da RTP – ele por já lá esteve antes de ser primeiro-ministro, debatendo com Santana Lopes. Desta feita será com Morais Sarmento. Tudo acontecerá aos domingos, precisamente na mesma altura em que, na concorrência, outro comentarista diz de sua justiça.

 

Mas as atenções do País foram direitinhas (1 milhão e setecentos mil espectadores – recorde de audiências) para a entrevista do ex-primeiro ministro.

E pronto, Sócrates apresentou-se em grande forma, deu uma entrevista convincente – principalmente para os socialistas indecisos -, assumiu uma única culpa (deveriam ter assumido mais!), ou seja a de ter constituído um governo minoritário, e depois o resto da “narrativa” foi a de desancar a torto e a direito no Presidente da República.

Cavaco teve o que mereceu. O homem (Sócrates) achou-se, e bem, no direito de defender-se das declarações e posições do Presidente da República, referindo que ele hoje está politicamente, atado, pois foi quem deu o pontapé de saída para a atual crise e que a suporta… suportando este governo.

Cavaco “corajosamente”(?!) não reagiu, mas terá de o fazer dentro em breve, e quanto mais não seja no discurso do 25 de Abril. Se não for antes.

 

Bem, ao fim e ao cabo, a RTP ganhou audiências. Sócrates disse o que tinha a dizer. Os portugueses estavam com saudades do velho “animal político”?

Talvez sim. Talvez não. Um “sim” quanto aos “socratianos” e a alguns socialistas e portugueses indecisos quanto ao futuro. Um “não” por parte dos defensores da política ultraneoliberal do atual desgoverno.

Mas, atenção que, dos portugueses, é de esperar tudo. Senão vejamos:

Logo depois de Gaspar ter anunciado um quadro mais negro que o anterior por ele pintado para as finanças e economia nacional, sendo certas mais medidas de austeridade, uma sondagem da Universidade Católica revelava que o único partido a subir no dito estudo era o PSD.

Ou seja o partido do (des)governo conseguia um empate técnico, no primeiro lugar com o PS. Resultados: PS: 31 por cento, PSD, 28 (margem de erro de 3 por cento), CDU, 12, BE, 08, CDS, 05, e…. atenção: 11 por cento de votos brancos ou nulos.

 

Bem. Hoje, as “narrativas” parecem estar diferentes de outras narrativas de alguns anos atrás. Não sei se as pessoas querem o certo pelo incerto, sendo que o certo será sempre mais austeridade, mais fome, mais desemprego, mais exigências e mais desespero.

Não sei do que estão à espera os portugueses que saem à rua aos milhões e depois aos milhões votam contra os propósitos de tal luta… de tal atitude contestatária.

Mas, o povo costuma reagir assim. O povo que na realidade nunca fez uma revolução neste milenar país. Falo do povo que aceitou de bom-grado a Inquisição. Quem em 1385 foi forçado a apoiar o mestre de Avis, porque os fidalgos assim o aliciaram, porque tinham medo de perder as suas riquezas para D. Juan de Castela. Povo que na Implantação da República veio a reboque dos militares tal como aconteceu no 25 de abril, neste último caso sem saber se as forças eram de extrema-direita ou democráticas.

 

E é este o nosso Povo que irá às urnas, mais brevemente do que muito comentador e comentarista pode pensar, para eleger um novo governo. Palavra que em nada ficava admirado se voltasse a vencer o PSD, ou seja o partido do desgoverno, da austeridade, e das trokisseses mais troikianas que as da própria troika.

Resta-nos a esperança. Aliás, resta a esperança a este Portugal democrático, que os verdadeiros social-democratas não votem em alguém que empunha o símbolo do partido mas não é social-democrata: é ultraneoliberal convicto.

O CDS de Portas está a perceber-se disso e já está a fugir com o rabo à seringa. O Presidente da República, como disse Sócrates, está atado, mas vai ter que se desatar, e não vai faltar muito. Depois… o povo decide, porque o povo é muito sereno!

Revolta-se nas mercearias, nos cabeleireiros, nos supermercados, nos tascos e nos cafés, mas vota sempre nos mesmos.

 

 

 

Façam por ser felizes que a

“coisa” não está para brincadeiras.

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2 Comments

  1. Madalena Pires (Lisboa)

    As suas previsões são mais certeiras que as do Vítor Gaspar. Na anterior edição anunciou, praticamente, a morte política de Relva, e o Relvas demitiu-se. Neste número, fala em remodelação governamental, convida-nos a votar, mas avisa-nos que com o s” resultados” do Tribunal Constitucional” o governo ficará – como já está à deriva. Você, José Gonçalves, consegue ir mais longe, ao ponto de reconhecer que o reaparecimento de José Sócrates não é inocente, assim como a altura em que a moção de censura do PS apresentada quando foi, também não.
    Antevê a queda do Governo? Ou um ATAQUE DE NERVOS DE CAVACO SILVA.
    Você tem acertado em tudo e alertado para tudo. Não deixe o jornalismo, mesmo desempregado, e monte uma loja de Tarot que vai por certo sair-se bem. Vai ter muito politico a consultá-lo, mas que os ouvem as profecias do Marcelo Rebelo de Sousa.
    E como você diz, e eu subscrevo, este povo (na sua maioria) é um “banana”. Parabéns senhor diretor.

  2. Pedro Correia (Coimbra)

    Sempre sem papas na língua. Concordo: os portugueses (não todos, mas a maioria) são uns bananas.
    Quanto ao sr. diretor: parabéns pela equipa de colaboradores que tem e pelo trabalho que dedicada e profissionalmente desenvolve.

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