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O estado do ENSINO em Portugal. RESCALDO de um ano letivo. IDEIAS para o futuro…

Tribuna Livre

 

O(a)s leitore(a)s e convidados especiais do “Etc e Tal Jornal” expressam-se, de seguida (*), quanto ao tema: “O ESTADO DO ENSINO EM PORTUGAL. RESCALDO DE UM ANO LETIVO. IDEIAS PARA O FUTURO. Sem censura, e com respeito pelo nosso Estatuto Editorial, eis os comentários…

mario nogueira - tl - 01jun13 

“CONTINUAR A PENSAR FUTURO TAMBÉM EM EDUCAÇÃO!”

 

“Está prestes a terminar mais um ano letivo, que, bem pode dizer-se, foi o ano da mentira assumida sem vergonha! Começou com milhares de professores a ficarem no desemprego e também um elevado número de professores sem componente letiva. Mal se iniciou o ano, e perante as dúvidas, o ministro afirmou que, apesar dos “horários-zero”, não haveria mobilidade especial para os professores, mas hoje já se sabe que isso não é verdade; afirmou também que os horários de trabalho dos professores não seriam agravados, mas já disse agora que, afinal, irão ser de 40 horas; havia dito que seria realizado um processo de vinculação extraordinária de professores, mas não foi, tendo apenas sido aberto um concurso extraordinário com 603 vagas, faltando ainda saber se, chegados a setembro, muitos dos que nele entraram não estarão já na rota do despedimento.

 

Mas os problemas foram muitos e bastante graves, indo para além dos que, diretamente, afetam os professores. Foram os mega-agrupamentos criados contra a vontade das comunidades educativas e, pela primeira vez, em pleno ano letivo (grande seria a pressa em nomear os amigos para liderarem os processos de desumanização das escolas). Foi o ano de empobrecer os currículos escolares, eliminando disciplinas com o único propósito de reduzir custos com o que, alegadamente, não faz falta. Foi o ano do regresso do exame da 4ª classe, que apenas deixa em dúvida o que quis, com ele, Nuno Crato: se copiar o modelo maltês ou se, num acesso de nostálgico saudosismo, lembrar a salazarenta escola primária. Foi o ano da afirmação de, fazendo mais com menos, seria possível apostar na qualidade, o que, entretanto, foi desmentido pelo aumento do número de alunos por turma ou a segregação de jovens com necessidades educativas especiais.

 

Este foi um ano mau, um ano de mentira e que está a terminar de forma ainda mais negativa do que se iniciou. A ameaça de afastar ainda mais professores das escolas é repetida dentro e fora de portas, como confirmou o Primeiro-ministro, há dias, em Paris. A degradação das condições de trabalho dos professores depois do aumento do número de alunos por turma está em vias de se agravar, agora aumentando para 40 as horas de trabalho semanal dos professores. Ameaça-se, ainda, tornar mais difíceis as condições de vida dos professores, reduzindo ainda mais os seus salários que, já hoje, se encontram bastante abaixo do que as tabelas estabelecem. A gratuitidade, constitucionalmente consagrada, começa a ser posta em causa, como em causa é posta, afinal, a Escola Pública.

 

No tempo que corre é muito difícil dizer o que se pode esperar do futuro, pois o presente tem sido de permanente desconstrução de tudo o que foi tão difícil de construir. Voltar a colocar as pedras no local certo parece ser o desafio mais imediato que se coloca depois de o governo, a que Crato pertence, ter deitado abaixo parte do edifício, não por implosão mas por cega obsessão. É preciso voltar a dar alma à escola, acabando com os disparatados mega-agrupamentos; é necessário reduzir o número de alunos por turma; há que refazer os currículos, devolvendo o espaço a disciplinas que fazem muita falta; há que valorizar os professores nas suas condições de trabalho e também nas suas condições de vida. Em suma, não se podendo esperar grande coisa do futuro, o melhor é mesmo não esperar mas lutar por ele.

 

Para repor as pedras no lugar e, então, a partir daí, (re)começar a construir o futuro neste contexto de triste realidade que o presente nos dá, não há alternativa à luta. Uma luta que terá de ser forte, corajosa, capaz de pôr travão aos ataques que o governo desfere e, impiedosamente, leva pela frente. Para alguns, poderão ser impopulares essas lutas, até por, necessariamente, se revelarem bastante duras, mas neste momento terá de ser assim, pois os professores estão obrigados a dar tudo, uma vez que, em causa, está o seu futuro, o futuro da Escola Pública e o futuro de milhares de crianças e jovens. É, por isso, uma luta excecional, é certo, mas que procura responder a uma situação excecionalmente grave.

 

Pôr fim à agressão que nos cai em cima, levando o ministro, como todo o governo, à demissão, deverá ser prioridade de todos, sejam professores ou não, bastando que sejam portugueses. Se, após o afastamento deste governo, será possível alterar as políticas em curso, não se pode afirmar hoje; mas pode-se afirmar, porque é certo, que a manter-se o atual governo não será possível qualquer alteração política. De Crato não se espera absolutamente nada de novo, sendo certo que se limitará a prosseguir a reposição da escola do antigamente, só que agora em versão século XXI. De Passos Coelho também nada há a esperar quando foi o próprio que afirmou que as políticas ditadas pela troika são as mesmas que ele defende.

 

Por estas e muitas outras que todos nós sentimos, com grande sacrifício, no nosso dia a dia, pôr na rua o governo que está a destruir a vida dos portugueses e a arruinar Portugal é um dever patriótico e, sobretudo, é o que nos permite, com esperança, continuar a pensar futuro!

Mário Nogueira

(Professor, Secretário-geral da FENPROF)

 

educacaao- cidadnia - 01jun13

 “EDUCAÇÃO DE CIDADANIA”

 “No espaço escolar se realiza um conjunto de importantes aquisições para utilizar ao logo da vida e em contextos diversos.

Num mundo de diversidade, onde os abusos de poder são frequentes e se banaliza a violência, a educação formal não pode limitar-se a aprendizagens de saberes puramente intelectuais e à aplicação de conhecimentos. Os saberes científicos são imprescindíveis ao desenvolvimento pessoal e o “saber fazer” é um elemento muito importante no processo formativo, mas os alunos deverão aprender a estruturar a informação no sentido da intervenção social. Há que desenvolver competências sociais. Até porque a atual multiplicação de informação pode gerar défice de cidadania.

 

Esta dimensão do “saber viver com os outros”, reconhecida pela UNESCO e presente nos seus documentos enquadradores da ação educativa, é um eixo fundamental do processo educativo. A aceitação positiva das diferenças entre indivíduos e grupos constitui um princípio básico para a formação de atitudes e valores nas crianças e nos jovens. Nela radica o interculturalismo, postura humanista de luta contra as diversas formas de discriminação. Nela se fundamenta uma “literacia” que lhes permitirá ler o mundo dos nossos dias e construir redes de relações interpessoais baseadas na solidariedade e na justiça.

Quanto ao aprender a “saber ser”, que capacita os jovens para percecionarem tudo o que misteriosamente os move, constitui a dimensão identitária da formação pessoal. Tratando-se do aprofundamento da relação consigo próprio, esta dimensão gera competências para sobreviverem em diferentes contextos, consolidando as suas destrezas na resolução de desafios profissionais. Hoje como nunca, de grande utilidade.

Para quem tenha responsabilidade na educação e no ensino, recomenda-se a leitura dos documentos amplamente difundidos pela UNESCO, elaborados com a colaboração de largo espetro de especialistas, sobre os quatro pilares da educação: o saber, o saber fazer, o saber ser e o saber viver com os outros.

Maria Rodrigues

(Autarca) – Porto

 

familia e ducacao - 01jun13

FAMÍLIAS CONTEMPORÂNEAS E A EDUCAÇÃO (PARTE I) 

“A família na sociedade é a primeira instituição na educação dos
filhos. É na família que a criança procura a sua estabilidade emocional. A família deverá ser a área de conforto da criança. Família é afeto, é compreensão… um sorriso: São os valores. A família tem a tarefa de promover na criança a autonomia e a autoestima, isso é promover o desenvolvimento pessoal e social na criança. Sei que, na atualidade, são muitos os problemas que afetam as relações entre pais e filhos. Muitas vezes refletimos sobre como passar o tempo com os filhos, quando não temos tempo para eles. Passamos uma grande parte do nosso dia no trabalho. Deveremos proporcionar um momento agradável e diferente. Terá que ser um momento de qualidade.

As crianças necessitam de brincar, isso é óbvio porque também fui criança. A questão é que mesmo a brincar os nossos filhos deverão saber que um jogo tem regras. Regras essas que definem os limites: o que está bem e o que está menos bem. É saber ouvir um sim, mas também saber ouvir um “não” e explicar o motivo desse “não”. No entanto, para o “sim” teremos que “negociar” com os nossos filhos o motivo do mesmo. Cumpre com determinados objetivos e é recompensado. Em concreto é incentivar para a prática das boas maneiras, do respeito pelo outro. Nós, pais, deveremos ser os promotores para a cidadania dos nossos filhos, assim os mesmos aprenderão a crescer felizes e a vencer as adversidades do quotidiano”.

Carlos Sameiro

(Educador Social) – Porto

 

 

(*)Textos são publicados por ordem de chegada à nossa redação e convertidos para nova ortografia.

– Os títulos, quando não indicados pelo leitor, são da responsabilidade editorial do jornal.

 

 

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